A segunda cidadania de Eduardo Cunha, por Janio de Freitas

“A dupla cidadania é uma condição que Eduardo Cunha sempre evitou mencionar. Compreende-se” 
 
 
Jornal GGN – Em seu novo artigo, Janio de Freitas traz pontos importantes sobre os próximos capítulos a respeito de Eduardo Cunha, em especial, sua segunda cidadania italiana, que nunca foi mencionada na Operação Lava Jato. Na última semana, o deputado afastado teve seu passaporte brasileiro apreendido, mas não o passaporte italiano. Freitas também destaca que, além da segunda cidadania “pouco ou nada conhecida” não se discute também se Cunha a estaria utilizando para operações financeiras no exterior. 
 
 
 
Por Janio de Freitas
 
A esquecida ou ignorada cidadania italiana de Eduardo Cosentino da Cunha, brasileiro descendente de imigrantes de Castellucio Inferiore, passa a ter uma importância judicial não prevista, contra uma utilidade previsível por seu detentor. É o primeiro efeito da iminente decisão do ministro Teori Zavascki sobre as restrições à liberdade de Cunha, da prisão à tornozeleira eletrônica, a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot.
 
Em princípio, amanhã começa o prazo de cinco dias dado pelo ministro para apresentação de defesa por Eduardo Cunha. Na Câmara, seu tempo disponível para manobras é ainda razoável. Mas no Supremo Tribunal Federal, entre sua defesa e a decisão sobre o pedido de Janot, é questão de dias. E, como o pedido incluiu a “apreensão do passaporte”, mesmo se referindo apenas ao brasileiro, isso indica, é claro, preocupação com possibilidade de fuga. Para a qual, a ocorrer, o uso provável seria o do documento italiano, não do brasileiro. Mas não consta indício de intenção fugitiva de Cunha, a não ser o estreitamento do círculo que o ameaça.
 
Ao contrariar, por insuficiência de motivação, as prisões de José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, o ministro Zavascki expôs um conceito quase como um recado: “A prisão preventiva representa simplesmente uma antecipação da pena, o que tem merecido censura pela jurisprudência desta Suprema Corte, sobretudo porque antecipa a pena para acusado que sequer exerceu o seu direito constitucional de se defender”. Daí, além da lembrança a certos praticantes de prisão como prioridade, o novo prazo dado à defesa de Eduardo Cunha.
 
A dupla cidadania é uma condição que Eduardo Cunha sempre evitou mencionar. Compreende-se. Apesar de suas sucessivas façanhas, é uma figura pouco desvendada. Quando se lançou candidato à presidência da Câmara e publiquei, aqui mesmo, o problema e os riscos que sua eleição traria, muitos me fizeram perguntas porque o ignoravam de todo. O jornal mesmo não se interessou pela importância do tema. E pode-se supor que não tem sido muito diferente com a Lava Jato. Como uma das pessoas mais informadas há muitos anos e ainda hoje, para isso valendo-se de qualquer meio, não será surpreendente que Eduardo Cunha saiba mais sobre cada integrante da Lava Jato do que os integrantes, somados, saibam dele.
 
Corroboram tal hipótese uma suposição e uma constatação. A primeira: seria estranhável que Eduardo Cunha, dispondo de segunda cidadania pouco ou nada conhecida, não a utilizasse para artifícios em operações financeiras no exterior. A outra: não consta ação alguma da Lava Jato direcionada para a verificação de contas, investimentos e transações por meio da cidadania italiana de Eduardo Cunha. Bem, não consta nem sequer menção da Lava Jato à segunda cidadania. Se não houve quem dela falasse em troca de benefícios, lá ela inexiste. O que é ainda mais exótico por outro motivo.
 
A batida na moradia de Eduardo Cunha esmiuçou até as peças de roupa dele e de sua mulher nos armários, como provou o papel recolhido em bolso, sobre um deputado. Outro achado foi uma cópia parcial de passaporte italiano do deputado. Indicação suficiente para muita investigação posterior. Disso, porém, não há notícia. O cidadão italiano tem a paz que o cidadão brasileiro perdeu.
 
TRIO
 
1) Ao aceitar a sugestão de cobrar a Henrique Eduardo Alves a renúncia ao ministério, Michel Temer reconheceu, implicitamente, a validade do rol de acusações feito por Sérgio Machado. Já eram de conhecimento público várias menções a Alves na Lava Jato quando Temer, considerando-as inválidas, nomeou o aliado. Se agora exige a demissão, é por dar crédito às palavras de Machado. Entre as quais figura, mal, o nome Michel Temer.
 
2) Extinguir a TV Brasil será uma violência típica de ditadura. Para qualquer medida, um governo decente apresentaria, primeiro, comprovação dos motivos de sua crítica. Depois, se convincentes as suas provas, poria em discussão as possíveis correções. A TV Brasil presta serviços de interesse público dos quais as emissoras particulares se afastam cada vez mais. O governo já dispõe de outro canal para suas manipulações.
 
3) A FGV-RJ faz amanhã um “debate” sobre modos de evitar a corrupção. Um dos dois convidados é Moreira Franco. Só pode ser ironia. Das grossas. 

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14 comentários

  1. Dupla cidadania

    Caberia uma investigação de sua

    possivel ligação com a mafía Italiana, pois o seu modo de agir e agora com essa informação, fica claro que representa os interesses da mafía.

  2. Não fosse o MP suiço, Cunha

    Não fosse o MP suiço, Cunha poderia sair leve e solto desse “pequeno incômodo” “imposto” pela lava jato. O tribunal de Curitiba jamais teve em mente inportunar severa e cabalmente os homens de bens, seu propósito original foi desestabilizar o governo e prender Lula. Cunha é somente ferramenta nese jogo cujos titulares são promotores, juizes, empresários de mídia e jornalistas canalhas e serviçais.

  3. ESQUECIDOS

    Alguém acredita que a Policia Federal é de um primarismo tão grande para “esquecer” a dupla nacionalidade desse sujeito ? 

  4. A FGV/RJ fará debate sobre

    A FGV/RJ fará debate sobre modos de evitar a corrupção, sendo Moreira Franco um dos convidados. Realmente, isso só chheira a deboche. 

    Acho muito difícil Cunha tentar se abrigar fora do Brasil porque não é somente ele quem está sob as vistas de Moro, mas a esposa e a filha também. Na verdade, Cunha e a esposa são considerados réus em processo. 

    Não se pode olvidar da falta de caráter de Cunha. Este ser já demonstrou ser capaz até de vender a mãe pra se livrar da cadeia. É mais fácil ser preso, e delatar muito, como fez Machado, que ora está lépido e fagueiro em sua mansão no Ceará, com promessa de devolver setenta milhões de dinheiro pra justiça, sem, contudo, sabermos quanto da roubalheira toda ele ficou.

    Cunha, não duvidemos, ainda vai fazer todos os colegas rodar, e sair de cabeça erguida desse imbróglio que ele mesmo criou.

  5. FGV, Convide o Cunha e Temer!
    A FGV deveria convidar Eduardo Cunha tambem, afinal quem é especialista em corromper deve saber tambem como evitar a corrupção.  “3) A FGV-RJ faz amanhã um “debate” sobre modos de evitar a corrupção. Um dos dois convidados é Moreira Franco. Só pode ser ironia. Das grossas.” 

  6. Espero que  pelo menos  se

    Espero que  pelo menos  se  fugir  para a  Italia   tenha o  mesmo  fim que  Pizzolato  ser   extraditado  para  pagar  pelo que  fez.  Vamos  so ficar  esperandoi que  a  italia  nao tenha  dois  pesos duas medidas. 

    • Imagino que diferente do caso

      Imagino que diferente do caso Pizzolato, o governo italiano não sofreria qualquer pressão para extraditar o Cunha, na hipótese de sua fuga para a Itália. Afinal o Eduardo Cunha prestou relevantes serviços ao conglomerado golpista daqui e de outras terras, além de ter informações que ninguém quer que venham à tona. Uma solução,  digamos, mais radical seria pouco recomendável no momento. Mais adiante, quem sabe…Dessa forma, não há muita sofreguidão pelo seu encarceramento por aqui, tanto que, segundo o artigo, não houve interesse pela sua dupla cidadania, o que seria de se esperar depois da aventura do Pizzolato. 

  7. É por isso

    que Janot, o sonso fascista, lhe deu tanto tempo… talvez pra que ele organizasse sua nova vida no Velho Mundo.

    O STF apenas está esperando o momento certo para decretar sua prisão:

    isso se dará quando ele e a honrada e recatada família esteverem confortavelmente instalados na Embaixada Italiana mais próxima, e portanto a anos luz da possibilidade de qualquer policial federal chegar pelo menos a 1 km de distância do dito cujo.

    E viva o “domínio de fato”, quem mantém preso Zé Dirceu e está salivando para algemar o Lula e a Dilma.

  8. DUPLA CIDADANIA

    NÃO INTERESSA AO POVO QUAL A CIDADANIA QUE ELE VENHA A CONSEGUIR, QUANDO  ELE PRATICOU O CRIME DE EVASÃO DE DIVISAS A CIDADANIA DELE ERA BRASILEIRA, LOGO ESSE FINHEIRO ROUBADO DO POVO BRASILEIRO TEM QUE SER REPATRIADO.

  9. E até parece que só há paraiso fiscal na Suíça, Cunha deve

    ter muito mais dinheiro desviado, sabendo agora desse passaporte italiano, com certeza é uma possibilidade, assim como um final como PC Farias é outra possibilidade.

    Sabemos que não tem ninguém querendo a delação premiada dele, principalmente certo membro do STF que se reuniu inumeras vezes com ele para tratar do golpe .

  10. Por que o site da folha não mostra o texto?

    Será que querem esconder este artigo p/ ajudar o Cunha?

    Será que o Jânio afirmou sem boas provas?

    Será que querem esconder isto p/ prejudicar o Cunha? (PF, MP e justiça só tão esperando ele usar o passaporte)

  11. a legislação brasileira

    a legislação brasileira consolidada é que nada que se fez com a outra cidadania não se deve nada aqui, mas no país dessa. Por isso., como  Bastistola  nada fez aqui quando era cidadão brasileiro, o que fez sendo italiano, quando ele for para  Itália , essa que faça o  achar justo

     

  12. + comentários

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