Covid-19 – Balanço semanal: As estatísticas mundiais e a dinâmica da pandemia em terras brasileiras, por Felipe Costa

Em números absolutos, os 20 países mais afetados concentram 73% dos casos (de 543.733.163) e 66% das mortes (de um total de 6.329.375)

Covid-19 – Balanço semanal: As estatísticas mundiais e a dinâmica da pandemia em terras brasileiras.

Por Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento. Entre 20 e 26/6, os valores ficaram em 0,1679% (casos) e 0,0286% (mortes). Ambas subiram em relação aos valores da semana anterior. No ritmo atual, o país irá contabilizar mais 2 milhões de casos e 7 mil mortes até 31/7.

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1. UM BALANÇO DA SITUAÇÃO MUNDIAL.

Levando em conta as estatísticas obtidas no fim da manhã desta segunda-feira (27/6) [1], eis um balanço da situação mundial.

(A) – Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 73% dos casos (de um total de 543.733.163) e 66% das mortes (de um total de 6.329.375) [3].

(B) – Nesses 20 países, 375 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 94% dos casos. Em escala global, 524 milhões de indivíduos já receberam alta [4].

(C) Olhando apenas para as estatísticas das últimas quatro semanas, eis um resumo da situação atual: (i) em números absolutos, a lista está a ser liderada pelos Estados Unidos, com 2,96 milhões de novos casos; (ii) a lista dos cinco primeiros tem ainda os seguintes países: Taiwan (1,72 milhão), Alemanha (1,53), Brasil (1,07) e França (1,04); e (iii) a lista dos países com mais mortes também está a ser liderada pelos EUA (9,21 mil); em seguida aparecem Taiwan (4,2 mil), Brasil (3,78), Rússia (1,88) e Alemanha (1,87).

2. O RITMO DA PANDEMIA NO PAÍS.

No domingo (26/6), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 16.679 casos e 36 mortes (subestimativas; ver Coda). Teríamos chegado assim a um total de 32.078.638 casos e 670.405 mortes.

Na semana encerrada no domingo (20-26/6), foram registrados 374.445 novos casos e 1.340 mortes. (Na semana anterior, 13-19/6, foram 247.328 novos casos e 955 mortes.)

3. TAXAS DE CRESCIMENTO.

Para monitorar de perto o ritmo e o rumo da pandemia [5], sigo a usar como guias as taxas de crescimento no número de casos e de mortes. Ambos subiram. E muito.

Vejamos os resultados mais recentes.

A taxa de crescimento no número de casos subiu de 0,1119% (13-19/6) para 0,1679% (20-26/6) (ver a figura que acompanha este artigo) [6, 7].

A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, subiu de 0,0204% (13-19/6) para 0,0286% (20-26/6).

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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 12/9/2021 e 26/6/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso.

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4. CODA.

Como antecipei em artigo publicado no sábado (25), neste GGN (ver aqui), as taxas de crescimento (casos e mortes) tornaram escalar. É duplamente preocupante.

Primeiro, por conta da própria escalada. Segundo, porque a situação atual é frágil e incerta. Estou a me referir aqui à degradação observada na coleta e na divulgação das estatísticas – no domingo, por exemplo, sete estados (DF, MA, MG, MT, RJ, RR e TO) não divulgaram os seus números.

No ritmo atual, o país irá contabilizar mais 1.939.615 de casos e 6.740 mortes até 31/7 [8]. Até o último domingo de julho, portanto, chegaremos a um total de 34.018.253 casos e 677.145 mortes.

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NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em 10 grupos: (a) Entre 85 e 90 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 40 e 45 milhões – Índia; (c) Entre 30 e 35 milhões – Brasil e França; (d) Entre 25 e 30 milhões – Alemanha; (e) Entre 20 e 25 milhões – Reino Unido; (f) Entre 15 e 20 milhões – Coreia do Sul, Itália, Rússia e Turquia (dados não atualizados); (g) Entre 12 e 15 milhões – Espanha; (h) Entre 10 e 12 milhões – Vietnã; (i) Entre 8 e 10 milhões – Argentina, Japão e Países Baixos e Austrália; e (j) Entre 6 e 8 milhões – Irã, Colômbia, Indonésia e Polônia.

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver os volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

[4] Como comentei em ocasiões anteriores, fui levado a promover a seguinte mudança metodológica: as estatísticas de casos e mortes continuam a seguir o painel Mapping 2019-nCov, enquanto as de altas estão agora a seguir o painel Worldometer: Coronavirus.

[5] Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea mencionada na nota 3.

[6] Entre 27/12/2021 e 26/6/2022 (para as semanas anteriores, ver aqui), as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,0345% (27/12-2/1), 0,1472% (3-9/1), 0,2997% (10-16/1), 0,6359% (17-23/1), 0,7576% (24-30/1), 0,6544% (31/1-6/2), 0,5022% (7-13/2), 0,3744% (14-20/2), 0,2812% (21-27/2), 0,1389% (28/2-6/3), 0,1565% (7-13/3), 0,1268% (14-20/3), 0,1019% (21-27/3), 0,0750% (28/3-3/4), 0,0727% (4-10/4), 0,0474% (11-17/4), 0,0457% (18-24/4), 0,0494% (25/4-1/5), 0,0515% (2-8/5), 0,0578% (9-15/5), 0,0478% (16-22/5), 0,0752% (23-29/5), 0,0947% (30/5-5/6), 0,1359% (6-12/6), 0,1119% (13-19/6) e 0,1679% (20-26/6); e (2) mortes: 0,0151% (27/12-2/1), 0,0196% (3-9/1), 0,0245% (10-16/1), 0,0471% (17-23/1), 0,0859% (24-30/1), 0,1212% (31/1-6/2), 0,1388% (7-13/2), 0,1320% (14-20/2), 0,1071% (21-27/2), 0,0661% (28/2-6/3), 0,0642% (7-13/3), 0,0463% (14-20/3), 0,0363% (21-27/3), 0,0275% (28/3-3/4), 0,0240% (4-10/4), 0,0152% (11-17/4), 0,0148% (18-24/4), 0,0187% (25/4-1/5), 0,0135% (2-8/5), 0,0167% (9-15/5), 0,0152% (16-22/5), 0,0177% (23-29/5), 0,0118% (30/5-5/6), 0,0236% (6-12/6), 0,0204% (13-19/6) e 0,0286% (20-26/6).

[7] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver qualquer um dos três primeiros volumes da referência citada na nota 3.

[8] Lembrando que a vacina combate a doença, mas não impede o contágio e a infecção. O uso de máscara não combate a doença, mas impede (de modo bastante significativo) o contágio. Por fim, cabe ainda dizer que a ampliação da cobertura vacinal está praticamente estagnada. Levamos 34 dias (24/8-27/9), por exemplo, para ir de 60% a 70% da população com ao menos uma dose da vacina. (Hoje, 27/6, este percentual chegou a 86,25%.) Antes disso, porém, levamos 25 dias (9/7-3/8) para ir de 40% a 50% e apenas 21 dias (3-24/8) para ir de 50% a 60%. Sobre os percentuais, ver ‘Coronavirus (COVID-19) Vaccinations’ (Our World in Data, Oxford, Inglaterra).

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