23 de junho de 2026

Principismo e realpolitik – duas visões da política, por Motta Araujo

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Principismo e realpolitik – duas visões da política

Por Motta Araujo

O conceito de REALPOLITIK, a política de resultados como o oposto da política de princípios não foi criado por Bismarck como muitos pensam. Suas raízes estão em Maquiavel, depois aperfeiçoadas pelo Príncipe de Metternich e teorizadas pelo historiador alemão Ludwig von Rochau. Bismarck foi um adepto do conceito. E seu mais famoso operador no Século XX foi Henry Kissinger, autor de um clássico sobre Metternich “UM MUNDO RESTAURADO”.

Kissinger aplicou a frio o conceito quando foi o formulador do acordo dos EUA com Mao Tse Tung, que mudou a história do mundo ao abrir a China Comunista para o capitalismo e para o Ocidente.

Mas Kissinger não esteve sozinho. Mais importante e anterior a ele na diplomacia americana foi George Kennan, embaixador na URSS e primeiro chefe de planejamento político do Departamento de Estado, que formulou a política de contenção, o “CONTAINMENT”, que aplicada por 50 anos levou ao fim da União Soviética.

A “política de contenção” que propunha não enfrentar a URSS ideologicamente, mas apenas fazê-la se esgotar economicamente deu resultado.

A “politica de contenção” foi formulada em 1947 e Kennan previu a que a União Soviética se desintegraria por exaustão econômica em 50 anos.

Em que consiste na prática a REALPOLITK? Significa abrir mão de princípios e ideologias e focar nos resultados práticos de uma ação política. Passar por cima de princípios, abandoná-los se for necessário e  operar apenas para obter resultados.

O caso do restabelecimento de relações diplomáticas com a China Comunista é um clássico. Os EUA por fidelidade a Taiwan, resquício da luta de Chiang Kai Shek contra os japoneses e depois contra Mao, não tinham relações diplomáticas com a China, Taiwan era para os EUA a China.

Por principio tinham razão, por resultados era absurdo. A China Comunista era uma realidade maior que Taiwan, Kissinger fez Nixon abandonar os princípios que diziam que os EUA deveriam ser fiéis a Taiwan e fez um acordo com seu arqui inimigo, o diabo em pessoa, Mao Tse Tung, aquele que os EUA mais abominavam no mundo.

Agora, no restabelecimento de relações com Cuba, o Presidente Obama opera a  “realpolitik”, abre mão de princípios e procura resultados comerciais e geopolíticos. Os americanos são em geral “principistas”, mas isso está mudando a partir do fim da Segunda Guerra, eles estão caminhando para uma aplicação de “realpolitik” na sua política externa.

No Brasil, o caso da “Lava Jato” é um exemplo clássico de não aplicação do conceito de REALPOLITIK. Por uma questão de princípios morais e éticos um grupo de operadores do direito vai liquidar com um bom pedaço da economia nacional para punir “demônios” empresariais que são um capital importante para o País.

E a corrupção? É menos importante em valor econômico, infinitamente menos, do que a destruição de valor que a punição da corrupção via conseguir.

O Brasil pode perfeitamente crescer e ser próspero com corrupção até certo limite e pode afundar e empobrecer com uma política de excesso de controle e punições criadas por um terrorismo policial-judiciário.

Persegue-se 1 ou 2 bilhões de reais e destrói-se 700 ou 800 bilhões por paralisia de investimentos, clima de terror, pessimismo, má imagem causada por auto flagelação da economia e de seus agentes.

A corrupção é o lado negativo de um grupo de empresários, mas o lado positivo que eles geram é muito maior. Não interessa aos principistas. Eles preferem morrer a abrir mão de seus princípios. No caminho destroem valores, riquezas e gente. A expressão máxima dos principistas são os “fundamentalistas” grupos fanáticos que eliminam todos que não são iguais a eles.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

19 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. JMFREITAS

    5 de março de 2015 7:42 pm

    Excelente

    Pragmático e lúcido o artigo do senhor André Araújo.De fato para  eliminar alguns ratos  se pretende implodir o prédio inteiro. A falta de sensatez tomou conta de grande parte da opinião pública do país. Uma infinidade de “Robespierres” do Judiciário, Ministério Público e Imprensa atiça a “caça as bruxas”, numa onda de  vingança e não Justiça. Sim a corrupção deve ser combatida e punida mas não com colapso econômico. Sim os corruptos devem ser punidos, mas sem o  sadismo de humilhações e prisões arbitrárias com prazos indefinidos.   Aliás do que adianta engaiolá-los? O que importa é que devolvam o dinheiro surrupiado e prestem penas alternativas.  O sujeito é engenheiro, então trabalho durante dois anos, todo fim de semana, na construção de moradias populares. Do limão deve se fazer a limonada. Hitler não era corrupto ….

  2. ELG

    5 de março de 2015 7:44 pm

    Tem ideologia nas duas visões

    Prezado André,

    O que move ambas as visões é ideologia. A realpolitik é uma ideologia política, pragmática, mas ideologia, e, por sua vez, o principismo não é feito só de ideias abstratas, é bem pragmático nos seus objetivos. Ou vocês acham que a operação Lava Jato é puro principismo, não tem nada de realpolitik DA OPOSIÇÃO, que pretende sabotar o desenvolvimento brasileiro e boa parte do empresariado nacional? 

     

  3. Sérgio Rodrigues

    5 de março de 2015 8:08 pm

    Apenas

    Uma correção: A URSS se esvaiu nem tanto pela tática da contenção dos EUA, mas porque os sucessores de Stálin abandonaram as diretrizes da  polítca de construção e governança socialista formulada por Lênîn e, com base nessa, pelo próprio Stálin.

    No mais. você está absolutamente certo. É o que dá termos homens comuns pilotando assuntos para estadistas!

     

     

     

  4. Bruno Edson

    5 de março de 2015 8:11 pm

    Vamos ver se li bem

    Então o Motta Araújo vem resgata o conceito de REALPOLITIK para condenar ação de operadores do direito em tentar, eu disse TENTAR, limpar o ar corrupto que assola o país?

    Poxa, o autor do texto está sendo mais realista que a AGU. E já contei 2 textos com toda retórica para passar a mão na cabeça dos empresários.

    Acho ser a primeira vez que o lado corruptor está sendo investigado e escrutinado pela sociedade.

    Qual parte do “cansamos de corrupção” o autor do texto ainda não entendeu?

    1. Meire

      5 de março de 2015 9:58 pm

      Desista aqui você não engana

      Desista aqui você não engana ninguém.

  5. Daytona

    5 de março de 2015 8:55 pm

    O pior artigo sobre política

    O pior artigo sobre política externa da história do blog.

    Não existe “principismo e Realpolitik(termo alemão, substantivos sempre capitalizados)”, o que existe é Idealismo e Realismo, além de outros paradigmas de relações internaiconais.

     

  6. Meire

    5 de março de 2015 9:12 pm

    Por que se amotinam e planejam em vão? …

    Principistas nada. …GOLPISTAS!…

    Serão responsabilizados e punidos, por todo esse estrago que estão causando. 

  7. Daytona

    5 de março de 2015 9:26 pm

    Paradigmas realistas na

    Paradigmas realistas na prática existem desde o século XVIII, com a adoção de conceitos científicos do Iluminismo, como “equilíbrio”, nas relações internacionais. No Tratado de Utrecht, “Equilíbrio de Poder” foi citado pela primeira vez em um grande acerto internaiconal.

    Que absurdo, dizer que os EUA do pós-segunda guerra(guerra fria)não eram idealistas, completamente ridículo. A política externa da Guerra Fria foi completamente ideológica até Nixon adotar os paradigmas realistas defendidos por Kissinger. A política externa americana costuma alternar períodos de idealismo(como a fase inicial da Guerra Fria, a Nova Guerra Fria de Reagan e a Guerra ao Terror de W. Bush)com períodos realistas(Nixon, H. Bush, Obama).

    No caso da lava jato, a destruição das empresas brasileiras representa a fiel aplicação da doutrina do bacharelismo, ideologia dominante durante a República Velha. Tanto que todo o processo está sendo elaborado pelo bacharelismo institucionalizado(Judiciário, MP)e partidário(a UDN, i.e., PSDB e afins).

    A destruição da Petrobrás, criada por Vargas, um dos maiores inimigos do bacharelismo, que derrubou a oligarquia bacharel em 1930, é simbólica desse processo.

    O senhor Motta Araújo é um exemplo concreto da ideologia bacharelesca em ação, baseada em uma visão essencialmente ideológica de mundo, comumente baseada em certos valores morais e preconceitos, que vê comunistas, bolivarianos e petistas em qualquer opinião que não se conforme com seus dogmas.

    O dogmático bacharelesco é aquele que defende rompimento de relações com a Venezuela(mais superávit comercial do Brasil)ou com a Bolívia(território cordial da América do Sul e país com enromes reservas energéticas)por serem esses países governados por “bolivarianos cucarachas” ou “índios de cabelo lambido”.

    Esses termos depreciativos são batsante exemplificativos do nível de irracionalidade contido nessa visão de mundo retrógrada do conservadorismo brasileiro.

  8. Flavio Martinho

    5 de março de 2015 9:51 pm

    “Eles preferem morrer…” Não

    “Eles preferem morrer…” Não haverá morte nem risco.  A PF, os juízes, o MPF continuarão recebendo os gordos proventos pontualmente.

  9. Marcelo Castro

    5 de março de 2015 10:02 pm

    principismo é apenas um álibi

    Há muito que principismo é apenas o álibi que governos utilizam para impor seus interesses. No Brasil temos duas correntes distintas : os patrimonialistas e defensores de previlégios para minorias encabeçados pela oposição ,judiciário e mídia , e as correntes comprometidas com algum equilibrio social e distribuição de renda encabeçada pelo PT e correntes difusas da sociedade. As duas correntes utilizam diversas graduações de realpolitik para atingir seus objetivos e tem como álibi principismos toscos : neoliberalismo e desenvolvimentismo.  

  10. joão adalberto

    5 de março de 2015 10:12 pm

    Há controvérsias

    “O Brasil pode perfeitamente crescer e ser próspero com corrupção até certo limite e pode afundar e empobrecer com uma política de excesso de controle e punições criadas por um terrorismo policial-judiciário.”

    “Excesso de controle e punições criados por um terrorismo policial-judiciário” é impensável numa democracia.Ou não?

  11. armandolo

    5 de março de 2015 11:07 pm

    O paradoxo aqui, eh que o

    O paradoxo aqui, eh que o autor transformou-se em idolo da esquerda frequentadora do blog. Ou a teoria do fins que justificam os meios, ou ainda chã……chã…… chame o ladrao

  12. Paulo Souza

    5 de março de 2015 11:18 pm

    Me lembrei daquele filme

    Me lembrei daquele filme “Tubarão” (“Jaws”), do Spielberg. Eu me lembro bem que a cidadezinha de praia onde se passa o filme vivia do turismo e memso quando já era evidente que havia um tubarão monstruoso comendo banhistas o prefeito da cidade adotou a REALPOLITIK e liberou as praias no feriadão. Acho que ele estava certo, um tubarão comer meia dúzia de pessoas é tolerável. A economia da cidade vem em primeiro lugar…

  13. JB Costa

    6 de março de 2015 12:02 am

    Concordo que a ênfase quase

    Concordo que a ênfase quase que exclusiva aos aspectos moralistas e “idealistas” desse processo de corrupção na Petrobrás ao arrepio de outros fatores tão ou mais importantes por parte do aparato repressivo(Ministério Público e Judiciário) é contraproducente. Na abordagem dessa questão envolvendo variáveis tão complexas apelar para simplismos ou reducionismos cheira a irresponsabilidade.

    Entretanto, como quer o prezado autor do texto, tem a mesma equivalência em termos de inadequação lançar-se tudo na conta do que ele arbitra como realpolitiki, de resto um termo cunhado para definir interações no plano da geopolítica entre as nações e não um fenômeno nos quais há interconexão entre o Direito e a Política equanto regras e ciência de uma nação em particular. Simplificando: nem tanto a terra, nem tanto o mar. 

    A crítica é pertinente, mas a solução preconizada seria tão ou mais impertinente como o seu objeto. A ideologia por trás dela, qual seja, a de que os fins justificam os meios, é um indício de que Direita e Esquerda nos seus extremos envergam tanto que chegam a se tocar e até mesmo se confundir. 

    O que temos pela frente são crimes, condutas delituosas, cujas consequência nefastas para a vítima, no caso a Petrobrás e por extensão o próprio país, são imensas. A partir daí cabe ao Estado investigar, processar e punir os agentes causadores e beneficiados pelas maracutaias. O desfecho só poderá ser este sob pena da mais completa desmoralização das nossas instituições. Se não mesmo um Estado anômico. 

    Mas isso nada tem a ver com cruzadas moralistas que também estão a serviço das ideologias. Como é da mesma maneira absurdamente inócuo e sem resultado prático nenhum se penalizar entes abstratos como o são as ditas pessoas jurídicas enquanto entes que geram riquezas e progresso para o país através da oferta de trabalho, o bem mais precioso de um cidadão.

    Acredito que não é só possível, mas inevitável uma saída na qual se satisfaça as duas esferas que só aparentemente estão em contradição.  

     

  14. joselacerda

    6 de março de 2015 1:36 am

    Que graça!

    Essa oposição entre principista e adeptos da realpolitk é artificial. A distinção é mais embaixo: a que interesses econômicos servem.

  15. Sorb

    6 de agosto de 2016 9:48 pm

    Milênios antes de maquiavel

    Milênios antes de maquiavel já existiam filosofias do tipo “realpolitik” na Índia e na China, inclusive muitas dessas filosofias que influenciaram a europa, não o contrário.

  16. Sorb

    6 de agosto de 2016 9:48 pm

    Milênios antes de maquiavel

    Milênios antes de maquiavel já existiam filosofias do tipo “realpolitik” na Índia e na China, inclusive muitas dessas filosofias que influenciaram a europa, não o contrário.

  17. Gustavo Gazzinelli

    26 de outubro de 2017 2:58 am

    Que viva a corrupção! poderia
    Que viva a corrupção! poderia ser o título do artigo.

  18. Vinícius Carvalhal

    8 de agosto de 2018 12:49 pm

    Paradoxos políticos

    Gostei do artigo. Ele traz um pradoxo, ou ambiguidade, intrínseco: vale a pena tolerar a corrupção em prol da higidez econômica/política de um país? Que interesse deve prevalecer?

    Como a questão é complexa, não tem mesmo uma resposta fácil. O que importa, a princípio, é nos atermos aos fatos: se há devido processo legal para se conduzir à uma condenação criminal, ele deve ser respeitado – o que não se deu na lava-jato. Então pode-se dizer que houve “realjuridiks” na operação, pois o que se visou, a todo custo, foi condenar a classe política, ao custo do atropelamento das regras legais (e da própria democracia).

    Não acho que a realpolitik deva prevalecer sobre um Estado de Direito sadio, mas sobre esse arremedo em que nos encontramos ela poderia ser uma saída.

Recomendados para você

Recomendados