15 de junho de 2026

ICIJ ordena embargo, define jornalistas e impõe restrições a dados do HSBC

Entenda como o seleto grupo de jornalistas do ICIJ foi formado dentro do Consórcio e como as regras são impostas

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Jornal GGN – O periódico argentino La Nacion, reconhecido por destacada equipe de jornalistas de dados, publicou sua primeira reportagem sobre as contas secretas do HSCB na Suíça no dia 9 de fevereiro. Nela, o jornal revela como o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) restringiu a um seleto grupo o poder sobre os dados, e como controla a divulgação de todas as informações que são publicadas por esses jornalistas.

Acostumada a divulgar em sua plataforma online a base completa de dados, o La Nacion é um dos pioneiros, depois dos veículos norte-americanos, a formar uma equipe especializada de redação para trabalhar com dados, consolidada na integração afinada entre o repórter e o programador. O resultado, além de infográficos completos e inovadores, é o cruzamento de informações para se chegar a notícias e conclusões inéditas.

Ao contrário da lógica da competitividade tradicional do mercado de comunicação, o valor da informação no jornalismo de dados não está no seu sigilo ou exclusividade, mas no compartilhamento, para que mais bancos de dados possam ser acessados e cruzados, e mais notícias descobertas.

Essa forma própria, seguida até então pelo La Nacion, não foi repetida no caso SwissLeaks.

De acordo com a reportagem argentina, em julho de 2014, os coordenadores do Consórcio convocaram os jornalistas membros, informando-os que teriam acesso a dezenas de milhares de contas bancárias do HSBC, vazadas pelo técnico de informática Hervé Falciani. Em setembro, reuniram-se apenas aqueles que participariam do grupo menor de membros do ICIJ:

“Todos estavam lá, como membros do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), ao qual só pode se ingressar pela escolha de seus membros atuais. Na redação do Le Monde, foram acordadas algumas orientações sobre como o grupo iria avançar a investigação e determinadas datas-chave”.

Uma dessas datas foi marcada para a primeira e segunda semana de fevereiro de 2015. A partir dos dias que se seguiram, os jornalistas de La Nacion mergulharam em 3,3 gigabytes de documentos, que necessitou de seis meses de trabalho.

A escolha de um grupo que contasse com veículos de todo o mundo, segundo o La Nacion, foi a forma que o ICIJ encontrou para que as informações previamente filtradas pelo Consórcio tivessem mais força internacional. O que foi visto, por exemplo, nas primeiras publicações de Fernando Rodrigues, no Uol, que foram a mera tradução de reportagens estrangeiras.

Diante das informações vazadas para a Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP), com posse das contas de argentinos no HSBC, e a consecutiva divulgação seletiva pelo Governo argentino de nomes de correntistas, o jornal solicitou que publicasse algumas reportagens antes do combinado. A resposta foi negativa: “o que deve ser respeitado em termos jornalísticos é chamado de ‘embargo’. Ou seja, esperar até uma determinada data para publicar conjuntamente todos os dados”.

“Este foi um compromisso inicial e é o que lhe pedimos ainda que em circunstâncias urgentes”, respondeu ao La Nacion uma diretora do ICIJ.

A política editorial do La Nacion, a exemplo do que ocorreu aqui no Brasil com o blog do Fernando Rodrigues, foi escolher, a partir de agora, publicar apenas as contas secretas ligadas a figuras públicas ou grandes empresários argentinos.

A reportagem do periódico argentino revelou que a escolha calculada das datas, do que seria publicado e dos membros do ICIJ que integram a equipe que está analisando as contas secretas do HSBC foram decisões concentradas de poucas mãos, partindo da direção do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Leia mais:

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Contas secretas do HSBC paralisam o mundo, menos o Brasil

Internautas fazem trabalho dos jornais no caso HSBC

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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17 Comentários
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  1. Ninguém

    20 de fevereiro de 2015 7:01 pm

    Blá! Blá! Blá!

    Conversa mole pra boi dormir.

  2. Edivaldo Dias Oliveira

    20 de fevereiro de 2015 7:03 pm

    Onde entra e sai o “Monde” nessa história?

    Até onde me foi dado entender, num dos primeiros post aqui, é que tudo teve origem no jornal “Le monde”, que recebeu os arquivos do ex-funcionario, ou coisa assim,  e resolveu compartilhar com o ICIJ, que por sua vez tá fazendo corpo mole e liberação seletiva dos dados.

    Quem conhece um pouco a história desse bravo jornal sabe que por lá patrão não é chamado de coleguinha, que o sindicato de jornalistas tem uma presença forte na redação, com comissão de imprensa e editoria eleita pelo conjunto de profissionais ligados a informação.

    Ora, sabendo-se da postura suspeitíssima do ICIJ, por que o pessoal do Monde não “chupa” o pau da barraca e assume de uma vez por todas a responsabilidade pela divulgação completa dos arquivos?

    Por que cargas d’agua os demais profissionais de imprensa ao redor do mundo não pressiona a redação do fracês, associando-se a ele em multirão para compilar e divulagar o dados que o ICIJ insiste em seletivizar?

    Será que ao passar a base de dados para o ICIJ o pessoal do MOnde ficou sem nada, sem uma cópia, se quer?

    Nesse caso, será que o ex-funcionário não teria uma cópia sobresalente. 

     

  3. veras

    20 de fevereiro de 2015 7:17 pm

    A lista do HSBC

    Essa lista que tivemos acesso é de figuras públicas ou grandes empresários?

    Eu não conheço 90% dos cerca de 50 nomes que apareceram. São grndes empresários? Quem?

    1. Luís Henrique Donadio

      23 de fevereiro de 2015 9:37 am

      A lista a que tivemos acesso

      A lista a que tivemos acesso não é de figuras públicas, embora contenha alguns grandes empresários (especiamente Augusto Ribeiro de Mendonça e Saul Dutra Sabbá). Ela também não foi divulgada pelo Fernando Rodrigues. É resultado de um “vazamento” anterior, não controlado pelo ICIJ.

  4. MarFig

    20 de fevereiro de 2015 7:41 pm

    Conversa mole pra boi dormir.

    Conversa mole pra boi dormir.

  5. Ivan de Union

    20 de fevereiro de 2015 7:58 pm

    Tem mais alguem sentindo

    Tem mais alguem sentindo cheiro de orquestracao no ar?

    1. Tony

      20 de fevereiro de 2015 9:30 pm

      Quem acredita nessa fraternidade do Soros?

      e de enxofre… ou seria metano?

      Rarefeito e irrespirável…

      1. Ivan de Union

        20 de fevereiro de 2015 9:39 pm

        Essa maconzada de merda quer

        Essa maconzada de merda quer fazer uma Loja Detroit no Brasil, Tony!

  6. gaúcho

    20 de fevereiro de 2015 8:00 pm

    Uma coisa é certa o PIG

    Uma coisa é certa o PIG nacional e internacional são unidos, diferente da esquerda eles não deixam nenhum compadre abandonado à beira da estrada.

  7. Andre B

    20 de fevereiro de 2015 8:02 pm

    A esquerda cai na armadilha dos “leakers”!

    Muita gente de esquerda está caindo em uma armadilha com esse negócio de vazamento de dados. Julian Assange, Glenn Grewald e Edward Snowden politicamente são ultraliberais, simpaticos senão organicamente ligados ao grupo mais a direita do partido republicano americano, o grupo de Ron Paul. Julian Assange já expressou sua admiração por Ron Paul e o partido pirata australiano criado com seu apoio fez coalisão com a extrema direita quando esperavam que o fizesse com o partido verde. Edward Snowden contribuiu financeiramente para a campanha de Ron Paul nas primarias em 2012 e em chats na internet dizia que seguridade social deveria ser extinta e que ‘os velhos não são feito de vidro’. Greenwald em agosto de 2007 esteve no Cato Institute (um think thank de extrema direita ultraliberal americano), se declarou um admirador do instituto e do que ele vinha fazendo durante o governo Bush. Mas há algo ainda pior: Grennwald  tem na sua carreira de advogado a atuação pro brono (de graça) em defesa de neonazistas. Não é nada espantoso, portanto, que “O Globo” tenha sido o veículo escolhido por Greenwald que agora se encontra no Brasil para divulgar os dados da espionagem do NSA. A ligação dos leakers com neonazistas e com os ‘libertários’ – nome adotado pelos fascistas de mercado – não é casual. Ron Paul contou com o apoio dos grupos neonazistas nas primárias de 2012; não rejeitou o apoio. Pior ainda, o Anonymous hakeou correspondencias eletronicas que evidenciaram encontros de Ron Paul com a extrema direita neo-nazi. E que o Brasil tem a ver com isso? O Instituo Von Mises Brasil, o maior tink tank da extrema direita ultraliberal no Brasil – do qual Rodrigo Constantino é parte atuante e conta com a contribuição de Diogo Costa que já trabalhou no Cato Institute, foi colunista do Globo e da Folha – traduz vários textos de Ron Paul para o português.

    Esse caso do HSBC está parecendo mais um passo no ‘caminho da serpente’ da extrema direita: atrair a simpatia da esquerda pois os casos divulgados são realmente escandalosos, criar uma revolta, justificada, diga-se de passagem, mas com alvos muito bem selecionados e com resultados usados a favor da ultradireita! O ICIJ conta com o financiamento de George Soros, outro agente da ‘terceira posição’, cujo envolvimento nas ‘primaveras’ que acabaram em tenebrosos invernos é mais do que documentado.

    Seguem os Links com as fontes das informações deste comentário(exceto o do Von Mises Brasil, não vou propagar esse lixo, quem quiser confirmar pode conferir), infelizmente em inglês:

    http://www.newrepublic.com/article/116253/edward-snowden-glenn-greenwald-julian-assange-what-they-believe

    http://www.nytimes.com/2011/12/26/us/politics/ron-paul-disowns-extremists-views-but-doesnt-disavow-the-support.html?_r=2&hp&

    http://www.liveleak.com/view?i=cb5_1372379074

    1. Gão

      21 de fevereiro de 2015 2:29 pm

      cuidado com a conversa dos ultraliberais

      além disso Diogo Costa é lateral do internacional

      e cantor nas horas vagas

      é pois é pois é pois é pois é

  8. Tony

    20 de fevereiro de 2015 8:38 pm

    Bullshit!

    Bullshit!

  9. luka

    20 de fevereiro de 2015 9:53 pm

    Hahah,, armação da boa. 
    E

    Hahah,, armação da boa. 

    E tem jornalista investigativo que aceita uma imoralidade dessas. 

    Ah esqueci. O jornalismo morreu. Agora são assessores de imprensa,, do mercado. 

  10. Severino Januário

    21 de fevereiro de 2015 1:27 am

    Queira Deus que esta montanha

    Queira Deus que esta montanha possa parir pelo menos uma ninhada de ratos.

    1. Luís Henrique Donadio

      23 de fevereiro de 2015 9:43 am

      O banqueiro Saul Sabbá, dono

      O banqueiro Saul Sabbá, dono do Banco Máxima, e um dos “assessores” do processo de latrinização promovido pelo Fernando Henrique, já foi implicado no escândalo.

      Nós é que não estamos sabendo aproveitar…

  11. altamiro souza

    21 de fevereiro de 2015 10:58 pm

    falem com o hervê

    falem com o hervê falciani….

    quem abe, numa dessas, ele aceite fornecer aos blogs os

    dados que ele vazou para esses jornais….

    porque, sinceramente, não dá para acreditar nessa

    grã-mídia nacional e internacional conluiada  aos mesmos

    interesses de sempre do capitalismo selvagem, financeirizador.

    o jornaista greenhald ( é isso?), do guardian, chegou perto,

    acompanhou o snowden, apoiou-o, conseguiu até a sua transferencia para moscou, etc e tal… 

    por que não tentar com o falciani?

    1. Luís Henrique Donadio

      23 de fevereiro de 2015 9:44 am

      Ou que tal entrevistas com

      Ou que tal entrevistas com alguns dos cinquenta da lista pequena? Ou pelo menos uma tentativa, pra que se possa dizer, “foi procurado, mas não retornou as ligações”?

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