Caso Marielle: Globo terá que apresentar outras provas contra Bolsonaro, por Luis Nassif

O fato de não ter havido perícia não significa que a Policia Civil não conferiu o conteúdo, pois não?

Nos seus jornais, a TV Globo ficou na defensiva, tentando justificar jornalisticamente a matéria sobre o assassino de Marielle que teria entrado no condomínio mencionando a casa de Jair Bolsonaro. No Jornal Hoje, houve uma comovente e sincera defesa da casa pelo colunista Valdo Cruz, mostrando que o fato de ter mostrado que no dia mencionado Bolsonaro estava no Congresso seria a prova da isenção da cobertura. Se fosse apenas isso, não poderia ter sido dado o destaque que deu ao caso.

Perdida no meio da cobertura, uma explicação das fontes consultadas: a de que havia, de fato, discrepâncias entre as declarações do porteiro, as anotações no papel e os registros telefônicos do condomínio.

Os registros atestavam que o porteiro ligou para a casa de Ronnie Lessa, o assassino de Marielle. Entre a prova digital e o papel, a digital ganha. E aí a reação destrambelhada de Jair Bolsonaro passa a receber outra leitura: a da justa indignação.

A explicação da fonte consultada pela Globo é que não havia sido feita a perícia no equipamento porque aguardando autorização do Supremo Tribunal Federal, já que envolvendo o presidente da República.

O fato de não ter havido perícia não significa que a Policia Civil não conferiu o conteúdo, pois não? Perícia significa escuta qualificada, com expedição de autos. Mas escuta pode antecipar convicções que, depois, serão oficialmente reafirmadas pela perícia técnica.

É possível que a escuta informal tenha alicerçado as convicções dos policiais sobre a narrativa difundida pelo Jornal Nacional. É possível que não.

Mantidas as atuais condições de voo – a confrontação das provas apresentadas pelo Globo e aquela levantada por Carlos Bolsonaro -, os Bolsonaros não apenas saem incólumes como se fortalecem. Afinal, a principal suspeita que paira sobre a família se esboroa, apesar de todas as evidências do envolvimento de Bolsonaro com as milícias.

Se a batalha parar agora, Bolsonaro ganha. Vamos aguardar os próximos capítulos dessa guerra mundial, para conferir qual é o arsenal da Globo.

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Da serventia dos cabelos brancos e da experiência Do Facebook da profª Sylvia Moretzsohn, 30.10.2019: Eu tenho por hábito cultivar a prudência, por isso evito me deixar levar pelas emoções do momento. Lembro bem do que foi a excitação quando a Globo divulgou os vídeos do Joesley: a queda de Temer era então considerada líquida e certa, a ponto de alguns jornalistas da casa se referirem a ele como ex-presidente (para logo se corrigirem), sabe-se lá se por erro ou um fingido equívoco, para causar expectativa. A situação parecia mesmo insustentável. No entanto, deu no que deu. Claro que agora a coisa é bem mais grave, considerando não só o caso em si (trata-se de um assassinato) como o temperamento da pessoa em questão. Por isso, não compartilho do que diz o Fernando (Brito-Tijolaço) sobre "não ter volta", ou que "a crise política explodiu e nada a vai deter". Aliás, seria recomendável a leitura da coluna do Gaspari (pois é...) de domingo, aquela em que Madame Natasha pede "compostura verbal" e relaciona as mais recentes trocas de gentilezas entre os membros da quadrilha que está no poder. Mas certamente concordo com o Fernando quando ele diz que "é preciso pensar para ver o que virá disso, embora se saiba que duas coisas virão". Só concordo com a primeira dessas coisas: "é que coisa boa não será". Do otimismo dele em relação à segunda "coisa" (sobre o proveito que se poderá tirar desse "improvável confronto") eu não compartilho, não. De todo modo, só nos resta mesmo assistir. E é bom assistir ao vídeo em que o Verme se manifesta, acusando o golpe como nunca antes na história deste país. Os links estão nos comentários.