20 de junho de 2026

O quintal para maldades, por Heraldo Campos

Quem garante que Brasil, Colômbia e Cuba, não exatamente nessa ordem, não podem ser os próximos escolhidos para outra apropriação?
América do Sul. Fonte: WikipédiA.

Heraldo Campos relata experiência na Venezuela com aplicação de isótopos para estudar águas subterrâneas do Aquífero Guarani.
O texto denuncia a interferência dos EUA na América do Sul, destacando golpes no Brasil e Chile e ameaças à Venezuela.
Campos alerta para riscos políticos no Brasil em 2026, criticando teatralização e privatização do bem público por governantes.

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O quintal para maldades

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por Heraldo Campos

Como escrevi em artigo recente, trabalhei  para a Organização dos Estados Americanos (OEA), entre o período de outubro de 2005 a julho de 2007, no “Projeto Sistema Aquífero Guarani” como Facilitador Local do Projeto Piloto Ribeirão Preto [1] e, juntamente com outros colegas da área, fizemos uma viagem de estudos na Venezuela.

Um dos objetivos dessa viagem foi o conhecimento, principalmente nos trabalhos de  campo, de como os técnicos do Ministério de Energia e Petróleo Bolivariano da Venezuela utilizavam a aplicação de isótopos ambientais na datação de águas e que, mais adiante, pudessem ser aplicadas na datação das águas subterrâneas do Aquífero Guarani no CONE SUL. Sem dúvida, foi uma experiência muito rica em termos do conhecimento técnico-científico além, é claro, do contato com as populações que viviam nos pueblos (pequenas vilas) ao longo dos trajetos percorridos em duas semanas em território venezuelano.

Num outro cenário, nunca é demais lembrar que a América do Sul sempre foi o quintal para maldades dos EUA. Para ficar em apenas dois exemplos dos anos 60/70 do século passado, podemos citar os golpes no Brasil e no Chile que resultaram em conhecidas e sanguinárias ditaduras. A bola da vez agora é a Venezuela com o claro objetivo, após a derrubada do governo, de se apropriar dos reservatórios de petróleo do país. Na manjada tática imperialista de domínio de territórios primeiro são traçados os objetivos, geralmente econômicos, e depois a justificativa (desculpa esfarrapada) para a invasão. Várias outras ocupações espalhada pelo planeta seguiram mais ou menos o mesmo roteiro. 

Quem garante que Brasil, Colômbia e Cuba, não exatamente nessa ordem, não podem ser os próximos escolhidos para outra apropriação? Não nos esqueçamos que o tresloucado louro presidente do império é empresário do setor imobiliário e numa descarada grilagem global todo terreno conquistado pode ser um bom negócio para ele, família e sócios.

Por aqui, no país da jaboticaba, com as eleições gerais que vão rolar nesse ano de 2026 precisamos ficar espertos com os candidatos que gostam de fazer teatrinho para a mídia para ganhar as eleições. Após a redemocratização, com o fim do período ditatorial de 1964 a 1985, o primeiro e o penúltimo candidatos eleitos presidentes acabaram ganhando as eleições e levando sua história familiar para o governo, com  o objetivo de transformar o bem público em bem privado. Que bacana, não?

“Quanto mais se teatralizar a política – quanto mais os cidadãos forem reduzidos a público, a espectadores das decisões políticas -, menor será o caráter político das políticas adotadas, menor seu compromisso com o bem comum, com a res publica que dá nome ao regime republicano. Em suma, quanto mais o governante concorrer para sua popularidade, menos será republicano, e maior risco correremos de que, esquecendo o público pelo publicitário, ele se aproprie da coisa comum para fins privados.” [2]

Um Bozosaurus rex [3] incomoda muita gente. Dois Bozosaurus rexincomodam muito mais. Até quando vamos aguentar? “A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional”. (Machado de Assis).

Fontes

[1] “OEA, Guarani e Democracia” arttigo de Heraldo Campos de 30/12/2025.

https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2025/12/oea-guarani-e-democracia.html

[2] “A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil”. Livro de Renato Janine Ribeiro. São Paulo. Companhia das Letras. 2000. p.105

[3] “Bozosaurus rex” artigo de Heraldo Campos de 03/06/2025.

https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2025/06/bozosaurus-rex.html

Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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