26 de junho de 2026

Para se reeleger, Lira faz chapa de extrema-direita a esquerda

Em jantar nesta quinta, Lira recebeu de Eduardo Bolsonaro a Guilherme Boulos, Rosângela Moro a Flávio Dino
Fabio Pozzebom - Agência Brasil

A eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados acontece na próxima quarta-feira (01). O mais cotado para o cargo, o atual presidente Arthur Lira (PP-AL) acertou os últimos gestos para o apoio massivo na Casa, com direito a distribuição de R$ 70 milhões a deputados em menos de um mês, assinou ato para redistribuir cargos e deu um jantar, na noite desta quinta (26), para parlamentares de todas as frentes.

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Lira não quer só a reeleição na Presidência da Câmara, como um vitória expressiva, ampla. Para isso, avançou na formação de uma chapa que inclui representantes da esquerda até a extrema-direita de Jair Bolsonaro, o centrão e o PL.

Para o apoio, em menos de um mês, Lira reajustou o salário dos parlamentares, aumentando mais de R$ 7 mil a partir de abril, com remunerações que superarão R$ 41 mil.

Além disso, liberou um auxílio de R$ 9 mil para os deputados gastarem em combustível, R$ 4 mil para outras despesas e duplicou o auxílio moradia, de R$ 4 mil para R$ 8 mil aos 513 deputados. O cálculo, divulgado por reportagem do Estadão, somaria R$ 70 milhões para os cofres públicos.

Adicional aos recursos, no início da semana, Lira também assinou um ato que prevê a redistribuição de cargos de livre nomeação, fazendo com que partidos que não conseguiram atingir a cláusula de barreira do TSE, como o Novo, PSC, Pros e Solidariedade, possam também nomear assessores de gabinetes e funcionários na Câmara.

No dia 1º de fevereiro, também serão escolhidos os cargos da mesa diretora da Câmara. As negociações para a vitória de Lira incluíram os nomes de Marcos Pereira (Republicanos) para a 1ª vice-Presidência e Sóstenes Cavalcante (PL) para a 2ª vice-Presidência, Luciano Bivar (União Brasil) para a 1ª Secretaria e Maria do Rosário (PT) na 2ª Secretaria.

Na agenda de reeleição, Lira realizou diversas reuniões, almoços, jantares e encontros com diversos políticos, nas últimas semanas, disseminando o slogan “Compromisso com o Brasil” entre as lideranças e políticos. E para selar a quase garantida vitória, o deputado recebeu em sua casa, na noite de ontem, nomes da extrema-direita à esquerda.

O jantar incluiu o filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o ex-ministro do Meio Ambiente do ex-mandatário, Ricardo Salles, e também representantes do PSOL, os deputados Guilherme Boulos e Érika Hilton, e do PT, Maria do Rosário.

No encontro, Boulos defendeu que seu candidato é o único competidor de Lira, Chico Alencar (PSOL-RJ), mas decidiu ir para “reforçar a convivência democrática”, segundo relatou coluna de Julia Duailibi, do G1.

Segundo a coluna, também estiveram presentes a esposa do ex-juiz Sergio Moro, Rosângela Moro (União Brasil), e deputados do PT, Zeca Dirceu, Vicentinho, Alencar Santana, Arlindo Chinaglia, etc. Fora os deputados, foram à casa de Lira o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Bolsonaro, e o ministro da Justiça de Lula, Flávio Dino.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Vladimir

    28 de janeiro de 2023 8:46 am

    Mais importante do que discutir a composição da chapa e as benesses ofertadas seria discutir quais os compromissos da Câmara Federal em ajudar a implantação do programa de governo escolhido nas urnas quando elegeu o presidente Lula.

  2. +almeida

    28 de janeiro de 2023 2:13 pm

    Pelo que entendi a compra de votos, via distribuição de verbas + aumento de salários + quem sabe?, outras tantas indecência, que sempre foram denunciadas e está muito perto de se consolidar como práticas muito comuns aos supostos políticos conservadores da direita golpista e inimiga da população, continua de vento em popa. Livre leve e solta, à vista de todas as autoridades republicanas que, parece, não possuem o poder de autoridade, para impedir mais essa vergonhosa e vexaminoso humilhação da política, das autoridades e da nação Bradileira.

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