Páscoa viral, por Rui Daher

Nenhuma crise pandêmica mudará o perfil do capitalismo atual, rentista e bancário.

Páscoa viral

por Rui Daher

A portuguesa Carmem Miranda, nasceu em Carmo de Canaveses (1909), mas radicou-se no Brasil com 10 meses de idade, e faleceu em Beverly Hills, Califórnia, EUA, em 1955.

Aos 44 anos, já havia feito sucesso discográfico, radiofônico e cinematográfico no Pós Segunda Guerra norte-americano.

Bastou morrer para que no Brasil fosse reconhecida como estupenda cantora e atriz. Não há crítica honesta que possa acusá-la de deturpar com suas vestes e badulaques a autenticidade brasileira.

Assis Valente (1911-1958) compôs para Marlene e Carmem, “E o mundo não se acabou”. Suicidou-se por dívidas. 

“Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar.

(…)

Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou”.

Este o filme que assisto, atualmente, em folhas e telas cotidianas. 

Deixo claro: sei da gravidade, sei da demora inusitada de uma solução, sei necessário o isolamento, mas para as ações tardias, burocráticas, titubeantes, antecipadas por uma crise não viral endêmica, sem conotação de saúde pública, mas de ganância na sociedade mais desigual do planeta, e povo ludibriado por um governo eleito de forma “fake”, queriam o quê? 

Mas, felizmente, estamos divididos entre os que acham que a pandemia veio para recolocar o mundo em bases menos individualistas e mais ciosas das diferenças sociais, das deturpações com o meio ambiente, da volta do capitalismo, em franco momento de decadência, às suas virtudes iniciais.

Outros, como eu, acham que, pós-pandemia, voltaremos piores. O topo e a faixa média da pirâmide, fazendo reaver o que perderam coma crise. 

Uma pega prá capar, que piorará a situação dos estratos mais pobres da sociedade a doarem mais valia para seus patrões. Estou errado, véio da Havan, Flávio Rocha, Henrique Meirelles, banqueiro e secretário da Economia do governo paulista, que já pensa em redução de despesas. Quais? As dos cães que mantém em faustosa casa. Conheço-a. Moramos no mesmo bairro, em São Paulo.

Nenhuma crise pandêmica mudará o perfil do capitalismo atual, rentista e bancário. O que tem feito o Acordo Secular de Elites e, acrescento, os bobocas, que estudaram ou fizeram seus filhos estudarem em faculdades particulares de altíssimo custo e baixo ensino, para se dizerem meritocráticos, diante de uma população, morando a 100 metros de seus apartamentos de 60 metros quadrados, sem esgoto, água corrente, e calçamento?

Se o COVID-19 não irá mudá-los, o que dirá de seus patrões, ou de quem empreendedor pequeno ou médio, abandonados pelas bancas públicas e privadas a cagarem pra nós.

Irritam-me os servos das instituições financeiras brasileiras que nos recebem ou visitam:

– Que maravilha o trabalho que vocês estão fazendo, com produtos sustentáveis, apoiando uma empresa que estava, praticamente, falida. Tiveram coragem de assumir nessa recuperação. Contem conosco.

– Obrigado. Vamos visitar nossas instalações, conhecer nossos funcionários, os produtos.

Em 45 anos, por onde trabalhei, aprendi fazer gestão assim. Não mais: exigem e faço seguros e consórcios desnecessários, juros em nada propostos pela Selic, esperas intermináveis para suas análises, que nunca viram nem sombra do nome da empresa no SERASA.

Pois bem, até quebrar, sabendo não ter sido o coronavírus, mas o pateta Bolsonaro e Paulo Guedes, seu Posto de Combustíveis – não farei propaganda de impostores oportunistas -, sobreviverei com minhas coragem e sabedoria.

Se quebrar ou morrer, saibam, só me arrependo de não ter um composto um samba.

Inté! 

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