Bolsonaro, o breve

Aqui mesmo no GGN disse que Jair Bolsonaro não é mentalmente são para exercer a presidência da república https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/inaptidao-mental-para-tomar-posse-por-fabio-de-oliveira-ribeiro. Volto ao assunto porque, alguns dias após tomar posse, ele disse que os Estados do nordeste não devem pedir dinheiro a ele e que o presidente deles está preso em Curitiba https://portalbaiano.com/nao-sou-o-presidente-deles-diz-bolsonaro-sobre-governadores-do-nordeste.

Na cerimônia de posse, Bolsonaro mostrou um exemplar da constituição. É evidente que ele não se deu ao trabalho de ler o texto. Se tivesse feito isso ele notaria três coisas importantes:

1o Um presidente que conspira contra a unidade territorial do Brasil pode ser deposto do cargo mediante processo de Impeachment (art. 85, I, da CF/88);

2o O dinheiro do orçamento da União não é propriedade privada do presidente para ele dispor como bem entender como se fosse um monarca absoluto. O Brasil é uma república federativa indissolúvel, e a União não pode simplesmente respeitar os direitos e demandas de alguns governadores e ignorar os de outros por razões partidárias (art. 1o, da CF/88);

3o Nenhuma autoridade pública deve fidelidade pessoal ao presidente da república, nem mesmo os Ministros que ele nomeou. Entre contrariar a Lei e contrariar a vontade presidente, o Ministro deve respeitar o princípio da legalidade (art. 37, caput, da CF/88);

Nenhum presidente eleito sob a égide da CF/88 teve a ousadia de fazer um discurso tão escandalosamente separatista como o de Bolsonaro. Ao ameaçar separar o sul e o sudeste do restante do país, ele correu o risco de entrar para a história como o líder de uma nova Confederação do Equador. O resultado daquela patética tentativa de dividir nosso país acabou com a execução de todos os envolvidos. Até um norte-americano foi enforcado.

Ao se recusar a tratar de maneira adequada os Estados do nordeste, Jair Bolsonaro deixou bem claro que ele não compreende ou não quer compreender os limites constitucionais impostos ao poder presidencial. Não só isso, ao exigir fidelidade pessoal dos adversários políticos, tratar a coisa pública como se fosse propriedade privada e conspirar contra a unidade indissolúvel da Federação (princípio que obriga o presidente a tratar todos Estados igualmente sem discriminar os governadores dos partidos de oposição), o mito demonstra querer provocar uma guerra civil.

Aristóteles disse que “…a tirania é o reverso de uma constituição.” (A Política, Aristóteles, livro IV, capítulo VIII, Martin Claret, São Paulo, 2018, p. 152). Ele também disse que “Parece ser uma coisa impossível que uma Cidade governada não pelos melhores cidadãos, mas pelos piores, possa ser bem governada, e parece igualmente impossível que uma Cidade mal governada seja governada pelos melhores cidadãos.” (A Política, Aristóteles, livro IV, capítulo VIII, Martin Claret, São Paulo, 2018, p. 152).

Esse desgoverno nasceu morto, pois ele não pretende conservar a república federativa do Brasil. Ao hostilizar verbalmente os Estados do nordeste, Bolsonaro demonstrou que não pretende ser apenas um chefe de governo e de Estado. Ele quer ser um ditador com poderes absolutos. A coexistência pacífica entre a União e os Estados do nordeste e entre o PSL e os partidos de oposição não é uma diretriz governamental que Bolsonaro pretende respeitar. Resumindo, em penas alguns dias o novo presidente forneceu uma prova inequívoca de que Aristóteles estava certo.

O melhor a fazer nesse momento é afastar imediatamente Bolsonaro do cargo antes que ele consiga transformar a hostilidade verbal aos Estados do nordeste numa operação militar. Esse cidadão deve ser recolhido a um sanatório. O caso dele me parece de internação compulsória.

Uma última observação. Não vi nenhum ministro do STF chamar Bolsonaro às falas por conspirar contra a unidade territorial do Brasil. A omissão deles é imperdoável. Por muito menos Lula foi constrangido por Gilmar Mendes.

 

 

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1 comentário

  1. INSANIDADE DO NOVO PRESIDENTE

    Fábio, bom dia

    Olha, chega a ser inacreditávell que uma pessoa possa proferir tantas barbaridades em tão pouco tempo no cargo.

    E observe que muitos de seus apoioadores diziam que todos os horrores ditos durante a campanha eram apenas uma forma “peculiar” de se expressar, que na presidência tudo iria mudar. Mas vem piorando. Ao racismo e à violência verbal soma-se uma ignorância imensa, incontrolável pelo mínimo de bom senso.

    Creio que para parte razoável de seus apoiadores, ao menos aqui em São Paulo e nos estados do Sul, esse tipo de monstruosidade é a expressão mais sincera do que sentem. Para muitas pessoas de classe média, os nordestinos não passam de um bando de  parasitas. Ouvi de muitas pessas (inclusive de nordestinos aqui em São Paulo) que o bolsa família servia apenas para sustentar “vagabundos” do nordeste, que só se preocupavam em fazer fílhos para conseguir mais dinheiro do Lula. A insanidade é, na verdade, uma forma de “leitura da realidade” por esse tipo de gente. Distorcida, preconceituosa, anti-humana.

    No último parágrafo de seu texto, uma verdade: a cumplicidade dos membros do poder judiciario (não todos, claro) e de outras “instituições” como o MP, com essas declarções. Isso porque seus integrantes compartilham da visão de mundo desse celerado.

     

    Um abraço e vamos à luta.

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