Sabesp vai aumentar tarifa de água da classe média e reduzir cobrança da indústria

Foto: Divulgação

Jornal GGN – A Folha de S. Paulo publicou nesta segunda (3) que após superar a crise do Sistema Cantareira, a Sabesp bateu recorde de lucro e, agora, desenvolve uma nova “estrutura tarifária” com base em quem pode mais, paga mais; quem pode menos, paga menos. Só que indústrias e prédios públicos teerão algumas benesses nesse cenário.

Segundo o presidente da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo, Jerson Kelman, há hoje cerca de 300 mil moradias no Estado que pagam a chamada tarifa social de água (R$ 15), quando este número poderia chegar a 1 milhão. Para isso, alguém precisa pagar mais caro. E, na visão da Sabesp, é a “classe média” que precisa fazer esse sacrifício.

“É absurdo que eu, morando em um flat, pague R$ 44 de água. Para a classe média, o custo da conta de água é muito baixo. Mas não é baixo para as famílias carentes”, disse.

E continuou: “De maneira geral, no Brasil, a tarifa é baixa se comparada à de primeiro mundo. A velocidade com que queremos avançar ao padrão de primeiro mundo, no padrão suíço, depende da população. Os suíços pagam mais. Interessa a todos dar condições à Sabesp para que ela preste melhores serviços e, ao mesmo tempo, possa exigir isso dela. A classe média não pode ir para Paris e dizer querer que São Paulo seja igual a Paris, ou Londres, sem querer se comportar como parisiense e londrino.”

O dirigente foi além: afirmou que não é justo que a classe média pague menos pela água do que “indústria e prédios públicos”. “A ideia é diminuir a distância entre esses dois setores.”

Kelman explicou que a classe média recebe um “subsídio”, na prática, que deve ser revisto porque a indústria está pagando “quase oito vezes mais” pela água. Ou seja, nessa reestruturação da tarifa, não é viável cobrar mais da indústria, que já vive um “situação perversa” no quesito tarifário.

“Isso é uma questão de pacto social, que passa por impostos. A sociedade brasileira não quer aumentar a diferença de classes, viver ilhada em fortalezas cercadas de grades. Queremos que nossos filhos e netos cresçam numa sociedade mais harmônica. Não estou querendo penalizar a classe média. Estou apenas dizendo que, se ela quiser, podemos ir mais rápido nos investimentos. Não quero impor”, ponderou.

A reportagem ainda apontou que com a crise, a Sabesp conseguiu fazer a população mudar de hábito e, hoje, reduziu a produção em 15% no volume de água. Isso significa queda de receita mas, de acordo com o presidente da companhia, não há preocupação porque essa redução significa “segurança hídrica”.

“Claro que [vender menos água] afeta a receita, mas tem que hierarquizar os temas. Na contradição entre faturamento e segurança hídrica, não tem dúvida nenhuma de que nossa prioridade é a segurança hídrica.”

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