O medo por trás das janelas (II)
por Izaías Almada
Transcrevo abaixo dois textos que se encontram na contracapa e numa das “orelhas” do meu segundo livro, editado em 1991.
O primeiro deles, na contracapa, informa ao leitor o conteúdo do romance:
Vila Rica, 1786. Contrabando, corrupção, crimes impunes. Assim o jovem inglês James Earl Ferguson, espião enviado ao Brasil pelas Coroas de Portugal e da Inglaterra, conheceu a Capitania de Minas Gerais.
De seus relatos e cartas ao Intendente de Polícia em Lisboa, surge uma história intrigante, cujos personagens se tornaram célebres pela sua participação na Inconfidência Mineira.
Uma narrativa envolvente que investiga junto com o leitor as origens de dois fenômenos presentes e complementares na formação da cultura brasileira: a esperteza e a covardia.
O segundo apresenta um trecho da narrativa e uma opinião sobre o que pensa o autor do Brasil colonizado e do Brasil que vem até os dias atuais:
… “E mais que tudo, essa inegável qualidade que possuímos de aproveitar o trabalho alheio, sendo a esperteza melhor atributo que se ter um bom caráter. A esperteza, senhor Ferguson, é o apanágio dos incompetentes: só floresce onde falta a capacidade para o trabalho e a sabedoria para enfrentar dificuldades, onde não há respeito pelo semelhante…”.
Essa frase, criada pelo autor para uma hipotética entrevista jornalística do poeta e inconfidente Tomás Antonio Gonzaga, reflete de maneira atualizada o que pensa Izaías Almada sobre o país em que vive.
E pensar que todas as tentativas de emancipação e soberania, de lutas pela liberdade, de enfrentamentos aos vendedores ou entreguistas de muitas das nossas riquezas, apoiados e defendidos por canhões e baionetas, foram derrotadas pela mais cruel repressão a milhares de brasileiras e brasileiros desaparecidos, torturados até à morte, como há 61 anos…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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