É curioso, o dia do jornalista. Foi instituído em homenagem a Líbero Badaró, médico e jornalista de origem italiana. Em 1829, fundou o jornal Observador Constitucional, tornando-se um crítico feroz de Dom Pedro I e defensor dos ideais liberais.
Por sua militância foi alvo de um atentado em 20 de novembro de 1830, falecendo dois dias depois. Segundo os “Homens e Mulheres Célebres” do Tesouro da Juventude, suas últimas palavras foram “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”.
O desgaste de Dom Pedro I com o assassinato de Badaró foi um dos principais motivos da insatisfação popular que levou à Abdicação, em 7 de abril de 1831 – que tornou-se o Dia do Jornalista, em homenagem a Líbero Badaró.
É curiosa essa travessia da imprensa, e do jornalismo. Nos tempos de Badaró, o jornalismo era um trabalho braçal, lento e caríssimo. Não existiam agências de notícias ou telefone. As notícias vinham de cartas de correspondentes, editais oficiais do governo, ou clipping manual – traduzir e copiar notícias de jornais estrangeiros, que chegavam com meses de atraso.
Não existiam máquinas de escrever nem linotipos. Cada letra, vírgula ou espaço era uma pequena peça de metal. O trabalhador pegava letra por letra de uma caixa de madeira e as organizava em um suporte chamado componedor.
Os jornais eram pequenos, geralmente de 4 páginas. Com um índice altíssimo de analfabetismo, jornais eram feitos para uma elite política, entregues por escravizados ou vendidos em boticas e livrarias. Era comum, também, que uma pessoa lesse o jornal em voz alta em praças ou cafés para quem não sabia ler.
Hoje, com a Internet, a digitalização, a inteligência artificial, tem-se muita tecnologia para uma ampla escassez do exercício do jornalismo. Jornais disputam likes, com notas curtas, incapazes de produzir matérias contextualizadas, menos ainda de fazer germinar um projeto de país, um resquício de nacionalidade.
Não há ambição de construir o futuro, de iluminar os caminhos, de ser um oráculo da ciência e dos direitos. Não há o gosto do contraponto, a ambição de mudar uma narrativa hegemônica com o poder dos argumentos.
Não há sequer o discernimento de saber quem é democracia, quem é autoritarismo, ou de perceber que a mídia só tem poder onde a democracia está forte.
No dia do jornalista, saúdo as referência de meu tempo de foca, ou meus companheiros de jornada, Alberto Dines, Jânio de Freitas, Aloysio Biondi, Mino Carta, Ruy Mesquita, Cláudio Abramo, a turma do Opinião, do Pasquim, e tantos outros que, à esquerda ou à direita, souberam honrar os princípios do bom jornalismo.
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Rui Ribeiro
8 de abril de 2026 7:48 amPor falar em jornalista, o Elio Gaspari publicou: “Três Ministros encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos”.
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/04/aeroporto-e-coisa-de-pobre.shtml
O Elio Gaspari tem a memória curta.
https://www.viomundo.com.br/politica/gilmar-mendes-admite-dois-voos-em-avioes-cedidos-por-demostenes.html
Paulo Dantas
8 de abril de 2026 11:36 pmMinistros do STF sempre tem amigos com jatinhos.
Mas também quando vão de comercial sempre tem um(a) cidadão(ã) de bem querendo lhes meter a π0®®@∆@ …
Rui Ribeiro
10 de abril de 2026 8:33 amGeralmente são cidadãos de bens. Cidadãos de bem não mexem com otoridades. Eles apenas ameaçam atirar na minha boca se eu fizer um heptagrama no asfalto, pois, segundo esses cidadãos de bem, se eu quiser fazer pacto com o Demônio, eu devo fazê-lo no quintal de casa, não publicamente.
JOTAAA.MARCELO
8 de abril de 2026 10:02 amPARABEMS JORNASSIFLISTA NASSIF !!!
Paulo Dantas
8 de abril de 2026 11:31 pmHoje no transporte público ao meu lado um senhor lia uma VEJA em papel.
Por uns segundos achei que tivesse passado em algum portal do tempo e voltado a 1996.
Mas era real e hoje.
jose machado
14 de abril de 2026 4:29 pmFeliz dia do jornalista atrasado Nassif, todo dia era dia de índio (como diz a canção).
Você mais que ninguém é um dos melhores jornalistas do Brasil, é minha concepção e eu tenho que te falar.
Só um “spoiler” do que tu escreveu aí em cima. Não se verá em lugar nenhum no meio:
“Jornais disputam likes, com notas curtas, incapazes de produzir matérias contextualizadas,
menos ainda de fazer germinar um projeto de país, um resquício de nacionalidade.
Não há ambição de construir o futuro, de iluminar os caminhos, de ser um oráculo da ciência e dos direitos.
Não há o gosto do contraponto, a ambição de mudar uma narrativa hegemônica com o poder dos argumentos.
Não há sequer o discernimento de saber quem é democracia,
quem é autoritarismo, ou de perceber que a mídia só tem poder onde a democracia está forte.”