Desmatamento: 9,5% decrescentes são o percentual dos neurônios de Salles, por Rui Daher

Seus recursos já não são expressivos, talvez reservados para que o astronauta Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia e ETs, promova viagem a Plutão ou Pateta. Não importa para o besteirol brasiliense.

Marcelo Camargo - Agência Brasil

Desmatamento: 9,5% decrescentes são o percentual dos neurônios de Salles

por Rui Daher

Por que sempre que os contradigo, eles vêm com destruição pior? Como esta semana, quando em CartaCapital, os denuncio em crime amazônico, comprovado pelo INPE, e o trago aqui.

Não precisou mais de um dia para que o governo federal anunciasse, para 2021, um corte de 15% nos recursos destinados ao INPE. Qual a intenção? Dificultar o monitoramento dos crimes ambientais?

Seus recursos já não são expressivos, talvez reservados para que o astronauta Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia e ETs, promova viagem a Plutão ou Pateta. Não importa para o besteirol brasiliense.

Em CartaCapital, nossa irmã:

“A Federação Brasil de Corporações é excelente em, ao longo dos anos, bater seus próprios recordes. Principalmente, se em desacordo com os bem-estar e desenvolvimento. Assim é em tudo que se incorpora a índices de igualdade. Se um clássico em décadas, não era possível imaginar o quanto poderia piorar depois da criação do Regente Insano Primeiro (RIP), clã, acólitos e apoiadores.

Quem nos informa é o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais: “a Amazônia tem maior desmatamento em 12 anos”. A área cresceu 9,5% em 12 meses, uma coincidência, pois 9,5% decrescentes são o porcentual mensal dos neurônios do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O economicismo neoliberal percebe prejuízo para o Brasil apenas na agropecuária de exportação. Não se preocupem. Esta ainda está blindada pela demanda chinesa, cotações nas bolsas, e o câmbio.

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Pioram, sim, as relações diplomáticas. Mas elas já vinham comprometidas por desfeitas da família Bolsonaro e do “chanceler” Ernesto Araújo.

Só? Jeito nenhum. Os maiores danos atingem a sustentabilidade em seu mais amplo sentido. A vida em continuidade. De humanos, fauna e flora.

O desmate desnecessário, ilegal ou não, dúbias as legislação e fiscalização, em áreas de ricos biomas e alta biodiversidade, consubstanciam-se em crimes contra o planeta.

O projeto PRODES, Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite, conduzido pelo maltratado INPE, é respeitado em todo o mundo.

O sistema começou a monitorar em 2004, quando apontou 27.772 km2 desmatados. Em 2015, a área apontava 6.207 km2. Redução de 78%. A partir daí, voltou a crescer até os atuais 11.088 km2, aumento de 78%. A coincidência poderia levar-me a alguma ilação política. Ela é óbvia, mas deixo-a para vocês.

Na coluna anterior, mencionei ter viajado, em 2007, a Manaus para participar de simpósio patrocinado pelo Banco da Amazônia, quando presidido por Mâncio Cordeiro. A proposta era abrir caminho para empreendimentos conscientes na região.

De lá trouxe um livro organizado por Marco Pellegatti e meu colega de FGV, Oscar Motomura.

Nele foram selecionados, reunidos e premiados 30 projetos voltados para os “ecossistemas de negócios conscientes”. Doze finalistas e dezoito semifinalistas, percorreram ideias que fariam de nossa Amazônia um tesouro, a não ser destruído.

Entre os finalistas, fruticultura e floricultura tropicais; aproveitamento de água e espécies vegetais nativas; ecoturismo; comunidades sustentáveis; reflorestamento; armazéns florestais; biodiesel de mamona e dendê em áreas degradadas; produção têxtil.

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Os semifinalistas percorreram desde sabonetes de óleo de copaíba, cultivo modular do cajueiro-anão, mel, hotéis turísticos, mais 13.

Muitos desses projetos devem ter vingado nos anos de redução do desmatamento. Não tive oportunidade de voltar à região. Por isso, lamento a vida não me engajar numa ONG e, como o poeta Thiago de Mello, ficar por lá escrevendo. Agora já foi.

Mas se de tudo ou pouco escrevi, deixei passar o sentimento maior. O de pena, pesar, lamento sertanejo, sabendo da destruição dos últimos anos com recados cínicos de nossas autoridades e gerais imbecis.

Contem-me. O que sentem quando a muda de manjericão, plantada na sacada de seu apartamento, morre? Ou o girassol de seus cabelos, meu amor, é infestado por pulgões? Mesmo quando seu ousado gatinho queima as patas no fogão?

Enquanto escrevo questo testo scadente, penso em Ricardo Salles, que foi fazer uma visita técnica ao Jardim Botânico, do Rio de Janeiro (quando crianças levei todos meus filhos lá).

E no general vice-presidente, Hamilton Mourão, presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, e responsável por um plano de contenção.

Não se dê ao trabalho, flamenguista general. Te empresto o livro.

Inté”!

 

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