
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Jornal GGN – Os protestos dos deputados da oposição contra a prisão do ex-presidente Lula vêm incomodando setores do governo e do próprio Congresso. Impedido de votar matérias consideradas importantes para o mandatário e para o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), a fim de servirem de futuras bandeiras eleitorais, o atual presidente da Câmara começou a usar de ameaças para o prosseguimento de projetos na Casa.
O último anúncio feito pelo parlamentar era de que ele cortaria o salário de deputados da oposição que não participam das sessões legislativas. O efeito de obstrução, usado pelos deputados do PT e aliados de Lula, é um protesto contra a prisão do político.
O que, na prática, está prejudicando as intenções do próprio governo de Michel Temer e do deputado de andarem com projetos que lhes servirão de bandeira aos pleitos de campanha presidencial, por exemplo.
A ameaça “sutil” foi anunciada como se os parlamentares da oposição não tivessem dado outra alternativa a Maia: “Eu sou muito da conciliação e do diálogo, mas se a oposição tem o direito de obstruir, vou reavaliar a questão de ordem sobre a presença no plenário”, disse o presidente da Câmara.
E que a ação dos deputados estaria impedindo a Casa de “cumprir o seu papel constitucional de legislar”, o que estaria testando a tal capacidade de diálogo do parlamentar: “A minha flexibilidade tem limite, e o limite é o respeito a essa instituição”, continuou.
A ameaça de Rodrigo Maia foi recebida com indignação pelos deputados. O parlamentar Silvio Costa (Avante-PE) afirmou que o protesto e a obstrução às pautas legislativas seguem enquanto Lula estiver preso.
“Nós não cedemos à chantagem, quem faz chantagem dá uma demonstração de profunda fraqueza, porque não consegue conduzir um governo que está aos frangalhos”, resumiu a deputada Érica Kokay (PT-DF).
Eles lembram que a obstrução é recurso legal previsto no regimento da Câmara, para que parlamentares impeçam o prosseguimento de determinadas pautas por motivos específicos, com a ausência de deputados em sessões de votação e, consequentemente, a impossibilidade de se alcançar o quórum mínimo para decidir temas.
O movimento na Câmara motivado pela prisão de Lula foi liderado pelo PT, e contou com o rápido apoio do PSOL, PCdoB, PDT e PSB. Em conjunto, os cinco partidos somam mais de 100 deputados
“Se a oposição quer fazer uma obstrução permanente, nós vamos reavaliar a questão. A obstrução vai ter que ser marcada em cada votação, porque é obrigação de todos os 513 deputados estar no Plenário”, disse Maia, ameaçando.
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26 de abril de 2018 6:40 pmObstrucao no dos outros eh refresco, certo?
Muito mimimi do Maia. Parece que ele se esquceu de como ele e a quadrilha dele agiam durante o governo Dilma.