6 de junho de 2026

O balanço do impeachment no Senado

 
Jornal GGN – A batalha pelo impeachment no Senado, que tem a responsabilidade constitucional para julgar se a presidente Dilma Rousseff cometeu ou não o crime de responsabilidade, vai além de fatores partidários e de oposição ao governo, como também considera o fator Temer na Presidência. Nesse sentido, partidos tendem a formar rachas, uma vez que a decisão dos senadores é etapa final irreversível para a destituição do poder da presidente.
 
O placar atual apresenta uma margem grande de variações*. Dos 81 senadores, 50 são favoráveis à abertura do processo de julgamento pela Casa, mas apenas 39 afirmam que votarão a favor do impeachment, pelos méritos das pedaladas fiscais. Na primeira etapa, quando o Senado decide se aceita votar o processo ou não, que está prevista para o dia 12 de maio, 20 parlamentares votarão contra. E, para o placar final, 21 decidem não afastar a presidente.
 
Nesse balanço, 7 senadores não declararam o voto da segunda semana de maio e 11 também preferiram não se manifestar para a votação final. Ainda na primeira fase, um deles não respondeu, um não irá votar e dois estão indecisos. E, no voto final, três não responderam e 7 estão indecisos.
 
Como se pode perceber, a volatilidade ainda é alta e não se tem uma resposta definitiva de como irá caminhar o impeachment contra a presidente Dilma. Nesse cenário, um fator será determinante: se, como diz o balanço, o Senado aceitar julgar o processo, Dilma será afastada por até 180 dias, ou enquanto o julgamento durar na Casa Legislativa. Isso significa que, a partir do próximo dia 12 de maio, o vice Michel Temer poderá assumir a Presidência do país em até seis meses, que equivale a um oitavo de um mandato presidencial.
 
Nesse meio tempo, negociações do PMDB de Temer e de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara e encabeçador do impedimento de Dilma, a nível de Ministérios, cargos de segundo e terceiro escalões, projetos de interesses parlamentares, medidas econômicas de bancadas de peso no Senado, entre outras moedas de troca poderão definir a saída efetiva da presidente. 
 
Um dos partidos que já adiantaram voto 100% pelo impeachment, o PSDB de Aécio Neves (PSDB), analisa se apoiará, ou não, o pós-processo: um governo Temer. O PMDB, que carrega posicionamento histórico de bastidores dos projetos PT-PSDB, agora tenta garantir o apoio da oposição direta à presidente Dilma.
 
A nível estadual, o PSDB encontra-se dividido e decidirá sobre a aliança após consultar seus 78 mil filiados, em reunião do diretório paulista. A maior liderança do PSDB de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, já manifestou que defende um apoio parlamentar, mas não a nível Executivo em forma de cargos no governo Temer. 
 
Por outro lado, os encontros entre o peemedebista e o senador José Serra (PSDB-SP) se intensificaram. Além de já ter sido procurado pelo vice, neste domingo (24), Serra voltou a se reunir com Michel Temer no Palácio do Jaburu. O senador é cotado como um possível ocupante de Ministério. 
 
Além disso, tucanos afirmam que a distância do governo Temer é necessária, considerando as investigações da Operação Lava Jato que miram peemedebistas. “O partido ficará exposto, o tempo todo, a perguntas de como é ser companheiro de Esplanada de investigados”, disse um líder aecista ao Painel da Folha. Ainda, o PSDB é autor do processo de impugnação contra a chapa Dilma e Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim, o que se vê, hoje, no PSDB é um racha sobre o posicionamento entre apoiar ou não o possível mandato.
 
Outro partido que deve definir suas indicações junto à Executiva é o PSB. A sigla se viu em meio a um racha, após orientar seus correligionários a votar pelo impeachment, mas ter parte da bancada contra o posicionamento. Quando definiram não “fechar questão”, ou seja, liberar os filiados a votarem de acordo com convicções próprias, apesar da indicação, da bancada de 32 deputados presentes, 29 votaram a favor e 3 contra na Câmara, no domingo (17).
 
Agora, o partido novamente se reunirá, nesta quinta (28), em convocação do líder Carlos Siqueira, que defende o apoio a Michel Temer no Congresso, independentemente de cargos. Outros partidos, como o DEM, PP, PSD, PR e PRB devem solicitar postos em escalões do Executivo para o voto favorável. 
 
Nessa mesma linha, centrais sindicais como a Força Sindical, a UGT, CSB e a Nova Central, pedirão a Temer, nesta terça (26), um governo com menos juros e mais empregos – medidas já defendidas pelo peemedebista em suas cartilhas, que impõem, como contrapartida, reduções de investimentos em saúde, educação, salário mínimo, previdência social e simplificação de leis trabalhistas.
 
Leia mais:
 
*O mapa utilizado como base de dados foi o produzido pela Folha de S. Paulo aqui e aqui.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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  1. j.marcelo

    25 de abril de 2016 4:46 pm

    BOICOTE ÀS OLIMPÍADAS JÁÁ,SE

    BOICOTE ÀS OLIMPÍADAS JÁÁ,SE O GOLPE PASSAR!

    Segundo o leitor GilsonAS alguns países já pensam em boicote! (Rússia?)

    ACHEI FENOMENAL,POR ISSO COMENTO AQUI!!!!

  2. Somebody (temporário)

    25 de abril de 2016 4:55 pm

    Eu não tenho nenhuma razão

    Eu não tenho nenhuma razão para acreditar que o “julgamento” do senado brasileiro será diferente do “julgamento” da câmara dos deputados, se duvidar irá se repetir o “show de horrores”. É o mesmo fisiologismo e a mesma compra e venda de votos, só muda o número de envolvidos de pouco mais de quinhentos para pouco mais de oitenta.

  3. Elvys

    25 de abril de 2016 4:55 pm

    Por toda onda de boataria

    Por toda onda de boataria sobre um possível governo Temer, posso concluir que a briga nos bastidores: está intensa, ninguém consegue se entender, alguns estão com receio de participar de um governo ilegítimo que tentará impor medidas impopulares, o próprio vice decorativo (que continuará decorativo caso Dilma venha à ser deposta) me parece estranho, considerando que pode alcançar sem voto o cargo máximo da República (estarão ocorrendo chantagens?). Resumindo: está em vias de se instalar a República do Vale Tudo. E a grande dúvida: como chegaremos em 2018?

  4. DanielP

    25 de abril de 2016 5:14 pm

    O balanço é:Dilma está fora,

    O balanço é:

    Dilma está fora, é carta fora do baralho, o republicanismo mandou a conta, caros Dilma e Lula.

    Aliás, ja formaram o Ministério de Temer, Serra na educação e Meirelles na Fazenda, podendo indicar o Presidente do BC.

    Olha, pode ser que Temer seja ruim, mas é melhor um Governo ruim do que nenhum Governo.

     

     

  5. CB

    25 de abril de 2016 5:25 pm

    De acordo com Jânio de

    De acordo com Jânio de Freitas, cada voto pelo Sim no circo do cunha teria valido duas milhas; apareceu também que cada voto pelo Sim dariam direito a uma cota de 142 cargos ao deputado. Quanto será que vai valer cada Sim no senado?

  6. S.Bernardelli

    25 de abril de 2016 6:20 pm

    No senado já valeu

    O dono da Mabel já pagou aos senadores para votarem a favor do impeachmente, investigar esse sujeito não precisa, não vem ao caso. Ninguém se salva, todos estão golpeando a democracia inclusive a justiça.

    1. DanielP

      25 de abril de 2016 6:32 pm

      E o que a Dilma fez contra

      E o que a Dilma fez contra ele ?

      Nem uma denuncia na delegacia fez.

      É por isso que ela ja caiu.

  7. NRA

    25 de abril de 2016 8:46 pm

    A batalha pelo impeachment no

    A batalha pelo impeachment no Senado, que tem a responsabilidade constitucional para julgar se a presidente Dilma Rousseff cometeu ou não o crime de responsabilidade…

     

    Enfim, uma afirmação correta neste blog sobre o julgamento no Senado

  8. altamiro souza

    25 de abril de 2016 10:32 pm

    depois de 180 dias o governo

    depois de 180 dias o governo temerlão não terá mais credibilidade alguma,

    menos do que já tem já de início….

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