Janot diz que Lava Jato fez bem aos negócios e cientista denuncia a hipocrisia no discurso

Jornal GGN – A ida do procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Fórum Econômico Mundial de Davos despertou críticas por parte de alguns acadêmicos que questionam o impacto da Lava Jato na economia nacional. A operação na Petrobras correu sem preocupação em preservar as empresas envolvidas nos esquemas de pagamento de propina. Pelo contrário, multas bilionárias foram cobradas aqui e em outros países. 

Ainda assim, Janot disse ao jornal O Globo que sua viagem ao Fórum teve a missão de levar uma mensagem: a de que o combate à corrupção no Brasil é “séria” e que não haverá “retrocessos. Além disso, a Lava Jato é boa, na visão do PGR, porque mantém o ambiente de negócios “saudável”, “sem capitalismo de compadrio, sem cartelização”.

As empresas agora podem “competir de forma sadia entre si, preocupadas com a eficiência econômica e com o desenvolvimento tecnológico. Essa é a Mensagem que o Brasil passa hoje para o mundo e é a mensagem que trago para o Fórum Econômico Mundial.”

Na visão do cientista social e professor da PUC-MG Robson Sávio dos Reis, a missão de Janot é de uma hipocrisia sem tamanho. Isso porque o encontro de Davos reúne anualmente uma série de empresários que veem o combate à corrupção como algo para inglês ver. “É onde os grupos que manipulam o cerne da corrupção internacional se reúnem para louvar o combate à corrupção. Nisso, há muito em comum entre Davos e essa república das bananeiras”, disparou.

Por Robson Sávio dos Reis

No Brasil 247

Janot, o vendedor de ilusões

Está na página institucional do Ministério Público Federal as competências do Procurador-Geral da República:

O procurador-geral da República é o chefe do Ministério Público Federal e exerce as funções do Ministério Público junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sendo também o procurador-geral Eleitoral. O PGR deve sempre ser ouvido em todos os processos. No STF, o PGR é legitimado a propor ações diretas de inconstitucionalidade, representação para intervenção federal nos estados e no DF, além de propor ações penais públicas e cíveis. No STJ, o PGR pode propor representação pela federalização de casos de crimes contra os direitos humanos e ação penal. O PGR é quem designa os subprocuradores-gerais da República para exercer, por delegação, funções junto aos diferentes órgãos jurisdicionais do STF e do STJ.

Portanto, há que se perguntar: por que o sr. Rodrigo Janot resolveu dar uma de embaixador anticorrupção do Brasil no encontro de Davos? Essa é uma nova atribuição da PGR?

Na ausência de Temer, o decorativo, coube ao representante do rentismo internacional que dirige nossa economia, o Sr. Meireles, representar o país no encontro dos usurpadores da riqueza mundial. Levou à tiracolo o procurador-geral da República, com a missão de dizer aos detentores do capital especulativo internacional que no Brasil se combate a corrupção. Realmente, esse governo é simultaneamente trágico e hilário!

Será que o sr. Janot acha que os investidores internacionais, conhecendo o staff dos três poderes da república, acreditarão no combate a corrupção nessa república das bananeiras, como se fossem os leitores de veja ou os expectadores do jn? Que acreditam nesse conto da carochinha segundo o qual a PGR e a Justiça brasileira agem com isonomia e retidão no combate aos maus feitos públicos e privados?

É preciso dizer ao sr. Janot que só os batedores de panelas e alienados midiáticos acreditam que um governo de corruptos – do qual ele se dignou ser embaixador – combate a corrupção.

Por um acaso está no rol das (novas) funções da PGR fazer pirotecnia em foros internacionais, para tentar salvar a imagem carcomida, pelo menos lá fora, de uma juristocracia e uma camarilha golpista atoladas em privilégios e ações nada republicanas?

Talvez haja uma explicação plausível para a ida do sr. Janot até Davos. Lá (o ápice do encontro dos rentistas internacionais – que expandem seus negócios graças à corrupção generalizada que move o capitalismo neoliberal -), está travestida na sua forma mais perversa a pseudo-narrativa do combate a corrupção. É onde os grupos que manipulam o cerne da corrupção internacional se reúnem para louvar o combate à corrupção. Nisso, há muito em comum entre Davos e essa república das bananeiras.

Assim sendo, depois da embaixada do sr. Janot a Davos, sugerimos às organizações globo a criação de mais uma categoria de premiação: o troféu vendedor de ilusões.

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