Novo presidente da Câmara muda regras de eleição, e Bolsonaro comemora

"Os parlamentares, no meu entender, escolheram bons candidatos. Apenas fiquei na torcida", comemorou Bolsonaro

Botter Maio é instrumentista e compositor de responsa. E sua decisão de entregar cada faixa a um “canário” (mulher ou homem), graças aos dotes vocais de cada um, revelou-se um grande acerto – o CD é lindo!

Jornal GGN – Conforme já previsto, as eleições na Câmara e no Senado, nesta segunda-feira (02), trouxeram vitória ao presidente Jair Bolsonaro, em momento de grave crise de governabilidade e uma das poucas conquistas na metade de sua gestão.

Mas sem alardearam a vitória, com ainda troca de cargos e outras negociações sendo cobradas, o mandatário se restringiu a afirmar que os parlamentares “escolheram bons candidatos” nas eleições do Congresso Nacional e que ficou “na torcida” por Arthur Lira (PP-AL) na Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado.

“Os parlamentares, no meu entender, escolheram bons candidatos. (…) Apenas fiquei na torcida”, disse.

O comentário ocorre, ainda, em meio a acusações de interferência direta do mandatário na disputa. A oposição sustenta que as promessas garantiram uma pendência do presidente da República junto a deputados e partidos do chamado “Centrão”, na compra de votos – ato que até a sua campanha eleitoral em 2018 foi motivo de suas próprias críticas e hoje a saída encontrada pelo mandatário para confirmar o resultado de ontem.

E além disso, a oposição criticou o primeiro ato de Lira como presidente da Câmara, de anular a votação para os demais cargos da Mesa Diretora e cancelar a formação do bloco de oposição, que apoio o seu adversário Baleia Rossi (MDB-SP).

Ao todo, 10 partidos apoiaram oficialmente Rossi – PT, MDB, PSDB, PSB, PDT, Solidariedade, PCdoB, Cidadania, PV e Rede. O bloco formado também havia registrado candidaturas para os demais cargos da Mesa Diretora. Uma vez que grandes partidos formam o bloco de oposição, contariam com maiores chances de cadeiras nessa formação.

Além do presidente da Câmara, a Mesa Diretora é formada por 2 vice-presidentes, 4 secretários titulares e 4 suplentes.

Mas, em ato determinado por Lira, o novo presidente da Câmara, as candidaturas foram desfeitas e a eleição para estes integrantes será feita hoje (02), com uma nova divisão, a partir de candidaturas registradas até às 13h. E a eleição foi marcada para às 16h.

Em nota, o bloco que apoiou Rossi repudiou o ato “autoritário, antirregimental e ilegal praticado pelo deputado Arthur Lira”. “Não se pode aceitar só a parte que interessa”, afirmaram.

“Ao assim agir, afrontando as regras mais básicas de uma eleição – não mudar suas regras após a sua realização -, o referido deputado coloca em sério risco a governabilidade da Casa. A insistir nesse caminho, perderá qualquer condição de presidi-la, já que seu primeiro ato desacredita o que acabara de dizer: que decidiria com imparcialidade”, escreveram.

“Foi a desmoralização mais rápida de um discurso que já se viu. A única voz que o mesmo aceita que se ouça na Mesa Diretora da Câmara é a voz daqueles que com ele concordam. Os que ousam defender uma Câmara altiva ele quer calar, já em seu primeiro movimento, tentando esmagar a representatividade de nossos partidos e de nosso bloco”, completaram.

As lideranças dos partidos – PT, MDB, PSB, PSDB, PDT, PCdoB, CIDADANIA, PV, REDE – afirmaram, ainda, que irão ingressar com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Com as acusações, Lira, que foi eleito por 302 votos, vencendo Baleia Rossi (MDB-SP) com 145 votos, inicia sua gestão em meio a uma crise política. E Bolsonaro comemorou.

 

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