10 de junho de 2026

Lei da Dosimetria, pirataria e a vitória dos zumbis, por Fábio Ribeiro

Os zumbis presos começaram a ser soltos quando uma quadrilha de deputados de direita conseguiu aprovar a Lei da Dosimetria.
Ilustração por IA

Governos mundiais aprovaram legislação anti-zumbi para conter ameaça global com medidas rigorosas e penas severas.
EUA e UE aplicaram a lei seletivamente, favorecendo aliados zumbis, o que agravou crises e conflitos internacionais.
No Brasil, Lei da Dosimetria flexibilizou punições a zumbis, ampliando a crise e levando à expansão da civilização zumbi.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Lei da Dosimetria, pirataria petrolífera e a inevitável vitória dos zumbis

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por Fábio de Oliveira Ribeiro

Eu pretendia escrever sobre a Lei da Dosimetria ou sobre a Pirataria de Donald Trump no Caribe, mas percebi que a melhor maneira de fazer isso seria reunir ambos os temas num contexto de ficção dominado pelo sarcasmo. Então resolvi repetir a experiência feita no caso dos Bebês Reborn e escrevi um novo capítulo da série Zombies Who Live, cuja versão em português segue abaixo.

Capítulo 71, como as exceções americanas, o ódio dos europeus aos russos e a Lei da Dosimetria brasileira sabotaram a Lei Anti-zumbi e decretaram a queda final da humanidade.

Assim que se tornou evidente que a civilização humana enfrentava seu inimigo mais perigoso, os governos dos países mais importantes se reuniram e decidiram aprovar uma legislação anti-zumbi. Pela primeira vez na história da diplomacia mundial a unidade diplomática não era apenas cosmética ou retórica. Governantes de países pobres e ricos, mais afetados e menos afetados pela invasão zumbi resolveram tomar medidas extremas para tentar derrotar um problema que era comum.

A mudança climática e a pirataria praticada a mando de Donald Trump também era um problema comum que afetava toda civilização humana, mas sobre essas questões não podia haver unidade de ação. Os produtores de petróleo, gás e carvão não queriam perder seus lucros e eles tinham uma grande capacidade econômica para deformar a política em todos os países. Americanos, europeus, russos e chineses eram inimigos, mas todos produziam e/ou consumiam e pretendiam continuar produzindo e/ou consumindo petróleo, gás e carvão.

Pirataria era crime internacional grave entre os humanos, uma violação evidente da arquitetura internacional criada para pacificar o mundo moderno dos humanos. Mas Donald  Trump tinha aliados fortes na Europa e fracos América do Sul. E mesmo aqueles países que criticavam a pirataria petrolífera que ele praticava contra aaquele país chamado Venezuela não estavam realmente dispostos a declarar guerra contra o rei gordo americano que eventualmente se tornaria um herói da civilização zumbi.

Mas a questão zumbi era diferente. Ela gerava um pânico real. E para piorar havia o problema da colaboração entre humanos e zumbis que colocava em risco um corolário da existência da humanidade: a separação entre as espécies e a derrota total e final dos zumbis. Bem… nós sabemos que o que os humanos pretendiam fazer não deu certo, pois a vitória da civilização zumbi estava consolidada e quase todos os humanos estavam confinados nas reservas de comidas. O que os leitores ainda não sabem é como isso realmente aconteceu.

Na reunião de lideranças mundiais ficou definido que a legislação anti-zumbi teria algumas características fundamentais: controle rigoroso nas fronteiras, portos e aeroportos para impedir o transito de zumbis entre os países; imediato confinamento temporário de qualquer pessoa suspeita de ter contraído o vírus zumbi; pena de morte para todos os humanos que colaborarem com os zumbis, sem exceção; pena de morte aos não vivos ou humanos zumbificados ou pela prisão por toda não vida deles, de acordo com as preferências de cada país. Essas não seriam normas facultativas, mas obrigatórias em todos os lugares, sendo certo que cada governo podia definir regras adicionais desde que não entrassem em conflito com os princípios acordados.

A legislação anti-zumbi foi adotada com mais rapidez e eficácia do que todas aquelas legislações internacionais humanas que deveriam proteger os humanos da pirataria, dos pesticidas, dos combustíveis fósseis, da mudança climática, das guerras não autorizadas pela ONU, etc… Durante algum tempo, a nova legislação funcionou bem e permitiu ao mundo conter e até reduzir a ameaça zumbi. Nem mesmo as pessoas que faziam campanha anti-vacina deixaram de apoiar a “vacina institucional” contra os zumbis e seus aliados, porque elas também tinham medo de ser devoradas.

Mas então aconteceu algo importante. Nos EUA, o governo começou a aplicar de maneira seletiva a Lei anti-zumbi. Isso ocorreu quando ficou comprovado que um poderoso e riquíssimo dono de Big Tech estava tendo lucro ao fornecer produtos e serviços de nuvens aos hackers zumbis que usavam a internet para atrair alimento vivo. O precedente criado pelos norte-americanos para salvar a vida de um bilionário que colaborava com os zumbis logo foi seguido pela União Europeia. Os europeus começaram a facilitar o transito de zumbis da Europa para a Rússia causando uma crise que eventualmente levaria à guerra nuclear.

No Brasil, a pena de morte era proibida para os vivos e esse princípio foi estendido aos zumbis. Rapidamente o governo de esquerda conseguiu prender todos os zumbis. Mas então ocorreu uma tragédia. A direita percebeu que o sucesso da esquerda na crise zumbi representava um imenso obstáculo à sua pretensão de retornar ao poder.

Os zumbis presos por toda sua não vida começaram a ser soltos quando uma quadrilha de deputados de direita conseguiu aprovar a Lei da Dosimetria. Segundo essa Lei, entre os zumbis existiam “mais zumbis” e “menos zumbis”, sendo necessário graduar a pena de prisão deles acordo com a peculiaridade de cada caso.

Zumbis banguelos e/ou muito decrépitos (como o zumbi Jair Bolsonaro, por exemplo), representavam um risco menor para a sociedade humana, de acordo com a nova regra. Esse era um pressuposto perigoso da Lei de Dosimetria, porque em pouco tempo foi descoberto que zumbis banguelos estavam usando facas para matar e picar suas vítimas antes de devorá-las. Além disso, os autores do Projeto de Lei que flexibilizou a Lei Anti-zumbi queriam ganhar a eleição e acreditavam que a soltura do zumbi Jair Bolsonaro era essencial para garantir a derrota do Partido dos Trabalhadores. Todavia, esse zumbi era extremamente voraz e assim que saiu do presídio ele começou a morder todo mundo e a propagar propositalmente o vírus zumbi assim como fez quando propagou o COVID-19 quando estava vivo.

Tragicamente a Lei da Dosimetria brasileira rapidamente se tornou uma anistia ampla, geral e irrestrita para os zumbis brasileiros, cuja população aumentou mais rapidamente do que a capacidade das autoridades de combaterem a crise. Sobrepujado pelas forças zumbis crescentes os brasileiros começaram a exportar involuntariamente zumbis para a África, EUA, Europa e Ásia. O resto constitui a pré-história dos humanos e o Ano Domini da civilização zumbi.

Sofrendo a pressão de uma migração de zumbis brasileiros para o seu território, a Argentina começou a transportar seus próprios zumbis para o Brasil. A tensão entre os humanos na fronteira entre os dois países cresceu muito. No começo do Fim da História, as contradições políticas entre os humanos em todos os lugares (privilégio concedido aos barões dos dados aliados dos zumbis nos EUA, ódio dos europeus aos russos na Europa; desejo de agravar a crise zumbi para ganhar a eleição no Brasil, etc) tiveram um papel importante na subida da civilização zumbi.

Os estudiosos zumbis gostam muito de debater essas questões, porque o fracasso da Lei Anti-Zumbi e o sucesso da Lei da Dosimetria brasileira são exemplos típicos de como os humanos haviam se tornado incapazes de fazer uma distinção clara entre Lei e Fake Law, entre necessidades indispensáveis de longo prazo e benefícios ilusórios de curto prazo. Os zumbis sempre riem quando conversam sobre os legisladores, juristas e juízes humanos. Voluntaria ou involuntariamente, eles ajudaram muito os zumbis a prosperar e a dominar o planeta, o que não é uma coisa ruim sob a ótica dos próprios zumbis.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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