The Guardian critica ministro do Meio Ambiente por referências a Chico Mendes

‘É irrelevante. Que diferença faz quem é Chico Mendes no momento?’, disse Ricardo Salles

Jornal GGN – O jornal inglês, The Guardian, criticou a postura de Ricardo Salles, atual ministro do Meio Ambiente, por suas críticas ao ambientalista assassinado Chico Mendes, defensor do Amazonas. Segundo o jornal, os comentários de Salles alimentam críticas à postura da administração atual, em que ambientalistas dizem ser excessivamente pró-negócio.

Salles disse ser Chico Mendes ‘irrelevante’ e que a mudança climática é uma ‘questão secundária’, aos jornalistas do programa Roda Viva, na noite de segunda. E foi a resposta que deu ao ser questionado sobre o famoso seringueiro, líder sindical e ambientalista assassinado em 1988. 

O ministro monitora o Instituto Chico Mendes, que recebeu o nome do defensor do meio ambiente e supervisiona as áreas protegidas do Brasil.

O jornal diz que Bolsonaro minimizou as preocupações ambientais durante sua campanha presidencial de extrema direita em 2018, ameaçando tirar o Brasil do acordo de Paris sobre a mudança climática e defendendo mais desenvolvimento econômico e de mineração na floresta amazônica.

Salles, por seu turno, disse aos entrevistadores no programa de TV Roda Viva que ele ouve relatos contraditórios sobre a vida de Mendes, dizendo que os ambientalistas elogiam seu trabalho, enquanto os agricultores locais afirmam que ele ‘usou os seringueiros para promover seus próprios interesses’.

‘É irrelevante. Que diferença faz quem é Chico Mendes no momento?’, disse Salles.

Seus comentários alimentaram as críticas à postura do governo, que os ambientalistas dizem ser excessivamente pró-negócios e interesses agrícolas.

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, que lutou ao lado de Chico Mendes quando ainda adolescente, no estado do Acre, disse que Salles estava ‘mal informado’ sobre o ativista. ‘Apesar da ignorância de Salles, a luta de Chico continua viva”’, escreveu Marina no Twitter.

Coroando o desconhecimento, Salles confirmou que iria viajar para a Amazônia pela primeira vez esta semana. Sua assessoria de imprensa não conseguiu esclarecer se foi sua primeira visita como ministro ou sua primeira viagem à região.

O ministro, diz o The Guardian, também reconheceu que as ‘deficiências’ regulatórias podem ter levado à ruptura de uma barragem de resíduos de mineração de propriedade da Vale AS, que lançou uma onda de lama matando pelo menos 165 pessoas e devastando o rio Paraopeba.

A Vale, explica o jornal, maior mineradora de ferro do mundo, sabia no ano passado que a barragem apresentava um risco elevado de ruptura, segundo um documento interno visto pela Reuters na última segunda-feira.

Em 2015, uma falha semelhante de uma barragem de rejeitos próxima em uma mina de co-propriedade da Vale, também no estado de Minas Gerais, matou 19 pessoas e danificou o Rio Doce.

O ministro disse, continua o texto, que o governo vinha gastando recursos técnicos e financeiros em licenciamento e supervisão de todos os tipos de projetos, e prometeu introduzir mudanças na política para resolver o problema.

Salles defendeu um sistema pelo qual as licenças ambientais para projetos menos complexos são emitidas mais rapidamente, dizendo acreditar que isso liberaria recursos para supervisionar projetos de maior complexidade, incluindo barragens de rejeitos, concluiu o jornal.

 

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