3 de junho de 2026

Bloquear o impeachment, mudar a política econômica, por J. Carlos de Assis

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Aliança pelo Brasil

Bloquear o impeachment, mudar a política econômica, por J. Carlos de Assis

As duas últimas manifestações de rua não tiveram diferenças apenas quantitativas, neste caso com ampla vitória dos legalistas nesta última quinta-feira sobre os golpistas do dia 13. Tiveram significativa diferença qualitativa. Os golpistas falaram em impeachment mas se esqueceram de dizer o que vem depois. Seria Temer, ou Temer também teria de ser impedido? Seria uma nova eleição para, desta vez, eleger Aécio? Mas quem garante que Aécio ganharia? Seria a volta dos militares ao poder com a liquidação da democracia? Alguns o querem.

Os golpistas, com seus slogans, deixaram muito claro que pretendem mergulhar o país num caos ainda maior em que se encontra sem remissão á vista. Já o movimento legalista assumiu uma diretiva absolutamente responsável, em todas as palavras de ordem: defesa do mandato de Dilma, sim, mas em troca o país merece uma mudança da política econômica, rompendo com a depressão e o desemprego acelerados. A Presidenta deve levar isso em conta quando fizer os cálculos políticos para a manutenção de seu mandato. Não pedimos uma mudança já. Pedimos mudança próxima, quando se resolver o embrulho do impeachment.

As forças progressistas brasileiras começam a se preparar para dar respaldo à Presidenta nessa virada que promete ser histórica. Nos próximos dias o senador Requião, junto com outros parlamentares, lançará o movimento Aliança pelo Brasil, que pretende reunir algumas centenas de parlamentares e personalidades da sociedade civil num programa justamente com os dois focos acima assinalados, a saber, bloqueio do impeachment e mudança da política econômica na direção do progresso social, do desenvolvimento econômico e do pleno emprego. Abaixo, a íntegra do manifesto da Aliança. Peço que o divulguem e partilhem, em nome do interesse público.

 

 Manifesto de lançamento da

ALIANÇA PELO BRASIL

A sociedade brasileira foi lançada pelas classes dominantes e pelas atuais elites dirigentes num beco aparentemente sem saída, com graves consequências na economia e nas relações sociais, e tendo como resultante  um virtual derretimento de todas as instituições da República em consequência da tolerância com a corrupção  por anos e décadas. A profunda crise política, econômica, social e moral em que nos encontramos só será superada mediante a participação direta das classes sociais e da cidadania em geral num movimento social e político de recuperação de baixo para cima. Serão estas, e não salvadores da pátria aventureiros, que definirão as bases de um novo projeto nacional que contemple os anseios da nacionalidade.

O povo exige uma República regenerada. Nós nos esforçaremos para criá-la. Para isso nos propomos realizar todos os esforços no sentido de estruturar uma ampla aliança, a Aliança pelo Brasil, reunindo pessoas e grupos inconformados com a atual estrutura partidária e administrativa, assim como com a estrutura política e econômica, a fim de estabelecer diretrizes para uma nova economia e uma nova gestão pública e para uma inserção internacional de real interesse para os brasileiros. Propomos também à sociedade uma agenda concreta para a superação imediata da crise econômica e para sinalizar objetivamente o médio e o longo prazos da economia, da sociedade e da Nação.

A profundidade da crise impõe que as diferentes correntes políticas e ideológicas encontrem um caminho comum em torno de uma plataforma objetiva para a travessia de uma economia em contração para uma economia de desenvolvimento. Sem isso não  haverá estabilidade política. E sem isso todas as conquistas sociais das últimas décadas serão demolidas por ajustes fiscais sucessivos. Uma economia em desenvolvimento, por sua vez, requer articulação e coerência entre os instrumentos básicos da política econômica – fiscal, monetária e cambial – no sentido do objetivo supremo da construção de uma economia de bem-estar social e de pleno emprego.

A iniciativa que propomos através de um grande pacto político deve estar ancorada no sentido de brasilidade que nos move e no absoluto compromisso com o interesse nacional. Estaremos abertos a todos que querem um Brasil melhor e inclusivo. Somos um país no qual segmentos sociais organizados defendem com eficácia seus interesses específicos frequentemente alheios ao interesse geral. Por isso vamos lutar pela direção do Estado em nome também dos despossuídos, como um dever histórico. Teremos uma visão responsável e generosa para as classes oprimidas, continuando esforços que reconhecemos tendo sido feitos nos últimos governos em favor de sua ascensão social. Entretanto, temos igualmente o dever de advertir a sociedade para o risco de perdas sociais em razão de uma economia terrivelmente enfraquecida, e por cima disso agente de grande desigualdade, que nos está sendo legada.

O setor produtivo é a âncora da sociedade e do Estado. Sem um setor produtivo forte não é possível a promoção social permanente e o pleno emprego. As empresas devem gozar de um ambiente de competição justa que lhes permita pagar salários decentes e acumular tecnologia e inovação. A carga tributária deve gravar proporcionalmente mais a renda e a riqueza do que a produção e o trabalho, eliminando-se impostos de bens de consumo básicos e sobre o investimento a fim de favorecer melhor distribuição da renda real. Em termos globais, a sociedade deve estabelecer a carga tributária que corresponda ao Estado que deseja, e o Estado desejado deve ser a expressão da quantidade e da qualidade dos serviços públicos que ela quer.

Repelimos os controles ideológicos da economia estabelecidos externamente, seja por pressão dos países ricos, seja por obra de agências multilaterais que os representam, seja por obra de cumplicidade interna dos que tem ganhos pessoais com isso. A saúde fiscal do Estado é compatível com déficits orçamentários temporários, desde que os recursos oriundos para seu financiamento por colocação de títulos públicos se destinem a investimentos e gastos reais do Estado com o intuito de relançar a economia em contração. A experiência positiva universal, e a experiência negativa atual da Europa mostram que o déficit, em situações de recessão, favorece a retomada do crescimento e do emprego, enquanto a busca desesperada de superávit fiscal acentua a recessão e exige ajustes adicionais.

A Aliança pelo Brasil, com base nos conceitos acima emitidos, está comprometida a apresentar ao Brasil uma grande estratégia para a retomada do desenvolvimento e do pleno emprego. Acreditamos que venhamos a receber a confiança da sociedade para pô-la em ação. Estamos convencidos também de que não há alternativa diante  do absoluto caos econômico, político e social que já começamos a experimentar. É inaceitável que um país com as potencialidades do Brasil, dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, além de outras riquezas materiais e humanas, mergulhe em recessão indefinida, sem sinalização de recuperação. A Nação pede um resgate. Nós nos propomos uma agenda que busque na sociedade os meios de consegui-lo.

De forma objetiva, propomos as seguintes medidas concretas a serem implementadas imediatamente para o resgate da economia e do emprego:

  1. Ação imediata, mediante mobilização de recursos públicos ou de crédito, nos termos de projeto 560/2015, já em tramitação no Senado, para a recuperação da Petrobrás e da cadeia produtiva do petróleo, tendo em vista o peso desse setor na recuperação da economia como um todo;
  2. Mobilização do sistema fiscal para a implementação de uma política anticíclica que assegure a capacidade de investimento e de gastos essenciais do Estado de forma a sustentar progressivamente uma política de pleno emprego;
  3. Proposta ao Congresso Nacional e ao Executivo de uma ação efetiva que, sem prejudicar medidas de combate à corrupção, assegure a preservação das grandes empresas construtoras e o conjunto da Engenharia Nacional;
  4. Recomendação ao Governo para que dê início imediato a uma pauta de negociações com o Banco dos BRICS a fim de assegurar financiamento para um grande programa de infraestrutura que assegure a materialização da retomada da economia a médio prazo e, se necessário, para o financiamento sustentável da Petrobrás.

Convocamos os parlamentares em atuação no Congresso Nacional, e que se sentem indignados com os caminhos trilhados nessa crise pela política brasileira, para constituírem a Aliança pelo Brasil a fim de viabilizarem  as medidas emergenciais que venham a resgatar o País de uma situação econômica e política sem precedentes, já caminhando para uma crise social de proporções catastróficas. Esperamos ter no Parlamento maioria de legalistas contra os golpistas do impeachment os quais venham a público abertamente para sinalizar ao conjunto da sociedade que a política se faz também com ética e honestidade, e com comprometimento com o bem público, sem demagogia. E que esse seja, enfim, um parâmetro também para empresários, trabalhadores, intelectuais, estudantes e tantos que estão comprometidos com a construção de um Brasil que rompa simultaneamente com a corrupção, com a iniquidade social e com a depressão econômica.

 

Em dezembro de 2015.

J. Carlos de Assis, jornalista e economista

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11 Comentários
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  1. Gabriel Moreno

    17 de dezembro de 2015 6:01 pm

    Se a Dilma sinalizar

    Se a Dilma sinalizar claramente com uma mudança na política econômica (e acredito que este documento do senador Requião seja muito positivo nesse sentido), o país explode em manifestações de esquerda e enterra o golpe. Escrevam aí o que eu estou dizendo. 

    1. Rui Daher

      17 de dezembro de 2015 7:32 pm

      Concordo,

      ainda que algumas proposições não sejam viáveis.

  2. altamiro souza

    17 de dezembro de 2015 6:08 pm

    muito bonito o

    muito bonito o programa.

    torcer que seja dentro da legalidade constitucional, ou seja, com o governo atual

  3. Álvaro Noites

    17 de dezembro de 2015 7:36 pm

    A bola está com a Dilma

    A bola está com a Dilma novamente, só depende dela.

    Veremos se chutará para o gol ou irá, mais uma vez rifá-la.

  4. Nandex

    17 de dezembro de 2015 7:38 pm

    Concordo também, só

    Concordo também, só acrescnetaria a proteção das empresas nacionais do mercado estrangeiro de políticos egoistas. Como fizeram com a Petrobrás. Ao contrário do que se faz na América que protege seu mercado interno; os politicos daqui jogam o osso pra lá, para os americanos roerem até o talo. Opa, creio que isso está no item c. Bom… contando com a derrubada do juros que está destruindo a moeda brasileira e causando inflação nos produtos com componentes de origem estrangeira; creio que está o básico em análise.

  5. Luiz M. de Barros

    17 de dezembro de 2015 7:38 pm

    Explendido

    Fulgurante e fulminante como ouvi uma vez do Requião quando era governador

    Fico feliz com a iniciativa

  6. Nandex

    17 de dezembro de 2015 7:39 pm

     O presidente falou sobre
     O presidente falou sobre as atividades do Banco Central. “Para reduzir as taxas, é preciso não ‘silenciar’ o Banco Central, como já foi feito na era soviética com a economia planificada, mas ajudar o Banco Central e o governo a suprimir a inflação e reduzir o risco de inflação. Quando caminharmos desta forma, então, naturalmente, as taxas de refinanciamento do Banco Central vão diminuir calmamente com o mercado”, disse Putin.

     

     

    Leia mais: http://br.sputniknews.com/mundo/20151217/3104637/grande-coletiva-momentos-mais-marcantes-putin.html#ixzz3ubnkni2Q

     

  7. aliancaliberal

    17 de dezembro de 2015 7:40 pm

    Não necessita de impedimento

    Não necessita de impedimento e só a Dilma renunciar e deixar de prejudicar a nação.

     

  8. João Mauricio Pimentel

    17 de dezembro de 2015 7:43 pm

    Utópico.

    !

  9. Paulo Guzzo

    17 de dezembro de 2015 7:45 pm

    Aliança pelo Brasil

    Contem com meu incondicional apoio a esta aliança e se me permitem sugerir quero indicar os nomes do senador Roberto Requião para ministro da Fazenda e do senhor José Carlos de Assis para o Planejamento.

    Atenciosamente,

     

    Paulo Cesar Guzzo

    engenheiro mecanico 62 anos

  10. CB

    17 de dezembro de 2015 9:02 pm

    Olha, converso com gente

    Olha, converso com gente honesta de direita (não são políticos) e constatei que estão engolindo fácil, fácil o discurso da mídia golpista de que tudo vai melhorar se houver o impeachment porque este governo não tem mais credibilidade. Questiono: e qual a credibilidade de Temer e do PMDB? E as reações dos movimentos sociais, sindicatos, pessoas polítizadas e até do povo que ficará enfurecido quando perceber que foi enganado porque nada melhorou? E quais os planos do PMDB se virar governo? Nada disso passa pelas cabeças destas pessoas. A mídia está vendendo uma grande mentira e isto vai custar muito caro ao país se o golpe de estado se consumar.

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