Jornal GGN – O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, só perdeu o cargo por ter atravessado seu superior – o coronel Elcio Franco – nas conversas em torno da compra de vacinas para a covid-19. A afirmação foi feita pelo presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD), nesta quarta-feira (07/07).
“A sua desconfiança é que o (Luiz Paulo) Dominguetti foi plantado para que você perdesse o cargo. Por isso que você foi acompanhado do coronel Blanco e a sua desconfiança é muito grande e não é sobre o deputado Luis Miranda, por isso é que está perguntando o senador Renan. Vossa excelência está aqui sob juramento, mas entenda que temos mais informações que a sua imaginação possa ter e dados concretos”, disse Omar Aziz.
“Essa reunião que o senhor (Dias) teve foi em fevereiro, e lá o senhor já desconfiava do Dominguetti que ele tinha sido plantado ali, até porque quando o senhor diz que faz uma reunião e marca uma reunião no ministério para tratar sobre vacina, anteriormente a essa reunião já tinha uma portaria do ministério da saúde assinada pelo coronel Elcio que centralizava toda e qualquer negociação sobre vacina com ele. Ele não delegou para ninguém fazer isso”, ressalta o senador. “Então vossa senhoria tinha conhecimento disso, e o senhor assim mesmo marca uma reunião com o Dominguetti, tendo conhecimento – a portaria tá aí, é de janeiro. a sua reunião foi em fevereiro”.
Como pontua Aziz, Roberto Dias não tinha autoridade para tratar da compra de qualquer vacina. “E por incrível que pareça, o senhor não tratou da Pfizer, o senhor não tratou da Covaxin, o senhor não tratou da Janssen, mas tratou sobre vacina com o cabo Dominguetti (…) Você não tinha autoridade para discutir vacina. O senhor podia discutir vacina em um bar, em um restaurante, mas não no Ministério da Saúde”.
Roberto Dias disse não saber se a data de sua exoneração foi conexa ou não – a data em que supostamente ele teria pedido a minha exoneração junto com outros dois servidores é de outubro do ano passado, e tentou se defender afirmando que não houve negociação com Dominguetti, e sim uma “verificação das 400 milhões de doses”, no que foi lembrado por Omar Aziz que isso não era mais com ele.
“O senhor veja que o estilo é o mesmo, esses lobistas atravessadores vendilhões de vacina que não existe eram recebidos prioritariamente, enquanto as grandes farmacêuticas, Pfizer, Butantan, OMS que representava a AstraZeneca se eu não me engano, essas que tinham compliance não eram sequer recebidas. Sequer recebidas”, ressaltou o relator, senador Renan Calheiros (MDB).
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