Crise ministerial mostra que Temer tentou esvaziar o Iphan

 
Jornal GGN – Em meio a mais um capítulo de crise ministerial do governo peemedebista, antes de o atual Secretário de Governo Geddel Vieira Lima ter tentado pressionar o Ministério da Cultura para liberar o imóvel em Salvador, na Bahia, contra parecer do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o próprio presidente Michel Temer tentou esvaziar o Iphan.
 
Para diluir o poder do Instituto sobre construções que poderiam prejudicar bens tombados, Temer criou a Secretaria Nacional de Patrimônio Histórico, que retiraria do Iphan a responsabilidade pela concessão de licenciamento de obras. 
 
A Secretaria foi incluída por Michel Temer na medida provisória que recriou o Ministério da Cultura, antes extinto, em maio deste ano, poucos meses após assumir o governo. A intenção de Geddel neste caso estava mais ainda relacionada a seus interesses pessoais no imóvel. 
 
Na última semana, o ex-ministro Marcelo Calero pediu demissão e acusou Geddel de pressioná-lo para anular um parecer do Iphan contra a construção do edifício La Vue, próximo de bens tombados. O titular da Secretaria de Governo, braço direito de Temer, é proprietário de um dos apartamentos no condomínio, que tem um custo de R$ 2,5 milhões cada unidade.
 
“No dia 28 de outubro, uma sexta-feira, por volta de 20h30, recebo uma ligação do ministro Geddel dizendo que o Iphan estava demorando muito a homologar a decisão do Iphan da Bahia. Ele pede minha interferência para que isso acontecesse, não só por conta da segurança jurídica, mas também porque ele tem um apartamento naquele empreendimento. Ele disse: ‘E aí, como é que eu fico nessa história?'”, havia revelado Calero.
 
Após a repercussão do caso neste sábado (19), o ministro da Secretaria de Governo tentou voltar atrás. Reconheceu que tratou do tema, mas negou ter pressionado Marcelo Calero. “Eu fiz a ele uma ponderação, trazendo uma informação que esse era um empreendimento que já havia sido licenciado e que era um assunto que, em função de disputas empresariais e locais, estava na Justiça”, disse.
 
Entretanto, a iniciativa de Geddel não teria sido apenas junto ao ex-ministro da Cultura. Isso porque em maio, Temer tentou esvaziar o Iphan e o braço direito do peemedebista seria o responsável por indicar Carlos Amorim na nova secretaria.
 
Amorim, na gestão do Iphan da Bahia, autorizou em 2014 a construção do La Vue. Foi a sua decisão que foi negada depois pela direção nacional do Instituto. Com a criação da nova Secretaria, o Iphan deixaria de fazer a concessão de licenciamento para obras, passando a apenas fiscalizar os projetos.
 
Mas a tentativa de Temer e de Geddel foi fracassada. A Secretaria Nacional de Patrimônio Histórico foi negada pela Câmara dos Deputados, ainda na fase de relatoria da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), quando membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico protestaram contra a manobra.
 
Até o momento, o presidente Michel Temer evitou manifestar-se sobre a nova crise ministerial e sobre o caso de Geddel.
 

6 comentários

  1. Brasil, qual o teu negocio?

    Desde que usurpou a cadeira de Dilma Rousseff não ha um so dia em que não se tem noticias desse naipe com esse governo. Não da para entender como essas sauvas não têm nenhuma visão de Pais, não oferecem nenhuma perpercetiva de futuro decente. Tudo o que têm a oferecer ao Brasil lato sensu é a destruição de sua infraestrutura, de seu patrimônio, redução em investimentos na Educação, Saude, Cultura e Pesquisa. Não ha nada que Temer e seus ministros pensem legar ao Brasil a não ser a indignidade da historia desse golpe e esse lastimavel governo. Eh a politica do nivel mais mesquinho, tacanha e personalista ja vista desde os anos 80 e ja podemos novamente cantar os velhos e atuais rocks de Cazuza.

    Grande pátria desimportante
    Em nenhum instante
    Eu vou te trair!

  2. a bem da vdd é que

    Queriam mesmo é esvaziar o Ministério da Cultura. Essa era a verdadeira intenção. Diante do rescaldo “apartamento do Geddel na Barra”, ficou cristalino que o interesse de fato, pelo establishment do governo Temer, era dar um fim ao MinC.

    Não fosse a pressão da classe artística, a Cultura seria um anexo ao Ministério da Educação. A propósito, tendo uma ex-consultora do grupo Abril na secretaria-executiva desse ministério, não seria de se estranhar que engajamentos culturais desse governo resumiriam-se em pocket shows vespetinos de domingo, na Praça Victor Civita aqui em SP. 

  3. GOLPISTAS “negociantes” do

    GOLPISTAS “negociantes” do bem público. Mas, tenhamos certeza que o “causo” ficará por isso mesmo, já que o geddel-jacaré é outro que tem o temerista entre os dedos: qualquer coisa, esmaga o “xato”.

  4. A conduta de Michel Temer em
    A conduta de Michel Temer em relação a Geddel é paradigmatica.

    Prova um fatalidade inexorável.

    Num governo de bandidos a fidelidade canina substitui ética, legalidade e justiça.

    Geddel é Michel assim como Michel é Cunha.

  5. O assunto do momento nos

    O assunto do momento nos canais tradicionais de comunicação é a “corrupção dos politicos”.

    Pior, muito pior, é a ignorancia e despreparo de muitos deles, sobretudo dos que estão no poder, no momento.

    O argumento do secretario do governo para defender o empreendimento de seu interesse seria os empregos que ele geraria.

    Nada mais absurdo, no pais dos absurdos.

    Um dos negocios que mais emprega é o turismo e Salvador,um dos exemplos.

    Na medida em que se deteriora a paisagem daquele local os empregos começam a ser ameaçados.Pobre Brasil nas mãos de pessoas desse nivel..

  6. Morri !!

    E o apresentador da GloboNews tentando colocar “panos quentes” ao afirmar que ” o ministro Gedel tem um jeito muito incisivo de falar, assim o Calero pode ter entendido como pressão o que seria apenas uma consulta” ??!!! WTF ?

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