10 de junho de 2026

Krugman: Venezuela espelha delírios de poder de Trump

Em análise, economista afirma que ação militar foi movida pelo ego, fantasia de controle e cálculo político fracassado do presidente
Foto: Official White House Photo by Molly Riley

Paul Krugman critica prisão de Maduro por Trump, comparando-a à invasão do Iraque em 2003 por narrativas enganosas.
Trump subestimou Maduro, acreditando que governava a Venezuela, enquanto chavistas mantêm controle e rejeitam ação dos EUA.
Krugman aponta motivações simbólicas e egoístas, além de custos altos e instabilidade do petróleo venezuelano.

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A decisão do governo norte-americano em prender o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é um retrato dos delírios de poder, do personalismo e da lógica de autopromoção que marcam a atuação de Donald Trump, segundo o economista e vencedor do Nobel de Economia Paul Krugman.

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Em artigo publicado em seu mailing, o economista afirma que a operação guarda “semelhanças simbólicas” com a invasão do Iraque em 2003, principalmente “no uso de narrativas enganosas e na crença infundada de que ações de força seriam recebidas como libertação”.

No entanto, o episódio venezuelano se diferencia por não ter como objetivo central a mudança de regime ou a restauração da democracia no país sul-americano.

Krugman lembra que Trump sinalizou disposição para negociar com Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo, e chegou a declarar que já estaria “governando” o país – uma leitura vista como equivocada, pois horas depois a cúpula chavista reafirmou que Maduro seguia no poder e denunciou a ação dos Estados Unidos.

Para Krugman, o erro de avaliação decorre de um ambiente político marcado pela adulação e pela ausência de contrapontos críticos.

Cercado por aliados que reforçam sua visão distorcida da realidade, Trump teria passado a acreditar na própria narrativa de líder absoluto e negociador infalível — o que também explicaria a crença de que a Venezuela representaria um grande prêmio econômico, especialmente por suas reservas de petróleo.

O economista, no entanto, lembra que o setor petrolífero venezuelano enfrenta infraestrutura degradada, alto custo de recuperação e forte instabilidade política – e grande parte do petróleo do país é classificada como extra pesado, o que torna sua exploração mais cara e ambientalmente mais poluente, afastando o interesse das grandes petroleiras.

A análise aponta ainda motivações de natureza simbólica e doméstica, seja para alimentar o ego presidencial como para jogar uma cortina de fumaça em torno dos arquivos de Jeffrey Epstein.

Segundo Krugman, a ação “reforça a imagem de um país guiado por impulsos pessoais e decisões erráticas, tornando-se menos confiável e politicamente mais frágil no cenário internacional”.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Jacob Binsztok

    5 de janeiro de 2026 6:46 pm

    Devagar Krugman, o extra pesado da Venezuela possui custos menores que o shale. Não estão afim de modernizar nada na Venezuela.

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