21 de junho de 2026

O Boletim Focus e os rentistas de Miami, por André Araújo

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O Boletim Focus e os rentistas de Miami

por André Araújo

Os vários governos brasileiros da Era moderna  sempre tiveram o cuidado de não deixar a política econômica na mão de uma só pessoa ou grupo de pessoas de igual orientação. A política econômica é algo muito sério para que um País inteiro entregue seu destino a meia dúzia de gênios assumidos. Há clara necessidade de uma mescla de visões para que erros solitários não sejam cometidos. Erros na direção da economia tem altos custos de reversão, a volta do caminho errado custa muito caro. O Board do Federal Reserve, de sete membros, é composto com professores de economia de escolas de pensamento diferentes, pessoas sem ligação com o sistema financeiro, de modo a haver diversidade de visões e opiniões sobre economia.

O estadista Getúlio Vargas criou o Conselho Nacional de Economia para assessorá-lo, fora do circuito do Ministério da Fazenda. O Governo Militar de 1964 criou, acima do Banco Central e dos Ministérios econômicos, o Conselho Monetário Nacional, com representantes da economia produtiva para se contrapor ao poder do bancos.

Getúlio, na fase democrática, tinha uma forte Assessoria Econômica chefiada por Rômulo de Almeida, excelente pensador e formulador, para não ficar dependente dos dois pólos da política econômica, o Ministro da Fazenda Horácio Lafer e o Presidente do Banco do Brasil, Ricardo Jafet,  grandes industriais paulistas.

A quebra desse modelo de pesos e contrapesos se deu no Plano Real. Atendendo à pressão dos “economistas do Real” o Governo FHC transformou o Conselho Monetário Nacional em um mero carimbo, constituído apenas do Ministro da Fazenda, do Ministro do Planejamento e do presidente do Banco Central, uma piada, teria sido mais honesto extinguir o Conselho.

A partir desse equívoco deu-se todo o poder sobre a política econômica aos bancos representados pelos “economistas do Real ou do mercado”, é a mesma coisa, cujo

porta voz é o Boletim FOCUS, uma criatura deles para apresentar toda semana suas reivindicações ao banco Central, que as executa. Pelo boletim o BC, através de um capcioso quiz de perguntas, é balizado pelo mercado que apresenta suas instruções.

A partir dai o BC trata de cumprir as demandas e “targets” do oráculo FOCUS. Em vez de liderar, o BC é liderado. Nos EUA todos esperam ansiosamente o que a Chairwoman do FED Janet Yellen tem a dizer, aqui é o BC aguardando sofregamente o que o apóstolo FOCUS pretende para a semana, é uma peça tragicômica de teatro onde cada lado representa um papel ficcional, o que o BC pergunta é aquilo que o mercado quer.

A partir do erro de neutralização do CMN vem o resto. Toda a economia foi colocada na mão do BC que representa o sistema financeiro, convencionou-se que só quem entende de economia é economista de banco. Qual a surpresa em ter os resultados que estamos vendo?

Quando o Brasil industrial foi construído, grandes nomes como Roberto Simonsen, Euvaldo Lodi, Horácio Lafer, Guilherme da Silveira, Rômulo de Almeida, Celso Furtado emitiam opinião sobre política econômica. Não existia “economista de mercado”! O nível era muito mais alto, eram os grandes pensadores e realizadores da economia produtiva, daí nasceu a indústria brasileira, o vigor da agricultura, as metas de desenvolvimento, a visão do futuro e  infra estrututura básica que ainda nos atende. Depois do plano Real só souberam montar mesas de câmbio e boutiques de investimento, nunca viram um chão de fábrica na vida.

O mundo dos cabeças de planilha que guiam o BC é o mundo dos rentistas brasileiros que moram em Miami e que são os clientes de seus fundos de renda fixa. Quanto mais baixa a inflação e quanto mais barato o dólar melhor para eles, melhor para os bancos que administram esses fundos. Nos anúncios desta semana no canal GLOBONEWS os maiores anunciantes são bancos atrás de clientes para aplicar em seus fundos, é uma quantidade absurda de anúncios, parece que esse é o único negócio do País.

Desapareceu do ambiente de decisões sobre política econômica a visão da indústria, da agropecuária, do comércio, dos transportes, dos serviços,  da construção, dos consumidores.

O presidente do BC Ilan Goldfajn é economista especializado em economia monetária, seu mundo é da porta do banco para dentro, ele não tem uma visão de política econômica de resultados para a população como um todo e muito menos para o povo sem dinheiro. Seu mundo são os aplicadores ricos das agências “private”, ele trabalha nessa linha de visão.

Ele fez tudo para “trazer a inflação para o centro da meta” e absolutamente nada para estimular a economia e aliviar o desemprego, ele nem fala em recessão nos seus discursos ou entrevistas. É como se não existisse! É absolutamente centrado em meta de inflação de forma obsessiva, seu único tema no discurso de posse.

De que vale a “inflação no centro da meta” para quem está desempregado, sem dinheiro, sem plano de saúde, sem poder pagar a escola dos filhos? Não significa muita coisa.

O Ministro da Fazenda, por sua vez, não tem qualquer indicação de ser um formulador de política econômica no seu sentido mais amplo. Nada na sua experiência ou currículo indica isso, mero executivo de banco regional. Isso é quase nada para dirigir a política econômica de um grande Pais, falta aquele algo mais, aquela grandeza dos grandes comandantes da economia como Roberto Campos, Octavio Bulhões, Delfim Neto, Oswaldo Aranha, Mário Henrique Simonsen, grandes homens com visão macro do País, do mundo, da política.

Não se trata apenas de conhecimento. Aranha não era economista mas era líder, tinha uma visão ampla do País, de seu futuro, de suas necessidades, foi um excelente Ministro da Fazenda em duas circunstâncias muito diferentes separadas por vinte anos, quem diz isso não sou eu, é seu minucioso biógrafo, o prof. Mário Henrique Simonsen.

Não é possível um País com a complexidade do Brasil, em inédita recessão, rara até no planeta, ao mesmo tempo com enormes recursos e potencialidades, estar com uma crise sem saída por fraqueza evidente de gestão. As pessoas que comandam a política econômica não estão à altura dos desafios imensos que se apresentam no horizonte. Tormentas pedem grandes e corajosos timoneiros para enfrentar tempestades em mar bravio, não servem pilotos de rebocador, as demandas são mais complexas e o tempo é curto.

Andre Motta Araujo

Advogado, foi dirigente do Sindicato Nacional da Indústria Elétrica, presidente da Emplasa-Empresa de Planejamento Urbano do Estado de S. Paulo

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  1. Idiro

    12 de dezembro de 2016 9:20 am

    Nem tanto ao mar nem tanto à

    Nem tanto ao mar nem tanto à serra.

    Na época desses “grandes homens” se via muito mais miséria absoluta no Brasil do que hoje, e a inflação ia corroendo o salário uma boa parte do ano. Eu ganhava mesada nessa época, e crianças já sabíamos contabilizar as enormes perdas com a inflação se perdêssemos o timing.

    Lembro que várias crianças que jogavam bola conosco não estudavam. Chegavam no jogo às 18 horas vindo do trabalho, e comiam castanhola dos sombreiros pra enganar a fome. Eu era o “dono da bola” literalmente, pois ter uma bola não era pra todo mundo.

    Os professores da escola pegavam ônibus junto com os alunos, poucos tinham carro. Uma família com dois carros na garagem era rica. Falo da cidade de Fortaleza. Viajar ao exterior também era coisa de rico. Isso tudo só passou a ser normal em famílias assalariadas depois do plano real.

    No interior do meu Ceará era uma miséria absoluta, muito maior do que hoje, e a maioria da população não sabia ler e escrever. Hoje as crianças do Sertão sabem usar um tablet.

    Cocordo em grande parte com o texto, e a crítica a essa política de um punhado de “iluminados” comandar uma economia é válida, e muito válida. Mas além de pisar o chão da fábrica, é bom também olhar a realidade de uma cidade do interior do Ceará, por exemplo.

    1. Andre Araujo

      12 de dezembro de 2016 6:41 pm

      Meu caro, uma coisa lhe

      Meu caro, uma coisa lhe garanto nem o Meirelles com apartamento na Quinta Avenida em Nova York e nem o Goldfajn nascido em Haifa tem muito familiariedade com o interior do Ceará. Quanto aos anos 40 a 70, o desemprego era minimo, as perspectivas do Pais imensas, o crescimento economico dos maiores do mundo, a inflação era uma coceira apenas porque o povo, ao contrario do que dizem os economistas do Real, SABIA se defender da inflação com a “compra do mês” no dia em que recebia o salario e com o lote de terreno a prestação, em cima do qual MILHÕES de casas foram construidas NO TEMPO  DA INFLAÇÃO, sem Minha Casa Minha Vida e casas bem melhores que os pombais de hoje.

      1. joel lima

        13 de dezembro de 2016 9:23 am

        André, nesse ponto discordo.

        André, nesse ponto discordo. Moro numa região de SP, extremo sul, que surgiu em cima da venda de terrenos a prestação. Sim, milhões de casas foram feitas em regiões sem a menor infra estrutura (quando meus pais vieram pra cá, só havia energia elétrica. Água tratada veio décadas depois, assim como o asfaltamento, que ainda é incompleto, e esgoto deve ser 50 por cento de cobertura, e o trasnporte era um ônibus a cada uma hora.  )  pois parece que é um projeto da elite fazer que o povo fique bem longe dela, obrigando-a a ir cada vez mais longe do centro (moro a 45 km dele). Aliás, é um crime o que fazem com o centro de SP. Um lugar com que poderia ter moradores de todos as classes – estudantes, classe média alta que renuncia ao carro, ja´que não há prédios com garagem, famílias de periferias auxiliadas por aluguel-social, artistas sem grana…Um lugar lindo daquele, feito pras pessoas andarem, se esbarrarem, conversarem, trocarem ideias – enfim, se misturarem, pois uma cidade fica forte é quando as pessoas se misturam, e não quando vivem em guetos. Mas não. No máximo, em SP, essa mistura acontece por algumas horas pela Virada Cultural. E pelo jeito, em 2017, nem isso vai acontecer. 

        Entendo quando você diz que é melhor conviver com inflação (doença que pode ser curada) do que com depressão (doença que não tem remédio). Mas será que essa é a sina da economia brasileira = crescer com inflação alta ou estagnar com inflação baixa? Será que crescimento alto e inflação baixa é algo que nunca conseguiremos? 

         

         

         

         

  2. Jorge Leite Pinto

    12 de dezembro de 2016 12:28 pm

    O problema é quer o Brasil

    O problema é quer o Brasil foi sequestrado! Não há análise que faça sentido num quadro como este. Quem vai reverter isso? Eles?

    Fomos sequestrados!

  3. Jorge Leite Pinto

    12 de dezembro de 2016 12:29 pm

    Corrigindo: o texto é

    Corrigindo: o texto é perfeito, mas o combate é contra o GOLPE! Ninguém que está no poder vai ligar a mínima para o que o autor denuncia…

  4. drigoeira

    12 de dezembro de 2016 12:51 pm

    O Brasil vive um regime pós colonial…

    Não é interesse dos senhores do Brasil de que este país se torne capitalista. Nosso sistema econômico é anticapitalista e temos um sistema político antidemocrático.

    Capitalismo= Os donos do capital se apropriam da força de trabalho dos empregados. Simples assim.

    Sistema pós colonial ou rentista = Os donos do capital fingem que se apropriam da força do trabalho dos empregados mas na realidade ganham com dinheiro aplicado a juros que remuneram acima disto.

    Então no Brasil falta homem macho para quebrar este sistema dos juros elevados em um processo eleitoral que os políticos são financiados por rentistas. 

    Solução???

    1. Ciro Medeiros

      12 de dezembro de 2016 2:40 pm

      A solução é

      mulheres no poder; a cultura de homens machos gerou o que estamos vendo

      1. drigoeira

        12 de dezembro de 2016 3:56 pm

        Sem ser machista mas tenho que ser:

        Homens e mulheres tiraram a Presidenta sem crime algum.

        As mulheres nem corporativistas sabem ser…

         

        1. jossimar

          12 de dezembro de 2016 4:31 pm

          Concordo com você.
          Para se

          Concordo com você.

          Para se ter uma idéia, teve uma estupidalóide(invenção minha) que afirmou na minha cara que o golpe era necessário.

          De repente, vi duas orelhas de burro tomarem o lugar das dela.

  5. Vagalume do Brejo

    12 de dezembro de 2016 1:55 pm

    Muito bom André. 
     

    Muito bom André. 

     

  6. Boeotorum Brasiliensis

    12 de dezembro de 2016 2:38 pm

    O foco, não o Focus, é o agora e o futuro

    Não há no que discordar com o artigo. Está absolutamente correto. Em que pese o peso histórico dos personagens todos, talvez, à exceção de Furtado, cometram sérios erros em sua trajetória como homens públco. Para confirmar basta “googlar”. Contudo, não me parece que o texto se refira ao passado, os personagens apenas referenciam momentos em que, certo ou errado, havia rumos e havia um visão política onde se tentava o melhor para o Pais.

    O que a mesagem do artigo afirma e reforça pe a necessidade de se ter um plano, um projeto nacional, onde o interesse do País e do seu povo esteja acima dos interesses do mercado financeiro e dos parasitas que se alimentam de todos nós.

    1. Alexandre Weber - Santos -SP

      12 de dezembro de 2016 3:51 pm

      Rumo, Norte e Estrela

      Caro Boeotorum Brasiliensis, se existe algo de que este povo do Governo [políticos] de meia-tijela que frequentam o governo não querem é justamente isto, ter um plano, metas e… argh!!!! que defendam o povo e a Nação em um projeto Nacional.

      Não que eu seja o único que saberia dar Norte, Estrela e Rumo para o Brasil, existem vários com o expertise necessário e suficiente.

      Não fazem porque não querem.

      Acorda!

  7. Roberto S

    12 de dezembro de 2016 2:39 pm

    Fora do voto não há pacto

    FORA TEMER !

  8. j.marcelo

    12 de dezembro de 2016 3:16 pm

    Como os
    Como os empresários”produtivos” deixaram-se ser “sequestrados” assim pelos
    rentistas? Ora,ficaram assistindo muito o JN e descendo a lenha no PT(não diferem
    muito do povão) e agora failiram ou estão super endividados,a realidade é essa sim!
    Obs:A questão chave é esta posta por AA,teria q ser objeto de debate pelos setores
    produtivos do País,mas pela mentalidade deles vão é querer ligar a TV no JN!!
    OBS: GRANDE REVELAÇÃO DE AA,Q QUASE SEMPRE VAI AO PONTO CRUCIAL DAS COISAS MESMO Q ESTAS ESTEJAM NA NOSSA CARA!!!

    1. Alexandre Weber - Santos -SP

      12 de dezembro de 2016 3:53 pm

      O AA está sempre um passo atrás

      Queda dos juros são favas contadas.

      Vê se o André fala dos Cartões de Crédito e o impacto de no mínimo 6,18% na inflação que eles causam com o imposto confiscatório sem contrapardia por eles surrupiado do povo e da nação?

       

      1. j.marcelo

        12 de dezembro de 2016 4:30 pm

        É verdade Alexandre,faltou
        É verdade Alexandre,faltou abordar outras questões,mas vc sabe q nosso Brasil
        é muito complexo e o foco dele outro não o condene-mos por isso!!

        1. Alexandre Weber - Santos -SP

          13 de dezembro de 2016 11:41 am

          PEBB – Partido da Egrégora Brasil dos brasileiros

          Sim a abordagem real e efetiva para todas as questões brasileiras passa pelas oito direções e setenta e duas possibilidades básicas.

          Para isto sugiro a criação  de um Partido da Egrégora Brasil dos brasileiros, que pode ser até a mutação do meu partido político atual , o PSB, com novos objetivos.

          Este saudosismo do André comove velhos corações, mas não resolve porra nenhuma!

    2. Andre Araujo

      12 de dezembro de 2016 9:02 pm

      Meu caro, não há mais

      Meu caro, não há mais empresarios brasileiros com prestigio e liderança como havia até a decada de 80.

      Nas federações e associações aparecem lobistas, executivos assaliriados, carreiristas, fabricantes de curriculos enfeitados, “homens do ano” a custa de assessoria de imprensa, conheço esse mundo como a palma da mão,

      fui dirigente sindical e associativo patronal por decadas, de sindicato top, na época o maior do pais, no meu tmpo

      eram todos empresarios de verdade com seu patrimonio e o da familia em risco, hoje só tem alpinistas tentando

      se arrumar na vida nessas entidades.

      Homens como os dirigentes dA FIESP desde a fundação até a gestão Mario Amato eram verdadeiros capitães de industria,

      classe hoje quase extinta, mesmo os donos de grandes empresas preferem não se expor e mandam executivos profissionais para as federações e associações, o que enfraquece muito a representatividade.

      Me lembro um almoço de fim de ano de nossa associação e sindicato (ABINEE-SINAEES) na decada de 70 onde estavam 11 (onze) Ministros, hoje nesse tipo de almoço não vai nem chefe de gabinete, consideram um sucesso quando vai um Secretario Executivo de ministerio secundario.

      Nessa epoca eramos convidados para almoços em Brasilia nas casas dos Ministros, um deles na casa do então Ministro de Minas e Energia Cesar Cals foi memoravel, se resolveram mais de dez assuntos, ja escrevi aqui sobre esse almoço,

      os Ministros tinham poder de decisão, as coisas caminhavam rapido, o Brasil chegou a crescer 11,3% no ano de 1975.

      1. j.marcelo

        12 de dezembro de 2016 10:34 pm

        Certo AA,td o q vc disse só

        Certo AA,td o q vc disse só reforça o meu pensamento q os empresários “produtivos”se acomodaram vendo o jn,eles

        tinham tanta participação no pib brasileiro e ñ usaram a seu favor,veio FHC e a sua reeleição[bancada pelo Itaú] e td

        mudou a favor dos rentistas,inclusive passamos a pagar aos bancos só p ter conta neles,enquanto isso esses mesmos

        empresários “produtivos”assimilavam as idéias e argumentos do jn,agora colhem o q deixaram plantar neles !!

  9. Alexandre Weber - Santos -SP

    12 de dezembro de 2016 3:54 pm

    Contagem regressiva para o site sair do ar

    Será????

  10. Augusto Cesar

    12 de dezembro de 2016 6:42 pm

    Dívida Pública vs. Dívida Ativa + Créditos Ativos

    Com 45% da arrecadação sendo desviados para pagamento aos agiotas, não há como sobreviver.

    Analistas espertalhões tentam a todo custo convencer imbecis de que o Estado deve se comportar como uma família e não gastar mais do que ganha, mas não falam que família nenhuma se submete esvair quase metade de sua receita bruta para rolar dívidas.

    Deveres e haveres na balança, o Tesouro deve R$3,3 Bi e tem R$3 Bi de créditos na PGFN (R$1,8 Bi) e na RFB (R$ 1,2 Bi). Tudo custando e rendendo praticamente a mesma coisa ao ano. Muita coisa som os mesmos sujeitos ativos e passivos em lados opostos da balança, mas o prato dos “Deveres da União” é sempre líquido e certo (ok, esqueçamos qualquer possibilidade de auditoria), enquanto a inépcia da administração e a morosidade da justiça torna o prato dos “Haveres pela União” cada vez mais incerto.

    Ao final de 2016 serão R$3,3 Bi de Dívida Pública custando 12,6% a.a. para ser rolada. Numa inflação projetada de 6,6%, dá 6% de juros reais ao ano. Tem que baixar isso na marra pra 1% e acabou-se!

    Não querem viver num país civilizado? 1% a.a. de juros reais é bem civilizado!

    Quem quiser ganhar mais que isso que compre os haveres do Tesouro e vá pro pau!

    Redução drástica do custo de rolagem, redução também drástica da carga tributária.

    É isso, colocando na reta o rabo do 1% mais ricos, ou só mesmo colocando na reta o rabo dos outros 99%.

    O nosso rabo.

    1. Andre Araujo

      13 de dezembro de 2016 10:45 am

      A DIVIDA ATIVA é teorica, o

      A DIVIDA ATIVA é teorica, o valor real não chega a 10%, são empresas que não existem mais, contribuintes falecidos, clubes de futebol fechados, prefeituras quebradas, o volume recuperavel é muito pequeno.

      1. Augusto Cesar

        13 de dezembro de 2016 12:41 pm

        Sim, e daí?

        Sei disso, querido, mas e daí?

        Não há só fantasmas devendo ao Tesouro. Há laranjas de quem também está no outro lado da balança mamando nos juros. Então que aceitem os 1% a.a. de juros reais, pois quem empresta a devedores falimentares com juros extorsivos está se sujeitando a levar calote.

        Quem quiser ganhar mais que uma taxa de juros civilizada que corra. Quem chegar mais cedo nesses 10% recuperáveis ainda salva alguma coisa.

        Ande pelo Rio de Janeiro hoje e verás uma praça de guerra. Prédios públicos e privados que têm recursos pra se proteger estão cercados por barricadas. Monumentos históricos como igrejas e museus, à míngua, contam com o bom senso dos manifestantes (pois a PM não os respeita mais).

        Como se está, favorecendo o 1% em detrimento dos 99%, não dá mais. E não é um não dá mais e temos que fazer algo para daqui a um ano melhorar. É não dá mais agora! Nesse cenário de escassez de recursos para proteção social em benefício da banca e dos corruptos, uma calamidade pública, coisa comum nesses verões, pode ser o estopim de uma barbárie generalizada.

        Só há saída no calote.

         

         

         

  11. Gustavo

    12 de dezembro de 2016 7:11 pm

    Uma ”vaguinha” para pagar pistoleiros e matar esse pessoal.

    O Brasil é um dos campões em homícidio no mundo se não é o maior, Ora, já passou dá hora de assassinar esses agentes econônicos que controlam o BC, a Fazendo é o Focus, lugar de Bandido é na cova. Só a parti do Sangue que esse pessoal vai temer e sentir o terror de como é bom roubar uma nação inteira a custa dos que mais necessitam,  Pec 55 e a reforma da previdência, uma possível reforma trabalhista já são uma boa justificativa para assassinar esses bandidos em um País extremamente desigual que vive do rentismo parasitário. 

     

    Qualquer contribuição é válida…. 

  12. Li de Brusque

    12 de dezembro de 2016 7:17 pm

    André, como eu posso te levar

    André, como eu posso te levar a sério se você, num post anterior, acusou a diretoria atual do Banco Central e o Ministro da Fazenda de torrarem  213 bilhões de reais de prejuízo no 1º semestre de 2016 para conter a desvalorização do real, quando o presidente do Banco Central era o Tombini, o Ministro da Fazenda era o Nelson Barbosa e a presidente era a Dilma?

    E quando eu fiz um post te alertando sobre o fato fui censurado?

     

    1. Andre Araujo

      12 de dezembro de 2016 8:43 pm

      Meu caro, o que eu aqui ataco

      Meu caro, o que eu aqui ataco é o BANCO CENTRAL como instituição operando de forma absolutamente independente

      dos objetivo de uma politica economica de prosperidade para o Brasil. Fiz esse mesmo registro  em pleno governo FHC em meu livro MOEDA E PROSPERIDADE publicado em 2005, o BC não mudou muito desde o Plano Real, a IDEOLOGIA do BC

      está impregnada nas paredes, como soe acontecer neste tipo de instituição mundo afora.

      Com Ilan Goldfajn a radicalização anti-crescimento só AUMENTOU,  interessa a estabilidade e o dolar baixo que faz crescer o ativo e o patrimonio liquido dos bancos, a renda em dolar dos rentistas de Miami, as plataformas do private banking dos grandes bancos e das asset management houses da Rua Dias Ferreira no Leblon (nessa rua há 34 gestoras de fortunas).

      A diferença entre Tombini e Goldfajn é apenas uma questão de grau, não de direção.

  13. revenger

    12 de dezembro de 2016 7:18 pm

    Excelente escrita, à não ser

    Excelente escrita, à não ser apenas pela parte tocada aos pilotos de rebocadores. Canoeiros ficaria melhor.

  14. revenger

    12 de dezembro de 2016 7:22 pm

    Excelente escrita, à não ser

    Excelente escrita, à não ser apenas pela parte tocada aos pilotos de rebocadores. Canoeiros ficaria melhor.

  15. André Oliveira

    12 de dezembro de 2016 7:23 pm

    Não se trata apenas de

    Não se trata apenas de conhecimento. Aranha não era economista mas era líder, tinha uma visão ampla do País, de seu futuro, de suas necessidades, foi um excelente Ministro da Fazenda em duas circunstâncias muito diferentes separadas por vinte anos, quem diz isso não sou eu, é seu minucioso biógrafo, o prof. Mário Henrique Simonsen.

     

    Outro exemplo é Celso Furtado que não era economista de formação, ele formou-se em direito.. Foi na pós graduação que se dedicou a estudar o sentido e a história da economia brasileira intrigado com o enigma de um pais riquissimo em terras férteis e recursos naturais mas  que ao mesmo tempo tinha amplas faixas da população sobrevivendo no limite da inanição.

    1. Andre Araujo

      13 de dezembro de 2016 4:22 pm

      Dos 87 Ministros da Fazenda

      Dos 87 Ministros da Fazenda do Brasil republicano, mais de 2/3 eram advogados, 3 medicos, 6 engenheiros, economistas foram poucos.  Churchill foi Ministro do Tesouro ingles por quatro anos e meio e não era economista, era jornalista.

      A maioria dos Secretarios do Tesouro dos EUA era empresario ou advgado, depois da Segunda Guerra 4  eram economistas.

      A ideia de que Ministro da Fazenda (ou da Economia) é reserva de mercado de economistas não é avalizada pela Historia economica dos grandes, medios e pequenos Paises, o melhor perfil é o bom politico com conhecimentos de economia,

      como foram Souza Costa, Horacio Lafer, Paes de Almeida, Jose Maria Alkmin, Oswaldo Aranha, sensibilidade politica é FUNDAMENTAL, algo que falta completamente a Meirelles.

  16. edmorc

    12 de dezembro de 2016 7:53 pm

    Rômulo Almeida

    André,

    Muito boa a sua citação sobre o Rômulo Almeida, que entre outras coisas elaborou o projeto que deu origem a Petrobrás, além de contribuir para estruturação de outros setores estratégicos da economia brasileira. Quando pensamos em economistas desta estirpe e vemos hoje o Parente afirmando que endeusamos muito o pré-sal, para justicar sua entrega às petroleiras, bate uma tristeza danada. 

     

  17. cmc

    12 de dezembro de 2016 9:35 pm

    Goldfajn – “Fraqueza da economia ajuda o recuo da inflação”

    Repassando do Tijolaço….Tudo haver com AA.

     

    Quando eu era garoto, com idade apenas para ouvir “piadas de salão”, contava-se uma, bem sem graça e hoje incorreta politicamente, de um português que estava fazendo uma experiência totalmente revolucionária: ensinando uma vaca a viver sem comer. Capim, cada vez menos, até chegar ao “Capim Zero” tão ambicionado pelo zootécnico lusitano.

    Mas falhou, porque a vaquinha, claro, morreu de fome, arrancando lágrimas do pobre patrício: “justo agora, que o bichinho estava quase aprendendo!”.

    Como o português da piada, o presidente do banco Central. Ilan -vamos ver se eu acerto a digitação –  Goldfajn disse hoje que a “Fraqueza da economia ajuda o recuo da inflação“.

    Ora, Dr. Ilan não é que a vaquinha está aprendendo a viver sem comer? Mais uns seis meses, está vivendo de brisa…

    Mas o senhor fez bem em dizer, porque seus áulicos nas páginas de economia dos jornais se poupam de dizer isso: os preços não estão subindo tanto porque as pessoas não estão conseguindo comprar nada.

    Ninguém fala, a não ser uns blogueiros chatos feito este aqui, que desafinou o coro dos contentes, sexta-feira, quando saudavam a queda do IPCA de novembro dizendo que  “não tem dinheiro para ter mais preço porque não tem vendas“.

    Claro que é mais bonito dizer que ” a atual fraqueza da atividade econômica torna mais provável o processo de desinflação”.

    Mas é mais simples falar: “ó Joaquim, a vaquinha morreu…”

     

     

    1. Andre Araujo

      13 de dezembro de 2016 10:20 am

      O presidente do BC tem um

      O presidente do BC tem um unico objetivo, a meta de inflação. Jamais um cerebro tão limitado poderia presidir o  BC em qualquer Pais, vai arruinar profundamente a economia, essa dupla não tem NENHUMA  condição tirar o Pais da crise.

  18. Policarpo

    13 de dezembro de 2016 12:34 am

    Na verdade, economista de

    Na verdade, economista de banco no Brasil não entendem nem de banco e nem de economia. É verdade que nenhum deles é levado a sério ou participa de qualquer decisão estratégica em um Banco, mesmo aqui no Brasil.

    Diferentemente do que ocorre no Brasil, economistas de bancos no estrangeiro são figuras anódinas (não digo isso como uma crítica, mas como um elogio, porque é assim que deveriam se portar e agir!), produzem alguns boletins diários outros semanais alguns internos e outros externos (para clientes ou destinado ao público mais geral) mostrando a variação dos principais agregados econômicos nacionais e internacionais e algum tipo de análise sobre tendência de juros, câmbio e o mercado de ações. Ainda que tenham fortes convicções pessoais e políticas, esses economistas nunca dão opiniões e muito menos opiniões políticas nos trabalhos que desenvolvem dentro das instituições bancárias em que trabalham e nem são convidados a dar declarações à imprensa.

    No Brasil, o economista de banco encarna um estranho personagem que podemos chamar de “funcionário banqueiro”, no qual ele mimetisa o que ele imagina ser a atitude de um banqueiro (suas idéias e seus interesses) e esquece sua função de simples funcionário do Banco, contratado para produzir boletins econômicos. Ainda que viva a vida real de um simples funcionário o convívio no banco lhe dá alguns trejeitos e cacuetes do que ele imagina ser um banqueiro, o resto sua formação econômica e o treino da retórica econômica lhe dá.

    Mas isso não lhes caiu do céu. Durante muitos anos os economistas de banco eram vistos com desconfiança pelos prórpios profissionais do mercado financeiro, seja em função de um tipo de linguagem exótica que adotavam seja em função de um conhecimento distante das necessidades e das práticas do negócio bancário e financeiro propriamente dito. Mas depois de muitas provas e ensaios por fim encontraram um lugar para o economista de Banco atuar: o transformaram num mixto de ideólogo e agitador político como “funcionário banqueiro”.

     

    Entre os economistas de banco também se deu uma especialização, uma certa divisão do trabalho. Os mais tarimbados e com mais capital social (que significa trânsito em governos ou instituições públicas e algum verniz acadêmico), vão dar declarações a imprensa e aparecer nos meios de comunicação e “pautar” o público interno. Os mais jovens e com menos capital social alimentam os chats dos traders com informações variadas econômicas e políticas pautadas é lógico pelos mais tarimbados, e vão também fazer o trabalho que menos gostam de fazer os tais boletins.

    O resto dessa dança de rostinho colado do mercado e do banco central só podia ser mesmo praticada no Brasil pós-real a qual nem mesmo os governos petistas conseguiram reverter ou dobrar. A Dilma que o diga.

  19. Roberto Puccia Bianchi

    13 de dezembro de 2016 10:36 am

    O Boletim Focus e os rentistas de Miami, por André Araújo

    Prezado André Araujo,

    Lucido e claro. O economista Joseph E Stiglitz em seu livro “A Globalização e seus maleficios” trata do FMI, do Banco Mundial e da OMC. E como tinha sido presidente do Conselho Economico do presidente Clinton (1993-2001) e depois trablahou no FMI e no Banco Mundial aqui como economista chefe a sua experiencia de Realidade mais sua carreira acadêmica o fizeram um crítico construtivo da chamaad “Globalizaçâo”, e precisaríamos convidá-lo para vinda ao Brasil urgente.

    Ele analisa alguns casos reaiscom:

    A transição da URSS (Rússia) para o regime Capitalista, e o papel de consultores (neoliberais e do FMI) nesta transição.

    E da Crise da Ásia em 1997 com a Coréia e a Malasia e o FMI dando o receituário ineficaz.

     

    O Braszil de hoje não está sob o jugo direto do FMI todavia os comandantes da Economia o eng Meirelles e o Sr. Golgfanj são na prática Chicago boys ou PUC-RIO boys e nos aplicam um tratamento antigo e com grandes efeitos colaterais.Poderiam ambos se fossem europeus se candidatarem a chefe do FMI na próxima legislatura do mesmo.

     

    Precisamos discutir está idéia fixa ainda em voga pelo nosso (?) Brazsil.

     

     

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