Ministério da Saúde só considera opiniões que coincidam com governo, diz Eliziane

Durante depoimento de Mayra Pinheiro, senadora maranhense aponta contradições em discurso - incluindo posicionamento de sociedades médicas

Senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). Foto: Reprodução/TV Senado

Jornal GGN – A médica Mayra Ribeiro, secretária do Ministério da Saúde, é alvo de sucessivos questionamentos sobre seu posicionamento e trabalho durante o depoimento da CPI da Covid-19, em andamento no Senado Federal.

Quando questionada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania – MA) sobre a fundamentação para o uso do hidroxicloroquina para crianças e até para gestantes, ela afirma que “a despeito de muitos imaginários em que ela foi feita somente pelos técnicos do Ministério, nós convidamos vários profissionais com expertise da área de ginecologia e obstetrícia, da área de pediatria, e chamamos um dos maiores toxicologistas pediátricos do Brasil. Se a senhora quiser, e eu posso lhe entregar, na nota existe a lista de autoridades médicas que foram chamadas para dar o parecer ao Ministério da Saúde na confecção dela, e existe uma lista de referências que também estão descritas lá que foram usadas para essa orientação ser criada”.

Sobre a determinação da Sociedade Brasileira de Pediatria, que não recomendou o uso da cloroquina para crianças e adolescentes, Mayra ressaltou que “as sociedades médicas, elas podem dar opiniões. O Ministério da Saúde não precisa, necessariamente, seguir a opinião de sociedades”, afirmando que a referência para que os médicos exerçam sua autonomia “é dada pelo Conselho Federal de Medicina (entidade que tem sido sucessivamente criticada por ter apoiado o uso de cloroquina e hidroxicloroquina). E nós temos os nossos técnicos, nós temos as pessoas que nós escolhemos para dar o nosso parecer”.

Quando Mayra afirmou que o Ministério da Saúde “considera quando esses pareces são condizentes com a realidade, com a verdade”, e que “as sociedades falham também”, Eliziane enfatiza que o Ministério da Saúde só concorda “com opiniões que favoreçam o entendimento político do Ministério da Saúde”, o que foi refutado pela secretária.

“O que eu disse é que nós temos nosso conjunto de técnicos, que trabalham no Ministério, servidores de carreira e, muitas vezes, nós chamamos técnicos de fora também – o ministro Marcelo Queiroga vem fazendo isso agora, para que as pessoas elaborem os protocolos – mas as sociedades, elas dão opinião. Elas não decidem conduta do Ministério da Saúde, e as sociedades também erram e, para a senhora ter uma ideia, a Sociedade Brasileira de Pediatria, à semelhança de outras sociedades, ela também não representa todos os pediatras do Brasil”.

Eliziane questionou sobre o respaldo dado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, e chegou a apresentar um documento onde a entidade contrapõe o posicionamento de Mayra, que simplesmente respondeu “não me lembro em que contexto isso foi colocado”.

Acompanhe o depoimento de Mayra Pinheiro, também conhecida como “Capitã Cloroquina”, no link abaixo

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