4 de junho de 2026

Nascente do Rio São Francisco secou

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do G1

Diretor de parque diz que principal nascente do Rio São Francisco secou

‘Nunca vi essa situação em toda a história’, afirmou Luiz Arthur Castanheira.

Bacia abrange 5 estados; biodiversidade está ameaçada, diz especialista.

Caroline Aleixo e Carolina Portilho * Do G1 Centro-Oeste de Minas

 

O diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira, disse em entrevista ao G1 na tarde desta terça-feira (23) que a nascente do Rio São Francisco, situada em São Roque de Minas, secou. Segundo Castanheira, essa nascente é a principal de toda a extensão do rio, que tem 2.700 km. O São Francisco é o maior rio totalmente brasileiro, e sua bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação – Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas, e desemboca no Oceano Atlântico na divisa entre Alagoas e Sergipe.

Nascente Rio São Francisco (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Principal nascente do rio está seca (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

Segundo Castanheira, o motivo é a estiagem. “Essa nascente é a original, a primeira do rio e é daqui que corre para toda a extensão. Ela é um símbolo do rio. Imagina isso secar? A situação chegou a esse ponto não foi da noite para o dia. Foi de forma gradativa, mas desse nível nunca vi em toda a história”, afirmou.

Rio São Francisco (Foto: Bacia abrange mais de 500 municípios de sete estados)

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, disse ao G1 que, embora a notícia ainda não tenha chegado oficialmente ao conhecimento do comitê, não causa surpresas em virtude de essa ser uma das estiagens mais graves desde que foi iniciado o acompanhamento histórico do rio. Para ele, a situação é preocupante, já reflete no nível das barragens e ameaça a biodiversidade do São Francisco.

“Isso não é comum, é preocupante. Não há dúvida de que algo em grande escala está mudando em nosso ecossistema. As principais barragens do Alto São Francisco, que são a de Três Marias e Sobradinho, estão sendo ameaçadas e se aproximam do limite de volume útil de água. Ou seja, a água dos principais afluentes está chegando ao nível zero, e a biodiversidade do rio está comprometida, além de a qualidade do rio estar se deteriorando”, explicou Miranda.

O volume útil da Represa de Três Marias, que é a primeira barragem construída ao longo do rio, chegou a registrar 6% nesta semana. A de Sobradinho, 31%. “São níveis baixíssimos e que causam impactos catastróficos, como já vem ocorrendo no Baixo São Francisco. Com o nível baixo, o oceano está invadindo o rio e salinizando a água doce”, concluiu Miranda.

Ele ressaltou que, apesar de a nascente em São Roque de Minas, no Centro-Oeste do estado, não ser determinante para o volume de água da bacia, ela serve como um “termômetro”, uma vez que o nível dos reservatórios da região é fundamental para o São Francisco.

Soluções
O presidente do Comitê da Bacia do rio diz que não se pode contar com o período mais úmido que deve vir após outubro. Ele defende que, independente das mudanças climáticas, a questão é emergencial e, para ser amenizada, deve-se mexer no modelo da bacia enérgica do São Francisco, realizando um grande pacto das águas.

Anivaldo Miranda pontuou ainda que o poder público deve tratar a bacia hidrográfica com prioridade por ser uma das principais do Brasil e estar entre as mais vulneráveis. “O rio atravessa quase 1 milhão de quilômetros quadrados de região semiárida, atende a região nordeste e grande parte de Minas, onde há grande vulnerabilidade hídrica”, afirmou.

Diante dessa situação crítica, que na visão do especialista começou a se agravar em abril do ano passado, o Comitê da Bacia do São Francisco vai realizar audiências públicas com pessoas diretamente ligadas à bacia. O diálogo terá duração de 18 meses e será feito com o governo federal, municípios, usineiros, mineradores, pescadores, população nativa das comunidades ribeirinhas e comunidade civil. O objetivo das audiências será discutir sobre o futuro da bacia e apresentar a urgência de investir na recuperação hídrica do São Francisco.

Nascente Rio São Francisco (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Principal nascente que secou fica na cidade mineira de São Roque de Minas (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

Incêndios
Para piorar a situação, a seca tem causado vários focos de incêndio no Parque Nacional da Serra da Canastra nos últimos meses – levando à utilização da pouca água do São Francisco para apagá-los. Em julho, o fogo devastou cerca de 40 mil hectares de vegetação nativa. “Combatemos as chamas usando água do parque, mas isso não foi o fator mais agravante. O que pesa mais é a seca, a falta de chuva. Corre pouquíssima água, e essa realidade é triste”, disse o diretor do parque. O incêndio mais recente durou quatro dias e, pouco depois, outros focos foram registrados.

A estiagem deste ano ocorre em todo o país há vários meses, exceto na região Sul. Em Minas, diversas regiões enfrentam o problema da seca, entre elas cidades do Triângulo Mineiro, Zona da Mata e Centro-Oeste do estado, que já chegaram a decretar situação de emergência pelo desabastecimento e a multar moradores flagrados desperdiçando água.

E as previsões são pouco animadoras. A primavera começou às 23h29 desta segunda-feira (22) e, de acordo com o meteorologista Marcelo Pinheiro, da empresa Climatempo, a tendência é que na estação a temperatura fique de 2ºC a 3ºC acima da média nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. No Sul, a temperatura pode ficar até 3ºC acima da média.

Além disso, a primavera deve ser caracterizada por temperaturas um pouco acima do normal e chuvas dentro da média na maior parte do país – porém ainda insuficientes para resolver o problema de falta d’água nos reservatórios. Especificamente para a região afetada pela seca no Centro-Oeste de Minas Gerais, a previsão é de que o período de chuvas só comece em outubro.

*Colaboraram Palmira Ribeiro e Anna Lúcia Silva

Fogo deve ser erradicado nesta quarta-feira  (Foto: Edvaldo Fausto/Divulgação)Incêndio no parque no dia 8 desse mês controlado com apoio de aeronaves (Foto: Edvaldo Fausto/Divulgação)

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12 Comentários
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  1. João Maria Fernandes de Sousa

    25 de setembro de 2014 12:01 pm

    Engraçado, SP está a beira de

    Engraçado, SP está a beira de um colapso no abastecimento de água, em decorrência do “choque de gestão” tucano que privatizou os lucros da SABESP e deixou pra população o lamaçal tóxico do volume morto dos reservatórios, e o G1 (Rede Globo até o talo) nos vem com uma matéria sobre a “morte do São Francisco” que inclusive já está sendo contestada na internet.

    Até o dia 05/10 eles vão conseguir convencer os paulistas de que a problemática do Cantareira está sendo devida, entre todos os outros motivos que não tem nada a ver com Geraldo Alckmin, também a essa “seca” do Velho Chico.

    Nassif, se esse post for uma barriga, espero que o Velho Chico tenha de você o direito de resposta.

    1. BRAGA-BH

      25 de setembro de 2014 1:02 pm

      Velho Chico

      Posso até concordar com você no que se refere ao uso desonesto das informações relacionadas à água principalmente no qyue se refere aos problemas de São Paulo. Mas a reportagem não foi uma barrigada! Moro a poucos quilometros desta nascente e os rios das cidades aqui de perto são os que desaguam no São Francisco. A coisa é MUITO mais séria do que a reportagem quer indicar. Nosos principais rios estão num volume de dar dó! Rios como o Itapecerica (que banha Divinópolis) estão com volume sanitário! O rio Pará, que abatece cidades como Divinópolis, Conceição e São Gonçalo do Pará estão sofrendo com o baixo volume e a proliferação de plantas aquáticas devastadoras.

      Até o Rio das Velhas que abastece grande parte da Região Metropolitana de BH está em agonia.

      Se aqui em Minas que é o berço do Velho Chico a coisa está neste nível, imagina os afluentes do rio Bahia afora, locai onde a seca é mais perene do que aqui?

  2. Álvaro Noites

    25 de setembro de 2014 12:07 pm

    Já já algum sábio pigal vai

    Já já algum sábio pigal vai culpar a transposição do Rio São Francisco.

    Os idiotas são muito criativos, diria Murphy.

  3. Eric Voegelin

    25 de setembro de 2014 12:19 pm

    Culpa do PSDB e da grande

    Culpa do PSDB e da grande midia.

  4. Assis Ribeiro

    25 de setembro de 2014 12:32 pm

    Dois pontos

    1) alerta sobre a grave crise climática no planeta

    2) Para os que utilizam os problemas da falta de chuvas e secagem de uma das nascente do São Francisco para tirar a responsabilidade de Alckmin nos erros graves de gestão e manejamento da crise no estado

    Foi irresponsabilidade dos governos de SP não ter tido o cuidado de aumentar suas reservas de água enquanto crescia o consumo com novas industrias, agricultura e aumento populacional

    A crise já era prevista por vários estudos

    Outra irresponsabilidade foi não ter promovido o racionamento inteligente para evitar o secamento dos mananciais e colocando em risco o uso básico dela; o de matar a sede de humanos e animais.

  5. Renato Kern

    25 de setembro de 2014 1:00 pm

    Só falta água em estados governados por tucanos.

    Só falta água em estados governados por tucanos. Será que a natureza conspira contra o PSDB ou suas incompetências não pode mais ser escondida. 

  6. Nicolas Crabbé

    25 de setembro de 2014 1:03 pm

    Preparação

    Trata-se de preparar o terreno para justificar o racionamento que deve ser anunciado em São Paulo assim que passar a eleição.

    Se até o rio São Francisco, um dos maiores rios do Brasil, foi afetado pela seca, realmente não se pode culpar o governador pela falta de água no sistema Cantareira. Ou seja, é uma fatalidade, ou como se usa em linguagem técnica para negar a cobertura em caso de sinistro, “an Act of God”.

    Muito convenientemente, esquecem que a catástrofe era previsível desde no mínimo o início do ano, e nenhuma medida de contingência foi tomada, para não prejudicar a reeleição.

  7. IV AVATAR

    25 de setembro de 2014 2:20 pm

    Dirigente do WWF: “Tirar o pré-sal da lista também seria uma boa

    Dirigente do WWF: “Tirar o pré-sal da lista também seria uma boa ideia”

     Estarrecedor isso,  tá tudo dominado por WWF e ONGs americanas pró-Marina, confira: 

    Captura de Tela 2014-09-24 às 06.05.16

    por Luiz Carlos Azenha, a partir da dica do FrancoAtirador Em entrevista à GloboNews, a secretária-geral da ONG WWF no Brasil, Maria Cecília Wei de Brito, deu conselhos à presidente Dilma Rousseff. A WWF, como se sabe, é majoritariamente financiada fora do Brasil.
    Como a ONG se coloca no papel de, ainda que indiretamente, interferir na política eleitoral interna dos países em que atua (você verá logo mais), é mais que justo que a gente também lembre que o onguismo vem sendo crescentemente criticado no mundo.
    Não estou falando de Hugo Chávez ou Vladimir Putin. O primeiro, na Venezuela, proibiu as ONGs de financiar as atividades locais que eram formas disfarçadas de ajudar a oposição. Putin fez o mesmo na Rússia e chegou a ameaçar que expulsaria todas as ONGs do território nacional.
    Estas atitudes não cairam do céu.Na Venezuela, a advogada Eva Golinger revelou a existência de um plano escrito para causar distúrbios durante o governo de Nicolás Maduro, sucessor de Chávez. O documento está aqui. Uma reportagem sobre ele publicada pelo Viomundo, aqui.O documento foi produzido em encontro, em junho de 2013, pela empresa de consultoria FTI Consulting, dos Estados Unidos e pelas organizações colombianas Fundación Centro de Pensamiento Primero Colombia e Fundación Internacionalismo Democratico. Ambas teriam ligações com o ex-presidente de extrema-direita, Álvaro Uribe. Da reunião em que se definiu a estratégia contra o chavismo participaram o chefe regional da famosa USAID (Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos), o psicólogo e estrategista Juan Jose Rendon e líderes da oposição venezuelana, inclusive Maria Corina Machado, que tem viajado o mundo denunciando Chávez/Maduro.
    Aqui, permitam-me uma digressão. Eu era correspondente da TV Manchete em Nova York quando aconteceu o grande escândalo no governo conservador de Ronald Reagan, o Irã-Contras. Secretamente, os Estados Unidos venderam armas ao Irã, país com o qual não mantinham relações diplomáticas e que estava sob embargo internacional para compra de armas. Foi em 1986. O Irã estava em guerra contra o vizinho Iraque, numa disputa por campos de petróleo fronteiriços.
    Os Estados Unidos forneciam informações relevantes a Saddam Hussein, do Iraque, sobre o movimento de tropas do Irã (o ditador iraquiano correu risco de ser derrotado militarmente). Os iranianos atacavam com ondas humanas e, com fotos de satélite fornecidas por Washington, Saddam sabia antecipadamente onde as ofensivas estavam sendo organizadas.
    No mesmo período, os Estados Unidos venderam armas ao Irã. Com o dinheiro, financiaram outra guerra, a dos chamados “contras”, que tentavam derrubar o governo legítimo, constitucional, sandinista e de esquerda da Nicarágua.
    Quando a casa de Reagan quase caiu e ele ficou sob o risco de ver fechada a torneira no Congresso, optou por uma espécie de privatização da política externa. A CIA era muito visada pelos crimes em série que havia cometido mundo a fora. Assim, foi criado o NED, o National Endownment for Democracy, uma super ONG financiada com dinheiro público que passou a “promover a democracia” no mundo, obviamente sob a tutela financeira e política de Washington. O NED, vamos dizer, é generoso: repassa dinheiro para entidades ligadas a republicanos e democratas, sindicatos e empresários. Ao NED se juntaram outras fundações e entidades que se dizem de fins não lucrativos, todas interessadas em “promover a democracia”. Há, inclusive, divergência entre elas.
    Porém, basicamente o que fazem é treinar a chamada sociedade civil de outros países para ensinar democracia ao estilo dos Estados Unidos. Algumas são mais agressivas, outras não. Algumas prestam serviços de fato relevantes. O fato central é que elas fixam, nas pessoas “treinadas” por elas, a ideia de que não há alternativa ao modelo norte-americano. Ajudam a promover um pluralismo de fachada, já que exlcuem qualquer transformação mais profunda de estruturas intrinsicamente injustas. Confinam o debate.
    O NED e associados, como a Fundação Soros, incentivam a “exportação de democracia” treinando militantes, focando em jovens, ensinando novas formas de comunicação. Não foram as responsáveis, mas estimularam revoltas no Leste Europeu, na África e no Oriente Médio. Coincidentemente, quanto mais fragilizados estiverem outros Estados, mais fácil fica o domínio dos países centrais sobre os recursos naturais do mundo.

    Segue link para post na íntegra, assista ao vídeo

     http://www.viomundo.com.br/denuncias/wff-apoiadora-de-marina-declara-tirar-o-pre-sal-da-lista-tambem-seria-uma-boa-ideia.html 

     

  8. altamiro souza

    25 de setembro de 2014 2:32 pm

    esperoque chova muito em

    esperoque chova muito em ambos os lugares.

    mas o uso político desse problema parece-me evidente.

  9. +almeida

    25 de setembro de 2014 6:14 pm

    Será?

    Será que a dobradinha Alckmin x SABESP secaram a nascente? Será que tentaram “desviar” o caminho da nascente para SP? E se for? É rapto de nascente? É sequestro? É desvio? É desespero ou mais irresponsabilidade? Kkkkkkkkkkk…

  10. Luis Sifer

    26 de setembro de 2014 2:00 am

    É emblemático, mas não é a

    É emblemático, mas não é a constatação principal sobre a eminente morte do Velho Chico.

    Um rio morre do fim para o começo.

    O fato de o mar já ter tomado 50km rio adentro no delta do São Francisco é realmente o que alerta que o rio chega cada vez com menos força e intensidade em sua foz, e esse é o resultado final, a soma total, das agressões que o rio sofre em todo o seu persurso. 

     

  11. samoel

    26 de outubro de 2014 8:19 pm

    seca na nascente

     Venho a preucupar a cada dia com o rio são francisco, moro em uma cidade ribeirinha e vejo as construções na beira do mesmo em vez de nossos govenantes esta fiscalizando e plantando arvores para concervar. Eu vi tambem a poucos dias a nascente do rio são fransico não tinha arvores só cabim eu fiquei muito triste com isso, sei que não posso fazer quase nada mas sou a beja flor que guando a floresta estava quimando ela pega agua para apagar o fogo quem sabe se as nossas autoridades não acorda e comesa a cuidar dos nossos rios e corregos

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