5 de junho de 2026

No terceiro dia de debates, deputado mostra que reforma da Previdência não ataca privilégios

Henrique Fontana cita exemplo de garçom que, pelas regras atuais, seria aposentado com salário de R$ 1,5 mil; com a reforma, trabalhador sofrerá corte de mais de R$ 400

Jornal GGN – A Comissão Especial para reforma da Previdência (PEC 6/19), na Câmara dos Deputados, está no terceiro dia de discussão. A reunião começou por volta das 10h e às 15h20 ainda faltavam 60 inscritos falarem – é possível que a sessão dure até 12 horas.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Segundo informações da Agência Câmara, o relator da reforma, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), confirmou que irá apresentar a complementação do seu voto ao final da discussão da proposta por todos os inscritos. Apesar disso, ele ressaltou que não irá alterar a “estrutura central” do seu parecer.

Mas, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, parlamentares do mesmo partido de Moreira disseram que vão apresentar uma alteração ao texto do colega no ponto que fala da fórmula que determinará o valor da aposentadoria do trabalhador.

No texto original, apresentado pelo governo, e que não foi alterado pelo relator, a fórmula irá considerar a média de todos os salários recebidos pelo trabalhador (100%). Hoje a média aritmética simples considera 80% dos maiores salários de contribuição, corrigidos monetariamente. Os deputados tucanos querem que continue dessa forma, portanto, que sejam expurgados do cálculo os 20% mais baixos.

Entre as mudanças feitas pelo relator no projeto original do governo, está a derrubada do sistema de capitalização. O deputado também excluiu um pedágio sobre o tempo que falta para a aposentadoria, além da idade mínima e do tempo de contribuição.

Dentro das regras de transição apresentadas pelo governo, para aquelas pessoas que em até dois anos poderiam se aposentar por tempo de contribuição, seria necessário cumprir a mais 50% do que resta para atingir o tempo mínimo (35 anos para homens e 30 para mulheres).

“É uma proposta dura, 100% de pedágio, mas é o que foi possível. E mais uma trava de idade mínima de 60 anos para homens e 57 para mulheres”, explicou.

O relator manteve a proposta do governo de idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres poderem se aposentarem, com no mínimo 20 anos de contribuição para homens e 15 para as mulheres.

Hoje o trabalhador pode se aposentar por idade – 65 anos (homens) e 60 (mulheres), com 15 anos de contribuição -, e por tempo de contribuição, 35 anos (homens) e 30 (mulheres).

Na fórmula apresentada pelo relator (mantendo pontos do texto do Planalto), depois do tempo mínimo de contribuição, o trabalhador que se aposentar terá o direito a receber uma renda igual a 60% da média de todos os salários de contribuição, assegurado o salário mínimo. A partir do 21º ano de contribuição, o benefício sobe para 2% ao ano. Assim, para ter direito a 100% da média dos salários, será necessário contribuir por 40 anos.

Presente no debate desta terça-feira (25), o deputado Henrique Fontana (PT-RS) citou exemplos de como os trabalhadores serão afetados pelas mudanças nas aposentadorias. Ele relatou o caso do garçom “Carlos”, de 62 anos, que trabalhou 40 anos, apenas 20 com carteira assinada, sendo 10 anos com salário mínimo e 10 anos com 2 salários. Pelas regras atuais, ele poderia se aposentar com 65 anos de idade com salário de R$ 1,5 mil.

“Esse relatório que dizem que seria a salvação da economia brasileira fará com que a aposentadoria do garçom Carlos seja reduzida para R$ 1030. Onde está o privilégio desse trabalhador?”, indagou Fontana.

Já o deputado Herculano Passos (MDB-SP) chamou a atenção para a exclusão dos estados e municípios da reforma, sugerindo que sejam novamente inseridos. “Se dependerem de lei própria para estabelecer essas regras, pode ser que nunca venha a ocorrer”, alertou.

Passos lembra ainda que no ano que vem, haverá eleições nos municípios o que pode comprometer iniciativas desse tipo. “Sabemos que nesse período serão envolvidas questões políticas e partidárias e prefeito nenhum terá condições de mandar uma matéria dessas para a Câmara de Vereadores”.

Leia também: Em carta sobre reforma, governadores do NE são contra capitalização e mudanças na aposentadoria rural

O relator reconheceu que manteve a desconstitucionalização de alguns pontos, mas disse que vai alterar o parecer para impedir que novas mudanças sejam feitas por medidas provisórias.

*Com informações da Agência Câmara

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. marco aurélio

    25 de junho de 2019 7:51 pm

    com a nova previdência . As pessoas deixam de sonhar. [ agradeça a temer pela reforma trabalhista ] é [ agradeça o bolsonaro pela nova previdência ] . ficaram eternamente na história do brasil .

  2. Elias

    26 de junho de 2019 6:39 am

    Agora nossa esperança está nos deputados, que Deus os ilumine para nos salvar dessa reforma que é uma verdadeira atrocidade aos trabalhadores !

Recomendados para você

Recomendados