
Temer em Davos ou De volta à Montanha Mágica
por Franklin Frederick
A pequena aldeia de Davos na Suíça, muito antes de tornar-se célebre por hospedar o Fórum Econômico Mundial, já era internacionalmente conhecida através do romance ‘A Montanha Mágica’ de Thomas Mann, publicado em 1924 e imediatamente saudado como uma das grandes obras literárias do século XX.
É em Davos, ‘A Montanha Mágica’, que Thomas Mann situa o sanatório Berghof onde, no romance, a elite da burguesia européia do início do século XX busca a cura para suas doenças pulmonares, principalmente a tuberculose. Nesta obra complexa, Thomas Mann retrata uma burguesia adoentada que, em Davos, progressivamente perde o contato com a realidade da ‘vida na planície’, a vida real. O ‘encanto’ da vida na ‘Montanha Mágica’ é quebrado, no final do romance, pela irrupção da Primeira Guerra Mundial. Thomas Mann mostra que foram a irresponsabilidade e a alienação da burguesia da época, isolada, distante e protegida na ‘Montanha Mágica’, que causaram a guerra.
No Fórum Econômico Mundial uma nova elite burguesa, não mais apenas européia, mas agora mundial, se reúne em Davos para celebrar a si mesma, suas realizações e sua visão de mundo. O Fórum é um outro sanatório Berghof a abrigar a elite do capitalismo internacional acometida desta doença mental chamada neoliberalismo. Exatamente como as personagens de Thomas Mann na ‘Montanha Mágica’, os participantes do Fórum Econômico Mundial também perderam todo o contato com a ‘vida na planície’, com a realidade da crescente desigualdade econômica mundial e sua conseqüente devastação social e ambiental. Em Davos defende-se – claro sintoma de doença mental – que cabe fundamentalmente ao mercado não somente encontrar as soluções para os diversos problemas atuais, mas organizar as bases mesmas da sociedade no século XXI, reduzindo o Estado a um papel meramente administrativo.
O Presidente Temer não poderia deixar de participar deste evento, afinal foi com o apoio de grande parte da elite internacional que se encontra anualmente em Davos que foi possível realizar no Brasil o golpe que o levou ao poder. A participação de Temer no evento oficial foi tímida, resumiu-se a uma única conferência de menos de 20 minutos em um auditório onde, devido a pouca audiência, biombos procuravam esconder as cadeiras vazias. A frase fundamental e reveladora do discurso de Temer foi:
‘Hoje, os principais atores no Brasil, políticos e econômicos, convergem em que não há alternativa à agenda de reformas que estamos promovendo’. (grifo meu)
‘Não há alternativa’ é a famosa frase dita por Margaret Thatcher ao promover a privatização de grande parte do setor público do Reino Unido, incluindo as empresas públicas de água e saneamento. Hoje, a maioria da população do Reino Unido quer a nacionalização dos serviços privatizados na era Thatcher, principalmente os de água. As parcerias público-privadas introduzidas pelo governo Thatcher se revelaram um desastre. O que Temer chama de ‘reformas’ são o seu programa de privatizações, complementado por medidas que procuram retirar quaisquer barreiras à expansão do capital, sejam elas leis de proteção ambiental ou de direitos de trabalhadores. Como programa político estas ‘reformas’ não tem – nem poderiam ter – nenhum apoio da população e por isso devem sem apresentadas como uma inevitabilidade histórica – ‘não há alternativas’. Com algumas décadas de atraso, a frase de Temer revela não apenas sua filiação ao neoliberalismo da era Thatcher, mas também algo ainda mais perturbador. Por ironia, o discurso de Temer foi dito no mesmo dia em que o Ex-presidente Lula foi condenado por 3 votos a zero no TRF-4. Ao afirmar que ‘os principais atores políticos e econômicos’ no Brasil convergem em que ‘não há alternativa’ , parece que Temer já sabia que o tribunal em Porto Alegre se encarregaria de acabar com a única alternativa viável para as próximas eleições. Em seu discurso Temer foi bem claro quanto a este ponto. A frase seguinte do discurso foi:
“O espaço para uma volta atrás é virtualmente inexistente.” (Grifos meus).
É preciso ler este discurso à luz desta condenação do Ex-Presidente Lula para compreender a amplitude do golpe e o poder REAL por trás dele. Por ser fundamentalmente antidemocrático, o neoliberalismo só pode se manter através de mentiras ou de violência. O Fórum Econômico Mundial faz parte de toda uma estratégia global de construção de uma realidade virtual – uma mentira – onde o neoliberalismo é apresentado como o único modelo ‘racional’ e ‘eficiente’ de organização econômica. Mas como em todo o mundo aumentam as contradições entre as promessas neoliberais e sua realidade, a mentira neoliberal se sustenta com cada vez mais dificuldade. É neste ponto que entra a violência, física ou simbólica, como contraparte da mentira necessária à manutenção da ideologia neoliberal. O discurso de Temer em Davos exprimiu sua completa adesão aos objetivos do neoliberalismo – o que já sabemos – porém mais ainda o discurso revelou, para alívio da elite econômica em Davos, que há no Brasil poderes organizados capazes de utilizar diversas formas de violência para sustentar o seu governo e as suas propostas, eliminando a possibilidade de qualquer alternativa.
Estranhamente, o segundo evento oficial anunciado pelo Fórum em que o Presidente Temer participaria – um debate público com a participação do Prefeito de São Paulo João Dória, do Presidente do Bradesco, do CEO do Itaú-Unibanco e do CEO da Nestlé Paul Bulcke desapareceu da agenda do Fórum.
Mas em um evento fora do programa oficial, um jantar fechado para convidados onde Temer fez a abertura do painel ‘Dando Forma à Nova Narrativa Brasileira’, o CEO da Nestlé estava entre os convidados, como informou a Folha de São Paulo.
Ao que tudo indica decidiram que o Presidente Temer e o CEO da Nestlé não deveriam aparecer juntos em público. Afinal, a Nestlé é bem conhecida pelo seu apoio à privatização da água e que negociações sobre este tema já existem entre a empresa e o Presidente Temer é de conhecimento público. A rejeição da maioria da população brasileira à privatização da água parece ter influído em tornar mais discreto o encontro entre Temer e o CEO da Nestlé em Davos.
A agenda de Temer em Davos, porém, revela a importância do tema água: Temer teve encontros privados com o Presidente Global da Ambev, Carlos Brito e com o CEO da Coca-Cola, James Quincey. Temer também encontrou o CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris. A água é a principal matéria prima utilizada pela Coca-Cola e pela Ambev. E ‘por coincidência’, Andrew Liveris faz parte do ‘Governing Council’ do Water Resources Group –WRG – a iniciativa da Nestlé, Coca-Cola e Pepsi para privatizar a água através de parcerias público-privadas. No site oficial do WRG, Andrew Liveris aparece ao lado do ex-CEO da Coca-Cola Muhtar Kent – outro membro do ‘Governing Council’ do WRG.
Já a Diretora de Comércio e Política de Investimentos da Dow Chemical, Lisa Schroeter, aparece como membro do ‘Steering Board’ do WRG, junto com Dominic Waughray, que é membro também do Comitê Executivo do próprio Fórum Econômico Mundial.
A Ambev é parte da AB InBev, grupo que comprou a sua grande rival SABMiller por 107 bilhões de dólares numa mega fusão que concentrou ainda mais o mercado das grandes empresas engarrafadoras de água, cerveja e refrigerantes. A SABMiller é uma das empresas fundadoras do WRG…O maior acionista individual do grupo AB InBev é o brasileiro radicado na Suíça Jorge Paulo Lemann.
O tema água parece ter sido parte da agenda do Prefeito de São Paulo João Dória em Davos. Ele não só também teve um encontro com Carlos Brito, Presidente da Ambev, mas também com a CEO da Pepsi , Indra Nooyi, que aliás também é membro do ‘Governing Council’ do WRG.
Nestlé, Coca-Cola, Pepsi, Ambev, Dow Chemical, WRG, toda esta rede de relações em torno do Fórum Econômico Mundial, revela como o big business se organiza para promover e executar sua agenda de apropriação das riquezas do planeta.
Temer e grande parte dos que vieram com ele, como a Senadora Marta Suplicy e o Deputado Beto Mansur, ficaram hospedados do hotel ‘Park Hyatt’ em Zurique. Segundo informação do hotel, a diária da suíte presidencial – que seria a escolha lógica para a hospedagem de Temer – neste período é de 5.220,00 francos suíços, cerca de R$ 17.640,00. Ou seja, o que foi provavelmente gasto em UM DIA de hotel equivale ao que um trabalhador recebendo um salário mínimo no Brasil levaria quase um ano e meio para ganhar. Através deste simples dado entramos no mundo da ‘Montanha Mágica’. Como podemos imaginar, este tipo de viagem comporta muitos outros gastos, como segurança, diárias com pessoal militar e diplomático, aviões, aluguel de transporte terrestre local, de salas, tradução, etc. Não creio que o Palácio do Planalto tornará público o total de pessoas e de gastos envolvidos neste passeio de Temer pela Suíça.
A concentração de riqueza e de poder político nas mãos de menos de 1% da população, o grupo representado pelo Fórum Econômico Mundial, na sua busca patológica de mais e mais lucro, só pode causar mais conflitos, destruição do tecido social e do meio ambiente. Thomas Mann já havia alertado: a ‘Montanha Mágica’ termina com a Primeira Guerra Mundial. Cabe a nós mudar este final.
Lâmpada de Diógenes
27 de janeiro de 2018 6:17 pmPapinho furado
“Hoje, a maioria da população do Reino Unido quer a nacionalização dos serviços privatizados na era Thatcher, principalmente os de água.” A maioria das populações sempre quiseram, e querem, muitas coisas. E o que, efetivamente, conseguiram? nada ou quase nada. Então vamos superar a fase do papinho furado (como esse texto) e passemos a ação. Qual seria a maneira mais eficiente, e mais imperceptível para os poderosos, de promover mudanças que coloquem as necessidades da maioria no poder? Já vimos que a democracia burguesa é beco sem saída. Como conscientizar o povo (ou a ralé, conf. JS), para que ele possa lutar pelo que lhe é devido? Antes será necessário neutralizar a mídia mercenária, como fazê-lo?
rdmaestri
28 de janeiro de 2018 1:16 amCaro amigo, citas Jessé Souza, mas parece que não entendeste!
Caro amigo, citas Jessé Souza, mas parece que não entendeste!
Uma das bases da argumentação de Jessé Souza é de desconstruir o discurso da intelectualidade de direita sobre a gestão pública, eliminando o falso discurso que as mazelas do patrimonialismo é, segundo estes intelectuais, o maior mal do Brasil e com isto eles escondem o mais importante, o domínio dos oligopólios sobre o Estado Brasileiro.
Esta tua pseudo indignação, extremamente sem a mínima consistência, procura minimizar mais uma tentativa de luta contra a direita. Palavras de ordem como as tuas ficam muito boas em reuniões de centro acadêmico onde numa campanha eleitoral cada candidato em meio minuto para falar.
Meu caro, simplesmente vociferar não leva a nada, e se não tens nada para dizer que te cales.
arkx
28 de janeiro de 2018 12:35 pmTemer em Davos ou De volta à Montanha Mágica
-> Como conscientizar o povo (ou a ralé, conf. JS), para que ele possa lutar pelo que lhe é devido? Antes será necessário neutralizar a mídia mercenária, como fazê-lo?
“O diálogo não é a conversa entre iguais, mas sim a conversa real e concreta entre diferenças que evoluem na busca do conhecimento e da ação que dele deriva. Diálogo é resistência.”
colocada a nocaute por uma realidade que por muito tempo se empenhou a negar, só cabe agora a Esquerda um duro movimento de rever seu pensamento e sua ação.
e isto só pode ser feito através de um debate que seja ao mesmo tempo franco, mas não ofensivo, e determinado, no entanto livre de fanatismos.
não haverá qualquer mudança sem uma profunda quebra de paradgmas.
exemplo:
não é nenhuma vanguarda iluminada quem “conscientiza” o povo. não se trata de se dirigir às massas como catequistas e portadores de alguma verdade.
basta reler os clássicos: “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social determina a sua consciência”.
em outras palavras: a realidade não pré-existe a luta. não há nenhum “povo” a conscientizar. quem gera consciência é a luta. é na luta que se estabelecem outras relações sociais, portanto é a luta quem cria o seu povo.
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Lâmpada de Diógenes
28 de janeiro de 2018 4:24 pmObrigado
Ao Arkx,
Agradeço a sua resposta, pois foi útil para mim. Ou por desacostumado a revisar o que escrevo ou por falta de intimidade com os termos, usei uma palavra inadequada uma vez que, de fato, talvez conscientização seja algo cabível apenas no âmbito interno do indivíduo. Assim não haveria como “conscientizar os outros”, ok. Lá nos anos de minha adolescência (70/80) era comum a expressão “conscientizar as pessoas/povo/massas” então…
O sentido do que quis dizer foi mais ou menos o seguinte. A partir do que pude ver acontecer, aqui e no mundo, agora e desde a era Reagan Tatcher, acho que, infelizmente, o sistema em que temos vivido não é capaz de levar a soluções (propositalmente ou não, creio que propositalmente, mas não quero me estender sobre esse ponto) que retirem da exclusão social os marginalizados desde sempre. Na minha visão (minha, não espero que ninguém concorde) o caminho usual, esperado, normalizado já se revelou inútil. Creio que simplesmente confiar que aquilo que se fez/acreditou até aqui (eleições, confiar no judiciário, ver a mídia como neutra ou cooptável, sugerir que o povo se defenda da manipulação com o controle remoto, pensar que apenas o debate de argumentos e uso da razão farão tudo se resolver, etc.) levará a mudanças significativas seria ilusão.
Também não acredito em soluções vindas “de fora” (salvadores da pátria, pais-dos-pobres, “catequizadores”, messias em geral, …). Penso que dentro dessa classe de excluídos é onde mudanças podem surgir. Mas aqui surge outra coisa. Segundo o que entendi dos livros do JS, esta “ralé” se encontra numa situação tal que, por exemplo, mesmo quando seus filhos conseguem acesso ao ensino, de quase nada lhes serve, pois, segundo descreve, ficam horas mirando o quadro negro sem nada compreender. Então deduzo que seria necessário algum “input”, centelha, gérmen de cristalização, energia, … (sei lá qual a melhor expressão) vinda de fora para romper esse “estado de energia mínima” possibilitando o surgimento de soluções. É aqui que se coloca a minha pergunta inicial, ainda que mal formulada e com termos inadequados, o que pode ser feito (se é que pode) para ajudar a que os próprios interessados busquem soluções para os problemas deles (que inadequadamente rotulei como conscientizá-los).
Enfim, já escrevi demais. Agradeço novamente, afinal, no mínimo poderia dizer que você não me mandou ficar quieto, como outros. Peço a gentileza de, se for possível, não ler o que escrevi com a lupa do rigor como talvez faça com os seus demais colegas intelectuais da área de “ciências humanas”. Me vejo apenas como um engenheiro que vive a já mais de 50 anos e de uns 20 anos para cá procura observar criticamente o mundo, o Brasil, as pessoas e a si próprio.
Saludos
arkx
28 de janeiro de 2018 9:43 pmTemer em Davos ou De volta à Montanha Mágica
-> com os seus demais colegas intelectuais da área de “ciências humanas”. Me vejo apenas como um engenheiro
não sou intelectual, tampouco acadêmico. e tive a feliz oportunidade de trabalhar por 10 intensos anos ao lado de engenheiros, matemáticos, estatísticos e economistas, o que me valeu uma imensa experiência prática da qual absorvi muito conhecimento.
-> Na minha visão (minha, não espero que ninguém concorde) o caminho usual, esperado, normalizado já se revelou inútil.
-> Também não acredito em soluções vindas “de fora” (salvadores da pátria, pais-dos-pobres, “catequizadores”, messias em geral, …).
concordo totalmente. e de longa data.
-> o que pode ser feito (se é que pode) para ajudar a que os próprios interessados busquem soluções para os problemas deles (que inadequadamente rotulei como conscientizá-los).
sem dúvida: esta é a grande questão.
é preciso uma quebra de paradigmas. pensar este processo sob outro modelo. num certo sentido, seria uma volta às origens do PT, com seus Núcleos Autônomos de Base. evidentemente, não uma volta pura e simples, já que todo o contexto mudou.
seja como for, este é um assunto complexo. e é justamente este o principal assunto a ser debatido e discutido agora.
sei que alguns diriam que não. que a prioridade é superar o golpe. a eles retruco que não há como superar o golpe sem discutir este assunto: uma reciclagem da militância política e das formas de organização.
tudo o que escrevo aqui no Blog do Nassif, versa sobre esta questão, considerando-a como o foco principal. até mesmo as críticas que faço, são para apontar nesta direção.
grande abraço
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vera lucia venturini
27 de janeiro de 2018 8:21 pmArtigo espetacular. Uma feliz
Artigo espetacular. Uma feliz alegoria entre o romance e a cúpula de Davos. Quem é Franklin Frederick?
arkx
28 de janeiro de 2018 1:06 amTemer em Davos ou De volta à Montanha Mágica
Franklin Frederick: o homem que enfrentou e venceu a Nestlé
ONG Nova Cambuquira
https://pt-br.facebook.com/novacambuquira/
vídeo: As águas Minerais de MG parte 1 de 5
[video: https://www.youtube.com/watch?v=YQApiL0H5w%5D
rdmaestri
28 de janeiro de 2018 1:50 amPara quem quiser ouvir o que interessa olhe a partir do …….
Para quem quiser ouvir o que interessa olhe a partir do terceiro vídeo.
arkx
28 de janeiro de 2018 12:14 pmTemer em Davos ou De volta à Montanha Mágica
pois no momento o ataque às águas minerais com poder curativo do Sul de Minas é desfechado pelo Governador Fernando Pimentel (PT), através da CODEMIG.
contra recomendação do MP estadual, e manobrando no TJ-MG para cassar liminar concedida pela 1a . instância, Pimentécio (como é conhecido em MG) conseguiu finalmente realizar o leilão para transferir à iniciativa privada o envasamento das águas de Caxambu e Cambuquira.
o Edital tem diversas irregularidades e a empresa vencedora no mínimo deve ser colocada sob suspeita.
encaminhada por associações de Cambuquira e Caxambu, a ação civil pública pela nulidade do leilão segue na Justiça Federal.
maiores informações podem ser obtidas na página da ONG Nova Cambuquira. e na matéria abaixo:
População luta contra a privatização da água no sul mineiro
vídeo: Os Guardiões das Águas – Depoimentos
[video: https://www.youtube.com/watch?v=1aJN0y1U3bs%5D
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Fernando Oliveira
27 de janeiro de 2018 11:19 pmÈ ruim mas é bom que isso
È ruim mas é bom que isso tudo aconteça. Depois, vem o equilíbrio. Ou através de uma catástrofe natural mundial, ou uma pandemia, ou uma revolta populacional generalizada, uma guerra mundial; o certo é que o que existe no mundo material, está colocado nos pratos de uma balança. Quando um lado pesa mais que o outro, logo o outro reage e retoma o equilibrio.
Thomas Morus
28 de janeiro de 2018 12:49 amVamos Ser Honestos
Sendo honestos… Lula também foi a Davos. Adiantou alguma coisa?
Os gastos também não foram astronômicos?
Procurei no google, não encontrei que o Presidente Mujica tenha ido.
Lâmpada de Diógenes
28 de janeiro de 2018 3:10 amDesculpe a franqueza, mas não sou seu amigo
Antes de mais nada, não escolheria como amigo alguém que começa com esse tom de falsa cordialidade e termina tentando “tapar a minha boca”. Segundo, se o que escrevi é nada, por que se deu ao trabalho de responder? Acho que uma boa definição para o nada poderia ser “aquilo que não pode produzir efeitos por si só”, não é mesmo? Terceiro, por que a minha indignação é pseudo-indignação? Acaso o Sr é a pedra de toque que prescrutando o coração das pessoas (e à distância) tem o poder de determinar o que é sentimento verdadeiro ou não? Pois saiba que o intuito foi esse mesmo, cujo resultado o Sr revelou: provocar e, quem sabe, fomentar alguma auto-crítica. Mas nen todos são capazes. A propósito, talvez o Sr devesse fazer uma reflexão sobre o porquê um nada, proferido por alguém que, a seu juízo, é um reles, incapaz de compreender ideias elementares, gerou o impulso para uma resposta tão hostil de sua parte. Palpite: uma reação inconsciente, em resposta ao fato de que o Sr (como muitos) talvez tenha excluído a ralé como agente do processo de mudança, vendo-a apenas como massa inerte a espera de quem a “salvasse” . Apenas um palpite.
Lâmpada de Diógenes
28 de janeiro de 2018 4:29 pmDesculpem, o comentário acima está fora de lugar
Deveria ter sido vinculado ao comentário agressivo do “pictograma gauchesco” contra meu comentário anterior.
rdmaestri
28 de janeiro de 2018 8:38 pmPela crítica ao texto não faria nenhuma autocrítica, mas ……
Pela crítica vazia ao texto que observei no teu comentário, não faria nenhuma autocrítica, porém pela grossura e a indelicadeza de minha partena, faço o que achas que não tenho capacidade de fazer, uma autocrítica, errei e errei feio.
Poderia ter criticado a intervenção como algo que achei incompleta e sem maior profundidade sem ter utilizado termos meramente provocativos e sem razão, poderia até apagar o texto e reescrevê-lo de forma contundente, porém de uma forma bem mais elegante e sem pressupostos que não teria como afirmá-los.
Não vai servir como uma justificativa, mas sim como uma explicação, não são todos os dias que são os nossos melhores, ou ainda, há dias que estamos nos nossos piores.
Não sei se vai produzir resultados, mas sinceramente peço desculpas.
Marilia Noronha
28 de janeiro de 2018 11:28 amFranklin e o meio ambiente
Franklin é nada menos que um dos maiores defensores do meio ambiente,é um articulador expert em diplomacia no trato com a coisa pública. Na luta com a defesa do Circuito das águas do Sul de Minas Gerais,desde 2001… Não é pouca coisa,sao dezessete anos só no ombro a ombro com a ONG Nova Cambuquira. Acredito que sem a articulação feita dentro do Brasil e no exterior,por ele,não teríamos chegado à tantas vitórias. Se hoje Ainda detemos o poder sobre nossas riquezas naturais e somos a primeira Cidade Azul das Américas,devemos a ele,e ao MP estadual e federal. Detentor de uma mente privilegiada,com inúmeros artigos não só pela internet mas bem como em rádios e televisões na Europa. Franklin fala várias línguas e é sempre çonvidado para palestras na Europa. As vitórias e ACPS que nos ganhamos devo aos membros da ONG, que guiados por essa mente brilhante desenhou o caminho que deveríamos trilhar… obrigada Franklin!!!!
Vanessa Manes
28 de janeiro de 2018 8:50 pmTemer em Davos
Excelente artigo.
O Brasil Vesta na contramão das Nações mais desenvolvidas ao participar de negociações para privatizar nossos aqüíferos, fontes e nascentes.
Precisamos ver um grande esforço para elucidar e comunicar o que significam esses processos. Vender ou conceder nossos recursos naturais estratégicos é um verdadeiro crime contra o país.
Em Minas Gerais a CODEMIG vem lançando editais para privatizar a exploração das Águas minerais. Empresas alimentícias como a Nestlé, cervejarias e algumas estranhamente desconhecidas faturam as concessões que são benéficas à elas e prejudiciais as cidades onde se localizam as fontes.
Será que deveríamos lançar um SOS ou uma campanha nacional para protegermos nossas águas?
Preocupante!!!!
Marilia Noronha
29 de janeiro de 2018 11:33 amNestlé
Em julgamento em ACP pelo MPE,a referida empresa foi condenada por praticar osmose reversa,atitude proibida no Brasil,nas águas minerais da cidade de São Lourenço ,mg,onde explora nossas riquezas naturais sem termos,enquanto sociedade civil nenhum acesso ao montante extraído ,a litragem total. Só quem tem acesso é o DNPM. Que eu saiba o único laboratório autorizado a fazer exame nessas águas é o LÂMIN,aí eu pergunto a Nestlé: Qual é o laboratório que examina a qualidade das águas engarrafadas? Qual a litragem oficial extraída? Quantos caminhões saem por dia? A osmose reversa tira todos os minerais nobres que de nossas águas,com as quais nos tratamos ,para onde foram eles,o litium por exemplo? Como fazem hoje,sem a osmose reversa?Porque as entidades da sociedade civil não conseguem entrar na fábrica?Os guardiões das águas do circuito no Sul de Minas,atentos,se sentem agredidos pelo descaso do governo de Minas,de nossas estatais e da moral e ética predominantemente doentes que atuam na entrega de água nobre mineralizada,entregue a senha de multinacionais sem o menor compromisso com o meio ambiente. O que fazemos agora com a portaria 971 que nos brindou depois de anos de luta,com o reconhecimento de que temos aqui uma alternativa de tratamento com nossa água mineralizada e gaseificada in natura?
Ana Paula L. Souza
31 de janeiro de 2018 5:30 pmEspetáculo dos horrores no Brasil
E o palco dos horrores não se cansa de alastrar. “Apesar de”, seguimos em defesa das águas.