Covid-19 – As taxas de crescimento seguem a declinar e estão agora em 0,1023% (casos) e 0,1062% (mortes), por Felipe Costa

Levando em conta as estatísticas obtidas no fim da noite de ontem (5/9), eis um balanço da situação mundial.

Covid-19 – As taxas de crescimento seguem a declinar e estão agora em 0,1023% (casos) e 0,1062% (mortes).

Por Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes). Ambas continuam a declinar. Entre 30/8 e 5/9, essas taxas ficaram em 0,1023% (casos) e 0,1062% (mortes). Estes são os valores mais baixos desde o início da pandemia. Mas a tendência declinante não é definitiva nem irreversível. Entre as medidas que podem reverter tal tendência, eu citaria três: (i) suspender ou afrouxar (ainda mais) as barreiras sanitárias impostas em aeroportos; (ii) suspender ou afrouxar (ainda mais) as medidas sanitárias internas (e.g., permitir grandes aglomerações e tornar facultativo o uso de máscara); e (iii) atrasar (ainda mais) a campanha de vacinação. De resto, preocupa saber que o governo de Minas Gerais anunciou que não pretende mais divulgar as estatísticas do estado em fins de semana – preguiça, incompetência ou má-fé?

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1. UM BALANÇO DA SITUAÇÃO MUNDIAL.

Levando em conta as estatísticas obtidas no fim da noite de ontem (5/9) [1], eis um balanço da situação mundial.

(A) Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 77% dos casos (de um total de 220.615.383) e 80% das mortes (de um total de 4.566.450) [3].

(B) Entre esses 20 países, a taxa de letalidade segue em 2,2%. A taxa brasileira segue em 2,8%. (Eis as taxas de outros três países da América do Sul que também estão no topo da lista: Argentina, 2,2%; Colômbia, 2,5%; e Peru, 9,2%.)

(C) Nesses 20 países, receberam alta 152 milhões de indivíduos, o que corresponde a 89% dos casos. Em escala global, 198 milhões de indivíduos já receberam alta [4].

2. O RITMO ATUAL DA PANDEMIA NO PAÍS.

Ontem (5/9), de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados em todo o país mais 12.915 casos e 266 mortes [5]. Teríamos chegado assim a um total de 20.890.779 casos e 583.628 mortes.

Na comparação com as estatísticas da semana anterior (23-29/8), os números de casos e mortes declinaram.

Foram registrados 148.964 novos casos – uma queda de 13% em relação à semana anterior (170.924). Em números absolutos, é o menor valor desde 12-18/10.

Desgraçadamente, porém, foram ainda registradas 4.320 mortes – queda de 9,6% em relação à semana anterior (4.781). Foi a semana com menos mortes desde 30/11-6/12.

3. TAXAS DE CRESCIMENTO.

Os percentuais e os números absolutos referidos acima pouco ou nada informam sobre o ritmo e o rumo da pandemia [6]. Para tanto, sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes.

Vejamos os resultados mais recentes.

Em comparação com os valores da semana anterior (23-29/8), as médias da semana passada (30/8-5/9) declinaram (ver a figura que acompanha este artigo).

A taxa de crescimento no número de casos caiu de 0,1183% (23-29/8) para 0,1023% (30/8-5/9) [7].

A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, caiu de 0,1185% (23-29/8) para 0,1062% (30/8-5/9).

Os valores da semana passada são os mais baixos desde o início da pandemia [7, 8].

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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 11/7 e 5/9/2021. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso. As retas expressam a trajetória média de cada uma das taxas, além de projetar o comportamento esperado delas até o fim de setembro.

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5. CODA.

A tendência de declínio observada nas duas taxas (ver a figura que acompanha este artigo) é uma notícia auspiciosa. Mas é importante ressaltar que essa tendência não é definitiva nem irreversível.

Entre as medidas capazes de reverter tal declínio – e cuja adoção ainda é defendida pelo Palácio do Planalto –, eu citaria três: (i) suspender ou afrouxar (ainda mais) as barreiras sanitárias impostas em aeroportos; (ii) suspender ou afrouxar (ainda mais) as medidas sanitárias internas, como permitir aglomerações (e.g., a voltas às aulas ou a volta das torcidas aos estádios) e tornar facultativo o uso de máscara; e (iii) atrasar (ainda mais) a campanha de vacinação [9].

Não custa repetir: Quanto mais gente estiver a circular ou quanto mais lenta for a vacinação, maior será o número de mortes. E maiores serão as chances de que surjam e prosperem variantes ainda mais infecciosas ou letais.

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NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em seis grupos: (a) Entre 38 e 40 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 32 e 34 milhões – Índia; (c) Entre 20 e 22 milhões – Brasil; (d) Entre 6 e 8 milhões – Reino Unido, França, Rússia e Turquia; (e) Entre 4 e 6 milhões – Argentina, Irã, Colômbia, Espanha, Itália, Indonésia e Alemanha; e (f) Entre 2 e 4 milhões – México, Polônia, África do Sul, Ucrânia, Peru e Filipinas.

Olhando para as estatísticas (casos e mortes) mais recentes, certas coisas soam diferentes, mas outras seguem mais ou menos inalteradas. Por exemplo, (i) em números absolutos, os EUA seguem sendo o país com o maior número de novos casos (4,17 milhões nas últimas quatro semanas); (ii) a lista dos cinco primeiros tem ainda os seguintes países: Índia (1,05 milhão de casos), Irã (984 mil), Reino Unido (903 mil) e Brasil (726 mil); (iii) a lista dos países com mais mortes nas últimas quatro semanas passou a ser encabeçada pelos EUA (31,3 mil); em seguida aparecem Indonésia (29,9 mil), Rússia (21,8 mil), Brasil (20,6 mil) e México (18,6 mil); e (iv) alguns países do sudeste asiático (e.g., Malásia) estão a enfrentar escaladas acentuadas nas estatísticas.

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

[4] Como comentei em ocasiões anteriores, fui levado a promover a seguinte mudança metodológica: as estatísticas de casos e mortes continuam a seguir o painel Mapping 2019-nCov, enquanto as de altas estão agora a seguir o painel Worldometer: Coronavirus.

[5] Estes números são subestimativas, visto que três estados não divulgaram ontem as suas estatísticas. No mais preocupante dos casos, o governo de Minas Gerais – com orgulho, ao que parece – anunciou que não irá mais divulgar as estatísticas do estado em fins de semanas (ver aqui). Preguiça, incompetência ou má-fé?

[6] Ouso dizer que a pandemia chegará ao fim sem que uma boa parte da imprensa brasileira se dê conta de que está a monitorar a pandemia de um jeito, digamos, desfocado – além de burocrático e bastante superficial. Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento – seja do número de casos, seja do número de mortes. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, em escala mundial e nacional, ver a referência citada na nota 3.

[7] Entre 19/10 e 29/8, as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,43% (19-25/10), 0,4% (26/10-1/11), 0,3% (2-8/11), 0,49% (9-15/11), 0,5% (16-22/11), 0,56% (23-29/11), 0,64% (30-6/12), 0,63% (7-13/12), 0,68% (14-20/12), 0,48% (21-27/12), 0,47% (28/12-3/1), 0,67% (4-10/1), 0,66% (11-17/1), 0,59% (18-24/1), 0,57% (25-31/1), 0,49%(1-7/2), 0,46% (8-14/2), 0,48% (15-21/2), 0,53% (22-28/2), 0,62% (1-7/3), 0,59% (8-14/3), 0,63% (15-21/3), 0,63% (22-28/3), 0,5% (29/3-4/4), 0,54% (5-11/4), 0,48% (12-18/4), 0,4026% (19-25/4), 0,4075% (26/4-2/5), 0,4111% (3-9/5), 0,4114% (10-16/5), 0,4115% (17-23/5), 0,38% (24-30/5), 0,37% (31/5-6/6), 0,39% (7-13/6), 0,4174% (14-20/6), 0,39% (21-27/6), 0,27% (28/6-4/7), 0,2419% (5-11/7), 0,21% (12-18/7), 0,23% (19-25/7), 0,1802% (26/7-1/8), 0,1621% (2-8/8), 0,14% (9-15/8), 0,1444% (16-22/8), 0,1183% (23-29/8) e 0,1023% (30/8-5/9); e (2) mortes: 0,3% (19-25/10), 0,26% (26/10-1/11), 0,21% (2-8/11), 0,3% (9-15/11), 0,29% (16-22/11), 0,3% (23-29/11), 0,34% (30-6/12), 0,36% (7-13/12), 0,42% (14-20/12), 0,33% (21-27/12), 0,36% (28/12-3/1), 0,51% (4-10/1), 0,47% (11-17/1), 0,48% (18-24/1), 0,48% (25-31/1), 0,44%(1-7/2), 0,47% (8-14/2), 0,43% (15-21/2), 0,48% (22-28/2), 0,58% (1-7/3), 0,68% (8-14/3), 0,79% (15-21/3), 0,86% (22-28/3), 0,86% (29/3-4/4), 0,91% (5-11/4), 0,80% (12-18/4), 0,66% (19-25/4), 0,60% (26/4-2/5), 0,51% (3-9/5), 0,45% (10-16/5), 0,43% (17-23/5), 0,40% (24-30/5), 0,35% (31/5-6/6), 0,4171% (7-13/6), 0,4175% (14-20/6), 0,33% (21-27/6), 0,30% (28/6-4/7), 0,23% (5-11/7), 0,23% (12-18/7), 0,20% (19-25/7), 0,1785% (26/7-1/8), 0,1613% (2-8/8), 0,1492% (9-15/8), 0,1367% (16-22/8), 0,1185% (23-29/8) e 0,1062% (30/8-5/9).

Não custa lembrar: Os valores citados acima são as médias semanais de uma taxa que, por razões metodológicas, está a oscilar ao longo da semana. Para fins de monitoramento, é importante ficar de olho nas taxas de crescimento (casos e mortes), não em valores absolutos. Considere uma taxa de crescimento de 0,5%. Se o total de casos no dia 1 está em 100.000, no dia 2 estará em 100.500 (= 100.000 x 1,005) e no dia 8 (sete dias depois), em 103.553 (= 100.000 x 1,0057; um acréscimo de 3.553 casos em relação ao dia 1); se o total no dia 1 está em 4.000.000, no dia 2 estará em 4.020.000 e no dia 8, em 4.142.118 (acréscimo de 142.118); se o no dia 1 o total está em 10.000.000, no dia 2 estará em 10.050.000 e no dia 8, em 10.355.294 (acréscimo de 355.294). Como se vê, embora os valores absolutos dos acréscimos referidos acima sejam muito desiguais (3.553, 142.118 e 355.294), todos equivalem ao mesmo percentual de aumento (~3,55%) em relação aos respectivos valores iniciais.

[8] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver referência citada na nota 3.

[9] Quase 65% da população brasileira já foram vacinados com ao menos uma dose – ver ‘Coronavirus (COVID-19) Vaccinations’ (Our World in Data, Oxford, Inglaterra).

Como escrevi em ocasiões anteriores, uma saída rápida para a crise (minimizando o número de novos casos e, sobretudo, o de mortes) dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação.

Como também escrevi anteriormente, os efeitos da vacinação só seriam percebidos – na melhor das hipóteses – quando mais da metade dos brasileiros tivesse sido vacinada. (O que só será possível agora no segundo semestre.) De resto, devemos continuar tomando cuidado com as armadilhas mentais que cercam a campanha de vacinação. Três das quais seriam as seguintes: (1) a imunização individual não é instantânea nem nos livra de continuar adotando as medidas de proteção social (e.g., distanciamento espacial e uso de máscara); (2) a imunização coletiva só será alcançada depois que a maioria (> 75%) da população tiver sido vacinada; e (3) a população brasileira é grande, de sorte que a campanha irá demorar vários meses (mais de um ano, talvez).

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