Servidor Miranda revela à CPI cobrança de “propina” envolvendo as vacinas

"Um colega de trabalho, o Rodrigo, servidor, me disse que tinha um rapaz que vendia vacinas e que esse rapaz disse que os seus gestores estavam pedindo propina"

Jornal GGN – O servidor do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM), revelou à CPI da Covid, nesta sexta (25), que soube de um relato de cobrança de propina envolvendo as negociações para aquisição de vacinas contra o novo coronavírus.

Servidor de carreira de 2011, Miranda está na CPI na condição de convidado. Por isso, não tem obrigação de citar nomes, dar detalhes ou responder às perguntas dos senadores. Porém, ele acabou admitindo a divulgação de mensagens de WhatsApp, que ele trocou com o irmão deputado, na qual assinada a informação sobre a “propina”.

A mensagem que o servidor enviou ao deputado em 20 março de 2021 dizia: “Aquele rapaz que me procurou dizendo que tem vacina, disse que não assinaram porque os caras cobraram dele propina para assinar o contrato. Vou perguntar para ele se tem provas.”

“Aquele rapaz” que procurou o servidor Miranda era outro funcionário do Ministério, cujo primeiro nome é Rodrigo. Miranda não disse sobrenome nem em qual setor ele trabalha.

“Um colega de trabalho, o Rodrigo, servidor, me disse que tinha um rapaz que vendia vacinas e que esse rapaz disse que os seus gestores estavam pedindo propina”, resumiu.

Em meio a um tumultuo provocado pela base do governo Bolsonaro no Senado, o presidente da CPI, Omar Aziz, permitiu que Miranda não desse mais detalhes e afirmou que irá convocar o servidor Rodrigo para explicar quem pediu propina para negociar vacinas com o Ministério da Saúde.

Naquele 20 de março, Miranda diz que recebeu uma ligação de um empresário, Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, que negociou com o Ministério da Saúde a compra da vacina Covaxin, da Bharat Biotec.

Miranda disse que jamais havia recebido ligação de empresários antes ou mesmo durante a pandemia. Para ele, houve pressão incomum para acelerar a importação da Covaxin, inclusive “atropelando procedimentos”.

No mesmo dia, à tarde, Jair Bolsonaro recebeu os irmãos Miranda para ouvir os relatos suspeitos em torno da Covaxin. “Eu falei pro meu irmão: ‘hoje a gente descobre se o Bolsonaro é cúmplice ou honesto'”, disse o deputado Miranda à CPI.

Bolsonaro teria prometido mandar a Polícia Federal investigar a contratação da Covaxin, mas não o fez.

O deputado Miranda também diz que procurou, mais de uma vez, em 2020, o então ministro Onyx Lorenzoni e o deputado Eduardo Bolsonaro para denunciar outros esquemas na Saúde, mas nenhum dos dois deu importância.

Acompanhe a CPI da Covid pela TVGGN:

Redação

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