História do pedido de Temer à Odebrecht pode valer a Presidência, por Janio de Freitas

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Jornal GGN – O depoimento de Marcelo Odebrecht sobre os R$ 10 milhões dados a pedido de Michel Temer poderia valer a Presidência. A opinião é do colunista Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo, comentando também a fala de José Yunes, amigo de Temer, sobre um envelope entregue em seu escritório pelo doleiro Lúcio Funaro, que supostamente seria entregue para Eliseu Padilha. 
 
O colunista argumenta que, antes de Yunes confessar que era uma “mula” do dinheiro, a Operação Lava Jato já tinha conhecimento sobre o valor acertado entre Temer e Odebrecht. O presidente se beneficiou do veto do juiz Sergio Moro àpergunta da defesa de Eduardo Cunha, que questionava sobre a entrega de dinheiro a Yunes.
 
“Moro argumentou que as perguntas não tinham pertinência no tema do inquérito –o que, de resto, não poderia saber antes de conhecer as respostas e suas implicações”, diz Janio. 

 
Leia a coluna completa abaixo: 
 
Da Folha
 
História do pedido de Temer à Odebrecht pode valer a Presidência
 
por Janio de Freitas
 
A história dos R$ 10 milhões dados pela Odebrecht a pedido de Michel Temer, na campanha de 2014, vale bem mais do que aqueles milhões. Se os inquéritos que “estão mudando o Brasil” fossem menos sinuosos, a história poderia valer a Presidência da República. E dar uma dimensão mais real ao ataque à corrupção que vai da política aos cofres públicos e privados.
 
(A propósito: se um empresário de obras públicas é convidado a jantar com o vice-presidente da República, em palácio, e dele ouve um pedido explícito de dinheiro, que alternativas tem para sua resposta?)
 
O advogado José Yunes, amigo mais próximo de Michel Temer, diz que “até hoje” não sabe o que havia no envelope entregue em seu escritório pelo doleiro Lúcio Funaro, para alegado repasse a Eliseu Padilha.
 
Ao relatar o fato, como quem precisa lavar as mãos enquanto é tempo, Yunes definiu-se como “mula” de Padilha. Ora, no jargão policialesco, “mula” é o transportador de dinheiro ou de droga. Não havendo motivo para supor que Padilha esperasse remessa de droga, Yunes só poderia ver-se como “mula” se soubesse haver dinheiro na encomenda.
 
Por certo, não a entregou a qualquer um. Mas não revela quem a levou ao destinatário, se não foi ele próprio. Nem quem foi esse destinatário, se Padilha ou o seu amigo de confiança. Não evitou, porém, um esclarecimento insidioso, por vontade ou não, ao jornalista Lauro Jardim: “Contei tudo ao presidente em 2014. (…) Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre [risos]”. Nem precisava dos risos.
 
A nota presidencial, a propósito das palavras de Yunes, admite que Temer pediu à Odebrecht “auxílio formal e oficial”, e “não autorizou nem pediu que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. (…) É essa a única participação do presidente no episódio”.
 
Única, não. O pedido ao convidado Marcelo Odebrecht resultou de propósitos financeiros definidos ou, no mínimo, autorizados por Temer.
 
São declaráveis e comprováveis? A responsabilidade (i)legal é de quem teve a iniciativa do pedido, do recebimento mesmo que indireto, e da destinação. E nesse aspecto Temer se apresenta como omisso, seja por conveniência ou não. Apresenta-se mas não é.
 
As possíveis implicações desse trecho do episódio são muitas e graves. A comprová-lo há, entre outros indicativos, palavras escritas por Eduardo Cunha.
 
Nas perguntas que dirigiu a Michel Temer, dando-o como testemunha de defesa em um dos inquéritos a que responde, Cunha questionou-o sobre a entrega de dinheiro a Yunes. Como todo o questionário, a pergunta era um homicídio verbal. Ali estavam questões que talvez nem servissem de defesa a Cunha, como o cala boca de R$ 1 milhão que lhe teria vindo da “doação” da Odebrecht.
 
Mas as perguntas levavam a veredas que, partindo de Temer, se irradiavam pelos descaminhos da política e de seus condutores.
 
Não pôde ser assim. Nem alguma coisa parecida. Antes que José Yunes se admitisse uma “mula”, a Lava Jato já sabia sobre os R$ 10 milhões acertados em jantar no Palácio do Jaburu.
 
O juiz Sergio Moro já podia saber, portanto, o que aquela pergunta de Cunha a Temer representava. Proibiu-a. Assim como várias outras, elaboradas com doses de venenos reveladores. Censura dita judicial.
 
Michel Temer beneficiou-se. Moro argumentou que as perguntas não tinham pertinência no tema do inquérito –o que, de resto, não poderia saber antes de conhecer as respostas e suas implicações. 
 
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Redação

10 Comentários

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    1. A presidência corre risco e

      A presidência corre risco e por isso o Serra “pediu as contas”?

      Será? 

      D U V I D O.

      Comungo com a opinião do Ruy Daher.

      Nenhum interesse em tirar o homem da presidência, sem esquecer que o MT tem lá seus protetores, sua confraria. 

      Troucou apenas de palácio, retornando à antiga morada depois de reformar (desfigurar) o Alvorada, possivelmente por receio de “assombrações”.

  1. Meu Deus,

    mas a quem interessa na quadrilha incriminar Temer e interromper seu mandato? Ninguém. Por mais hipóteses que levantemos, mais falácias descobertas, mais descaramento sem qualquer cerimônia, fica claro que o golpe foi dado para durar, e que somente saindo às ruas pela democracia isso pode ser revertido.

    Está tudo, sempre, em todos os escritos, xadrez ou dominó, um enome COMO QUERÍAMOS DEMONSTRAR. E daí? Não existe mais nada a fazer que não laudas e mais laudas em folhas e telas cotidianas. Hoje, diria, contadas não em dias, mas minutos.

  2. Não sabem o que dizem

    Yunes tenta passar a versão de que recebera um ENVELOPE e nem se interessou em saber o que continha o mesmo pois não era ele o destinatário final mas o Padilha.

    Bem, meu povo: tentem colocar um milhão de reais num…. envelope!

    Para se ter a ideia de volume do que seriam 10 mil notas de cem reais, ou mais provável 20 mil notas de 50 reais, seriam necessários de 10 a 20 (dependendo da nota) caixas equivalentes a um tijolo de construção civil.

    Então que fique claro que NUM ENVELOPE não saberiam 10 ou 20 TIJOLOS, teria que ser uma caixa grande, do tamanho de um engradado de cerveja de 650 ml.. eh eh

    Portanto que Yunes pare de falar que “recebeum um envelope”. De fato ele recebeu uma encomenda que deve ter vindo de carrinho de carregador pois além do volume tem o peso.

    1.  Muito bem observado
      Por que

       Muito bem observado

      Por que a “democrática” rede Globo não monta um cenário com um montante de 10 milhões de reais e exibe em seu “impoluto” JN?

      Reposta: Mas cara pálida, a verdade está a vista: a GLOBO foi, é e sempre será GOLPISTA.

  3. Conversa cheia de curva…

    Depoimento todo preparadinho pra encaixar na defesa do Temer. Feito sob medida pra livrar a cara do amigo de mais de 50 anos.

    Só queria saber quanto (ou o quê) o Padilha está levando pra ser o boi de piranha da estória…

  4. Somos todos ingênuos ….
    O

    Somos todos ingênuos ….

    O que o pulha do Marcelo Odebrecht vai fazer é o que os pulhas sempre fazem. Ele vai incriminar o PT, a Dilma e o Lula e vai isentar todos os demais.

    Ele vai dizer com todas as letras que o PT, a Dilma e o Lula pediram dinheiro para ele, e que o dinheiro que ele doou foi fruto de propina. Ao PMDB e PSDB ele fez doações via Caixa 2. O Temer é inocente, o Aécio é inocente, o Alckimi é inocente, o Serra é inocente …. Eles queimam o Padilha, que fica na moite já com o montante expoliado intacto.

    Com este roteiro ele vai salvar as empresas dele, a fortuna da familia dele e de quebra vai garantir contratos com os golpistas.

    E o Brasil e o povo brasileiro, ora o Brasil e o povo brasileiro que se dane. Quem mandou ter o azar de ser parido nesta terra dos infernos.

     

    1. O Italiano ou o Pós-Italiano

      O Italiano ou o Pós-Italiano porventura usurparam a Presidência da República?

      Zé Trindade, você tá mais perdido do que cego em tiroteio, hein?

  5. Ele pediu que tudo fosse feito com amparo nas regras eleitorais

    “Ele não autorizou nem pediu que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral.”

    Muito pelo contrário. Ele pediu e autorizou que tudo fosse feito com amparo nas regras da Lei Eleitora. Eu juro, eu vi.

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