Por popularidade e autoproteção, Bolsonaro quer Sérgio Moro como ministro


Bolsonaro batendo continência a Sérgio Moro, em encontro em aeroporto, em maio de 2017 – Foto: Reprodução Youtube
 
Jornal GGN – Assumindo o posto maior da República a partir de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro (PSL) disse que convidará o juiz federal Sérgio para ocupar um cargo em seu governo: ou ministro da Justiça ou, se preferir, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
 
A declaração foi dada por Bolsonaro para abafar junto à população o tom de críticas duras já iniciadas ao seu novo governo, com as recentes decisões polêmicas, por exemplo, em relação a uma rígida reforma da Previdência que deve afetar milhões de brasileiros.
 
Como Sérgio Moro é idolatrado por grande parte do eleitorado que votou em Bolsonaro, e o então candidato usou o slogan do “combate à corrupção” e antiPT, nessa mesma linha, para obter a maior quantidade de votos, o novo mandatário do país deverá retribuir a Moro os votos que conseguiu às suas custas.
 
Da mesma forma, a medida é uma maneira de Bolsonaro se proteger judicialmente, diante de denúncias que já tramitam contra o seu nome no Supremo Tribunal Federal (STF).
 
“Pretendo convidá-lo para o Ministério da Justiça ou – seria no futuro – abrindo uma vaga no Supremo Tribunal Federal, na qual melhor ele achasse que poderia trabalhar para o Brasil”, respondeu o presidente eleito, durante entrevista ao Jornal Nacional, na noite de ontem (29).
 
Outros temas polêmicos também foram abordados por Bolsonaro na entrevista, como chamar a nossa Constituição Federal – valorizada mundialmente por diversos constitucionalistas e juristas internacionais devido às proteções e garantias cidadãs que estabelece – de “bíblia”. 
 
Contra a comunidade LGBTs, Bolsonaro também diminuiu a acusação de “homofobia”, chamando a punição de “rótulo”. E sobre a imprensa, apesar de defender ser “totalmente favorável” à liberdade de imprensa, mas chegou a ameaças a Folha de S.Paulo, por exemplo, de não receber recursos do governo federal por divulgar informações contra ele.
 
“Não quero que [a Folha] acabe. Mas, no que depender de mim, imprensa que se comportar dessa maneira indigna não terá recursos do governo federal”, ameaçou, completando: “Por si só esse jornal se acabou”.
 
Mas, preocupado com a imagem que irá construir assim que assumir o poder e como mecanismo de evitar revoltas populares, pediu para os eleitores que não votaram nele para darem a ele “uma oportunidade”.
 
 
 
 

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