Covid-19 – Ligando os pontos: Por que ninguém deve sair de casa sem máscara, por Felipe Costa

A taxa de crescimento no número de casos saltou de 0,1679% (20-26/6) para 0,1824% (27/6-3/7)

Covid-19 – Ligando os pontos: Por que ninguém deve sair de casa sem máscara.

Por Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento. Entre 27/6 e 3/7, essas taxas ficaram em 0,1824% (casos) e 0,0321% (mortes). Ambas subiram em relação aos valores da semana anterior. É uma situação duplamente preocupante. Já passou da hora de o uso de máscara voltar a ser obrigatório. Em todo o país.

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1. ESTATÍSTICAS MUNDIAIS: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.

Levando em conta as estatísticas obtidas na noite de ontem (3/7) [1], eis um resumo da situação mundial.

(A) – Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 73% dos casos (de um total de 549.100.930) e 66% das mortes (de um total de 6.338.953) [3].

(B) – Nesses 20 países, 377 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 94% dos casos. Em escala global, 529 milhões de indivíduos já receberam alta.

(C) Olhando apenas para as estatísticas das últimas quatro semanas, eis um resumo da situação atual: (i) em números absolutos, a lista está a ser liderada pelos Estados Unidos, com 3 milhões de novos casos; (ii) entre os cinco primeiros dessa lista, estão ainda os seguintes países: Alemanha (1,9 milhão), França (1,6), Taiwan (1,5 milhão) e Brasil (1,33); e (iii) a lista dos países com mais mortes também está a ser liderada pelos EUA (9,11 mil); em seguida aparecem Brasil (4,89 mil), Taiwan (4,2), Alemanha (1,9) e Rússia (1,7).

2. ESTATÍSTICAS BRASILEIRAS: SEMANA 27/6-3/7/22.

Ontem (3/7), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 18.575 casos e 53 mortes [4]. Teríamos chegado assim a um total de 32.490.422 casos e 671.911 mortes.

Na semana encerrada no domingo (27/6-3/7), foram registrados 411.784 novos casos e 1.506 mortes. (Na semana anterior, 20-26/6, foram 374.445 casos e 1.340 mortes.)

3. O RITMO DA PANDEMIA EM TERRAS BRASILEIRAS.

Para monitorar de perto o ritmo e o rumo da pandemia, sigo a usar como guias as taxas de crescimento no número de casos e de mortes. Ambas subiram. E muito.

Vejamos os resultados mais recentes.

A taxa de crescimento no número de casos saltou de 0,1679% (20-26/6) para 0,1824% (27/6-3/7) (ver a figura que acompanha este artigo) [5].

A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, saltou de 0,0286% (20-26/6) para 0,0321% (27/6-3/7).

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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 12/9/2021 e 3/7/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso.

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4. CODA.

As taxas de casos e mortes seguem a escalar. Para o leitor que ainda não percebeu a magnitude do problema, eis uma tradução: Não só o número de casos e de mortes vem crescendo, semana após semana, mas o próprio ritmo desse crescimento está a aumentar.

É uma situação duplamente preocupante. Razão pela qual eu diria que já passou da hora de o uso de máscara voltar a ser obrigatório. Em todo o país.

Enquanto isso, eu deixo aqui uma sugestão de medida protetiva das mais efetivas: Não saia de casa sem máscara. (Lembrando que a vacina combate a doença, mas não impede o contágio. O que pode impedir o contágio, notadamente no interior de recintos fechados, é o uso correto de máscara facial.)

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NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Como comentei em ocasiões anteriores, as estatísticas de casos e de mortes estão a seguir o painel Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA), enquanto as de altas estão a seguir o painel Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em 10 grupos: (a) Entre 85 e 90 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 40 e 45 milhões – Índia; (c) Entre 30 e 35 milhões – Brasil e França; (d) Entre 25 e 30 milhões – Alemanha; (e) Entre 20 e 25 milhões – Reino Unido; (f) Entre 15 e 20 milhões – Itália, Coreia do Sul, Rússia e Turquia; (g) Entre 12 e 15 milhões – Espanha; (h) Entre 10 e 12 milhões – Vietnã; (i) Entre 8 e 10 milhões – Argentina, Japão, Países Baixos e Austrália; e (j) Entre 6 e 8 milhões – Irã, Colômbia, Indonésia e México.

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver os volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver qualquer um dos três primeiros volumes.

[4] Sete unidades federativas não divulgaram suas estatísticas ontem (3), a exemplo do que fizeram no domingo anterior. São elas: DF, MA, MG, MT, RJ, RR e TO.

[5] Para conferir os valores numéricos, ver aqui (entre 27/12/2021 e 26/6/2022) e aqui (semanas anteriores).

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2 Comentários

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foo

- 2022-07-04 21:26:24

Um ponto importante que você falha ao não trazer para o debate: qual é a taxa de ocupação hospitalar? Lembre-se que esta era a razão fundamental para "achatar a curva" de infecções. Como você pode propor leis de combate a uma doença sem levar em conta esta variável fundamental?

foo

- 2022-07-04 21:23:25

Eu moro na Holanda, onde já andamos sem máscara faz tempo. Sim, as pessoas pegam COVID. Sim, algumas pessoas morrem. Mas este número é pequeno, pois a maior parte da população está vacinada. Os hospitais estão vazios. Quem quiser usar mascara pode faze-lo, mas não há motivo para torna-las obrigatórias.

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