Dominguetti expõe na CPI áudio bomba contra Miranda; senadores suspeitam que testemunha foi “plantada”

Miranda nega que tenha negociado vacinas em nome do governo federal e diz que áudio foi editado para prejudicá-lo

Por Cintia Alves e Tatiane Correia

Jornal GGN – O representante da Davati no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti, expôs na CPI da Covid, na manhã desta quinta (1/7), um áudio bomba que tentava “sugestionar”, nas palavras dele, que o deputado federal Luis Miranda (DEM) também entrou no negócio das vacinas contra o novo coronavírus. Miranda é um dos principais delatores do suposto esquema de corrupção na compra de vacinas pelo governo Bolsonaro, envolvendo o deputado federal e líder do governo Ricardo Barros. O parlamentar nega que a gravação envolva compra de vacinas em nome do governo federal e diz que o material foi editado para prejudicá-lo.

O áudio exposto na CPI é de meados de 2020, e indica que Miranda queria fechar negócios com a Davati, desde que a companhia provasse que já tinha o “produto no chão”, ou seja, com a garantia de entrega. Miranda diz na gravação que já teve muito desgaste por conta de outro “cliente” seu que não conseguiu fazer “prova de vida” do produto. Não está claro se o produto em negociação eram vacinas. Miranda cita vendas para o Walmart e hospitais nos Estados Unidos, e diz que seu “comprador” teria condições de fechar o contrato na hora.

Dominguetti disse que recebeu o áudio de Cristiano Carvalho, CEO da Davati no Brasil, em 24 de junho. Carvalho teria insinuado que Miranda foi à CPI atacar Jair Bolsonaro mas, por baixo dos panos, também participava de tentativas de comprar vacinas.

O representante da Davati não pôde confirmar que a negociação de Miranda era sobre vacinas. “Só o Cristiano poderá dizer”. Procurado pelo jornal O Globo, Cristiano admitiu que o áudio não dizia respeito à Davati, mas a outra empresa, e que o negócio de Miranda seria nos EUA, sem envolvimento do governo federal.

A CPI determinou a apreensão do celular de Dominguetti após a sessão, para que a polícia do Senado possa fazer uma perícia nas mensagens. Cristiano Carvalho e Miranda serão convocados pela comissão.

O áudio caiu como uma bomba na comissão. Senadores de oposição ao governo Bolsonaro afirmaram que Dominguetti foi “plantado” na CPI para desqualificar as denúncias de Miranda. “Senhor presidente, essa testemunha foi plantada aqui, tem que dar voz de prisão a ela”, disse o senador Fabiano Contarato.

Segundo o presidente da CPI, Omar Aziz, o deputado Miranda explicou que o áudio é de 2020, “sobre uma negociação nos Estados Unidos, nada a ver com o Brasil, à época nem se falava em vacinas, e que foi editado para prejudicá-lo na CPI”. “Ele foi levar o áudio completo à Polícia Federal, fez uma denúncia crime, e vai dispor para a gente o áudio”.

DELATOR DO GOVERNO. Na semana passada, o deputado Miranda e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, revelaram pressão “incomum” de alguns funcionários da Pasta para comprar a vacina indiana Covaxin, intermediada pela Precisa Medicamentos. A Precisa teria ligações com o líder do governo, Ricardo Barros.

Nesta quinta (1/7), Dominguetti confirmou que recebeu pedido de propina de 1 dólar por cada dose da Astrazeneca que a Davati ofereceu foi Ministério da Saúde em fevereiro. O pedido teria vindo de Roberto Dias, então subordinado ao ex-secretário-executivo da Pasta, Elcio Franco. Leia mais aqui.

O QUE DIZ O ÁUDIO DE MIRANDA: “Então irmão, o grande problema é: vou falar direto com o cara, o cara vai pedir toda a documentação do comprador, o comprador meu já está de saco cheio disso. Ele vai pedir a prova de vida antes, e a gente não vai fazer negócio. Então, a gente nem perde tempo, que você sabe que eu tenho um comprador e com potencial de pagamento instantâneo, que ele até compra o tempo todo lá, em quantidades menores obviamente. Se o seu produto estiver no chão, o cara fizer um vídeo, e falar meu nome ‘Luis Miranda, tenho aqui o produto e tal’, o meu comprador entende que é fato, ok? E encaminha toda a documentação necessária, amarra, faz as travas, faz os contratos todos, e bola para frente. Eu não vou mais perder tempo com esse comprador, que desgastou muito meu irmão nos últimos 60 dias. É muita conversa fiada no mercado. e aí eu não me sinto nem confortável ‘olha, encontrei uma carga, vamos dar prosseguimento, vamos mandar toda a documentação de novo, daqui a pouco vamos chegar na FGS e você vai ver que a carga existe e nem vou perder meu tempo. O cara faz uma live comigo, faz um facetime, ele pode fazer meu irmão um Skype, o que ele quiser, ele mostra a carga. Ou se ele quiser gravar um vídeo, ele grava um vídeo. ‘Ei Luis Miranda I’m here in my warehouse, this is my products’, mostra tudo pra mim e tá tudo certo. Bola para frente, eu mando para o cara e o cara na hora fecha negócio. Na hora, o cara tem cliente fixo, entendeu? Ele tem recorrência. Esse é o grande problema desse meu cliente, ele tem recorrência, fechou alguns contratos lá de entrega com o Wal-Mart, com o Wallgreens, com as redes de restaurantes e alguns hospitais, então ele tem recorrência de produto o tempo todo.”

Assista a CPI pela TVGGN:

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