22 de junho de 2026

La mano de Dios, 40 anos, por Felipe Bueno

La Mano de Dios ajudou a fortalecer a imagem sobrenatural de El Diez e teve uma série de desdobramentos no mundo da arte e da cultura.
La mano de Dios - Reprodução

Argentina venceu Inglaterra por 2 a 1 no México em 1986, com gol famoso da “mano de Dios” de Maradona.
O jogo teve forte carga simbólica após a Guerra das Malvinas, envolvendo tensões políticas e históricas.
Maradona virou ícone cultural e político, inspirando movimentos como a Igreja Maradoniana e obras artísticas.

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La mano de Dios, 40 anos

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por Felipe Bueno

“Arranca por la derecha el genio del fútbol mundial…”

Completa 40 anos nesta segunda-feira a mais geopolítica das partidas da história da Copa do Mundo: Argentina 2 x 1 Inglaterra, no México, em 1986. Num espaço de 90 minutos, o Estádio Azteca e o mundo viram o maior gol de todos os tempos, imortalizado pela narração de Victor Hugo Morales – a mais famosa e repetida da história da competição –  e o muito menos bonito, mas tão famoso tento marcado pela mano de Dios.

Peter Shilton, goleiro da Inglaterra na ocasião, até o fim não conseguiu perdoar Diego Maradona. Mas a história dos quarenta anos seguintes o transformou em voto vencido.

Maradona, líder nato, sabia da potência de enfrentar a Inglaterra pouco tempo depois de encerrada e perdida a estúpida Guerra das Malvinas, deflagrada pelo general Leopoldo Galtieri, último dos ditadores da última das ditaduras da Argentina.

Quanto pesou a derrota na guerra como alento para o jogo? Nunca saberemos com precisão. Como quase tudo que envolve a era Maradona na seleção albiceleste, há narrativas divergentes, todas absolutamente plausíveis, considerando os fatos e os personagens envolvidos. Vão do protocolar “é apenas mais um jogo” até o desejo simbólico de entrar com metralhadoras para matar os ingleses em campo.

La Mano de Dios ajudou a fortalecer a imagem sobrenatural de El Diez e teve uma série de desdobramentos no mundo da arte e da cultura. Fez nascer a Igreja Maradoniana, cujo ritual de aceitação envolve a imitação do gesto do gol de mão. O momento em questão foi imortalizado e é conhecido pela grande maioria dos torcedores que apreciam a antropologia e a sociologia do futebol. Gerou também um belíssimo filme; mais que isso, uma declaração de amor e de devoção do mais maradoniano dos cineastas, o italiano (e napolitano) Paolo Sorrentino.

Diego entrou para a história como o herói dos argentinos que morreram ou perderam pessoas queridas nas Malvinas. Vestiu a roupa até o último respiro, defendendo os pobres de Buenos Aires, de Napoli e do mundo sem esconder as suas inúmeras contradições. Segue sendo lembrado.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

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