Conversa para boi dormir
por Izaías Almada
Entre a surpresa, a frustração e a euforia, o mundo assiste – como nas séries de TV – o grande sucesso de “O Sequestro do Narcoterrorista”, minissérie tendo como protagonista a revelação do ator Donald Trump.
As elites espalhadas pelo nosso planetinha vão do choro ao orgasmo na expectativa de como será o final do drama.
São tantas as elites encontradas ao redor do mundo nos dias de hoje, que chega a ser enfadonho e mesmo deselegante tornar evidente o fato de que uma descoberta ou de uma invenção feita pelo homem, sem que se configure tal fato a circunstâncias de que o descobridor e/ou o autor pertençam a uma elite qualquer.
O mesmo se pode dizer de celebridades nas artes ou nos esportes, como atrizes e atores de cinema e teatro, jogadores de futebol, lutadores de boxe e corredores de Fórmula Um… E, sobretudo, políticos em evidências ou em vias de se tornarem mais famosos do que merecem ser.
Qual o significado da palavra elite, sua etimologia?
Segundo o “Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa” de Antônio Geraldo da Cunha, o substantivo feminino elite significa o que há de melhor numa sociedade ou num grupo. Será mesmo “o que há de melhor”?
Em qual sociedade ou em qual grupo a elite é melhor do que o resto da população? Aqui a porca torce o rabo.
Don Corleone, por exemplo, pertencia a elite da máfia italiana nos Estados Unidos e Einstein à elite dos maiores físicos de todos os tempos…
Vê-se, por esses dois exemplos, que o substantivo indica aleatoriamente quem pertence a qualquer tipo de elite, seja ela mafiosa e fora da lei ou de homens que descobriram ou inventaram a partir de estudos da natureza condições de manutenção e sobrevivência do ser humano sobre a terra..
Contudo, o mundo gira e a Lusitana roda… Há uma nova elite em formação e nela vão se juntando psicopatas e sociopatas “around the world”, cada qual mais aloprado que o outro, onde a ganância pelo dinheiro e pelo poder supera leis e acordos internacionais de paz…
Cristo ou Barrabás?
Embora alguns malandros vestidos de cristãos e chegados a malas cheias de dinheiro vivo preguem mais o ódio e o preconceito ao invés do amor ao próximo, ou talvez por isso mesmo… Barrabás continua sendo o preferido das multidões seja ele brasileiro, húngaro, argentino ou norte-americano…
Sacaram a metáfora? Não?!!!… Então paciência. Não estou aqui para ensinar o “padre nosso” a vigário.
No momento em que vivemos, tudo indica, o ano de 2026 poderá vir a decifrar o enigma.
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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