Cerca de 375 mil vidas teriam sido poupadas com medidas adequadas, diz Natália Pasternak

Enquanto Heinze celebrou total de pessoas curadas, microbiologista ressaltou quantas dessas pessoas passaram por “sofrimentos evitáveis”

Microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – No momento em que o Brasil chegar à marca de 500 mil mortes pela covid-19, cerca de 375 mil vidas poderiam ter sido salvas com a adoção de medidas adequadas de contenção do vírus, disse a microbiologista Natália Pasternak na sessão desta sexta-feira (11/06) da CPI da Pandemia, no Senado Federal.

“Três de cada quatro mortes teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média mundial no controle da pandemia”, disse Natália. “Ou seja, quando atingirmos 500 mil mortes quer dizer que 375 mil mortes poderiam ter sido evitadas com melhor controle da pandemia. Esses dados são do professor Pedro Hallal e ele pediu para compartilhar”, ressaltou, fazendo referência ao epidemiologista, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do Epicovid-19.

Já o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) disse que “nunca se liberou tanto dinheiro para a saúde” como o governo Bolsonaro liberou em 2020 e continua em 2021. “No ano passado foram 175 bi para os estados no ano passado e, mesmo assim, se vê a farra com o dinheiro”, disse o senador, afirmando que os respiradores adquiridos pelo Consórcio Nordeste “foram comprados da indústria da maconha”.

Heinze também defendeu o tratamento precoce, citando inclusive o número de brasileiros recuperados da covid-19 e que esses pacientes foram tratados com tais medicamentos – que não possuem eficácia científica comprovada. “Essas 15.670.754 têm cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, annita, ivermectina, que começaram com elas, e vitaminas. Hoje tem 16 ou 17 drogas reposicionadas que foram responsáveis por essas 15 milhões de vidas salvas”.

“Em relação às vidas que foram salvas, senador, os 15 milhões que o senhor tem aí na sua plaquinha, eu também concordo com o senhor que temos que cumprimentar os médicos brasileiros que lutaram na linha de frente e que são responsáveis por salvar vidas, com certeza nós temos aqui que deixar a nossa admiração e os nossos cumprimentos por esses médicos”, disse Natália.

“Mas eu devo salientar também, senador, que desses 15 milhões, quantas pessoas passaram por sofrimentos evitáveis? Quantas pessoas, desses 15 milhões, ficaram com sequelas que a gente não sabe nem por quanto tempo vão ficar? Então, dizer que nós temos que comemorar 15 milhões de curados é lembrar também que são 15 milhões de pessoas que foram acometidas por uma doença que traz dor, que traz sofrimento, e que traz sequelas”.

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