Ignorância, ingenuidade e mentiras…, por Izaías Almada

Qualquer dos três substantivos do título acima demonstra com irrefutável clareza a personalidade tacanha e covarde de um povo que, raríssimas vezes na sua história foi capaz de lutar contra os donos do poder.

Ignorância, ingenuidade e mentiras…

por Izaías Almada

Dividido entre a ignorância e a má fé, o Brasil – desde o golpe de 2016 – vem expondo para si mesmo e para o mundo a sua verdadeira face: um país que ignora no dia-a-dia a prática dos princípios democráticos, a começar pelo impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de 2018 onde elege um governo facínora e fascista.

Tal aparente paradoxo se explica para quem acompanha com atenção a vida política nacional. Eleições fraudadas ou manipuladas estão longe de se encaixarem nos chamados “princípios democráticos”. E mais ainda o que se descobre sobre a criminosa operação Lava a Jato.

Foi o que aconteceu em 2018, se nos lembrarmos de que dois anos antes uma presidente eleita legitimamente em 2014 sofreu impeachment de um Congresso dominado pelo ódio e pela vingança contra um partido que, apesar dos erros cometidos pelo caminho, governou o país por 14 anos com inegável eficiência, diminuindo a pobreza e levando o Brasil a ser considerado como sendo a sexta economia do mundo.

Mas a memória não é o forte do povo brasileiro, seja por ignorância, má fé ou a pela ingenuidade em acreditar numa imprensa venal, em redes de televisão irresponsáveis e em religiões que negociam a fé, fazendo da mentira o seu ganha pão.

Qualquer dos três substantivos do título acima demonstra com irrefutável clareza a personalidade tacanha e covarde de um povo que, raríssimas vezes na sua história foi capaz de lutar contra os donos do poder.  

Trezentos anos de violência e escravidão construíram uma cultura de arrogâncias, de covardias e ressentimentos onde já em pleno século XXI uma classe média medíocre e hipócrita, que adora o Mickey, o Pato Donald e o Pateta, é incapaz de pensar pela própria cabeça, seja nas ruas, nas academias ou no “aconchego dos lares”.

Tomemos o recentíssimo episódio da anulação das sentenças do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, tendo como consequência direta a possibilidade de candidatar-se em 2022 para o cargo que já ocupou e com grande possibilidade de vitória, pois seu oponente é um zero em matéria de política, aliás, um zero à esquerda em qualquer coisa… E daí? Mesmo sendo uma vitória parcial da esperança, onde se pôde sentir o apoio popular? Nos blogs progressistas?

No Paraguai e na Bolívia, esses dois vizinhos que são tratados pela nação brasileira com secular indiferença e preconceitos, o povo vai às ruas para exigir seus direitos ou prende os golpistas que tiraram Evo Morales do poder político. 

A classe dominante, a chamada elite brasileira, só se sente elite quando tem a oportunidade de tirar dos armários os smokings e os vestidos de baile cheirando a naftalina nos dias de solenidades. Momentos em que se notabiliza pelo puxa-saquismo ao capital internacional e ao declarado preconceito e arrogância contra a população negra, contra a imensa maioria de trabalhadores pobres e desempregados, contra os que não rezam pela sua cartilha carregada de hipocrisias e falsos perfumes de grandes marcas, mas ironicamente adquiridos no Paraguai.

O Brasil pós 2016 é um país cada vez mais à deriva, tentando se equilibrar e manter-se minimamente de pé diante de uma pandemia que ceifa mais de mil e quinhentos mortos diariamente, cujo o governo eleito às cegas, despreza a cultura e a saúde e que, nessa terceira década do século XXI, ainda sofre da síndrome anticomunista.   

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