Magnética, não deixe a esquerda estragar sua festa, por Rui Daher

Agorinha, em dois dias de festa rubro-negra, mais do que a direita, a esquerda se incomoda em festejar a conquista do MENGOOOOOOO!!l

ÉRICA MARTIN/AM PRESS & IMAGES/ESTADÃO CONTEÚDO

Magnética, não deixe a esquerda estragar sua festa, por Rui Daher

No domingo, 24 de novembro de 2019, meu mais querido primo, o rio-pretense Domingos, teria completado 72 anos de idade. Era festeiro, sem dúvida teríamos uma, não tivesse falecido há 5 anos e deixado lacunas em muitos corações.

Lágrimas de saudade e tristeza por Gô ou Mingote, apelidos de infância e juventude, estariam se unindo a tantas outras que verto e às de alegria pela festa rubro-negra carioca.

Meu querido veio a São Paulo, para formar-se arquiteto pela FAU/USP, período em que morou na casa de minha mãe. Estávamos sempre juntos. Daí a festa flamenguista ter acontecido no dia de seu aniversário.

Confesso que os cinco minutos finais de Flamengo e River Plate, na Lima do Peru, refazendo 38 anos da façanha de Zico e seus companheiros na época, enquanto a vida me levar, reforçarão anos de meu frequente bom-humor.

Contra as lágrimas das tristezas pessoais e daquelas de ver um país sendo destroçado e vendido, continuarei lutando dias e noites até a morte. Mas que não queiram tornar política e futebol causa e efeito. Aí brigo. Feio.

Em 1970, o Brasil vivia o auge dos anos de chumbo com a ditadura civil-militar que havia se instalado seis anos antes. Democratas, militantes de esquerda, passáramos por infâmias, perseguições, prisões, exílios, torturas e assassinatos.

Não esqueço, pois não posso esquecer de mim, como querem os imbecis do Regente Insano Primeiro. Também, radicais de fancaria da esquerda.

Pois bem, naquele ano de 1970, a seleção brasileira foi disputar a Copa do Mundo de Futebol, no México. Voltamos campeões.

Nas masmorras e nos aparelhos da resistência discutíamos torcer ou não pelo Brasil. Poderíamos estar inflando as bufas dos dragões da repressão.

Mas só que não. Em qualquer compêndio que conte a história daquele período, constatarão que, apesar de Garrastazu Médici, os mais ativos guerrilheiros acabaram torcendo pela vitória do Brasil e comemorando-a.

Nos campos mexicanos, em Guadalajara, não estavam Emílio, Delfim, Passarinho, Andreazza, mas sim, Carlos Alberto, Clodoaldo, Jairzinho, Gerson, Tostão, Rivellino, Pelé, e outros heróis. O que iríamos querer contrapondo-os a torturadores e assassinos?

Na época, estava com 25 anos de idade. Eu e meus companheiros de GV, UEE, UNE, acuados, vimos um povo feliz e comemoramos, na forma possível, ferrados, mas campeões.

O futebol veio para o Brasil pelos ingleses, em 1895, mesmo ano em que os irmãos Lumiére inventaram o cinema. Em sua forma real de vê-los e como negócios, acabaram se igualando.

Vamos negá-los para o bem ou mal?

Agorinha, em dois dias de festa rubro-negra, mais do que a direita, a esquerda se incomoda em festejar a conquista do MENGOOOOOOO!!l

Babacas demonizam a euforia da Rede Globo e a minha alegria, como se a queda de Bolsonaro dependesse do Flamengo, e não do discernimento e da coragem de vocês.

Saibam, tolinhos. A favela desceu para aplaudir a Magnética e gargalhar com Witzel-Bufão. Não nos subestimem. Quando escolhemos mal é porque fomos enganados. Foi bonita a festa, pá Jesus.

Inté.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora