Pêga, do jeitinho que eu gosto de estar, por Mariana Nassif

Noto seu ar sacana, testando os limites do que eu posso e você pode e aquele tanto que nem tanto mas que, tudo bem, só essa noite vai ser assim - sagrado é aquilo que nos faz voar ainda que com os pés no chão. Livre, ainda me bota pra dançar. 

Pêga, do jeitinho que eu gosto de estar, por Mariana Nassif

Inconscientemente, me arrumei pra você. Um arrepio leve adiantava o acontecido. As mãos suadas, essas que aparecem em mim quando encantada, deram o sinal: dispara, coração, pode bater que alegria vai chegar.

Esse tipo de encontro, de corpo e alma, são os que de verdade me movem. Combustível pra isso que chamo de existência, roubam o medo do desconhecido e me botam curiosa sobre quem chega aqui. Quais são seus gostos, magias, seus cheiros? Pra onde essa união vai nos levar?

Foi num abraço suave que meu corpo, estremecido, conheceu o seu. Choque e suor, investiguei rápida e superficialmente o acaso dessa colisão. Acaso? Não. Vibra nueva por aqui, sorrio internamente e me entrego: pode vir, estou pronta pra você. Há tempos venho pedindo alguém que me remexa, e vem você , novidade querida, desejada, carregada de mistérios, vinda de tão longe pra pertinho de mim. Sei que não é este o nosso afim, mas me sinto também (e novamente, que importante) querida, desejada, carregada de mistérios – olhada, enxergada, merecida. Seu olho, meu brilho. Cuidado da gente, na gente, por aqui.

Num movimento quase contrário, fecho os meus pra melhor te conhecer. Alisa o peito e leve, lava as dores – eu sei, sou física, tem coisa que nem precisa mas a gente faz porque sim. Rodeia os pensamentos, peneira o que é paranoia daquilo que me fará crescer. Com as mãos suaves, requebra e quebra meu quadril, sem vergonha alguma. Noto seu ar sacana, testando os limites do que eu posso e você pode e aquele tanto que nem tanto mas que, tudo bem, só essa noite vai ser assim – sagrado é aquilo que nos faz voar ainda que com os pés no chão. Livre, ainda me bota pra dançar.

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Marafo, um cigarro, fumaça que desata os nós e reúne, enfim, corpo-cabeça-e-coração. Volto a gostar do que tem que ser. Eu e você, você em mim. O novo, de novo, num ciclo sem fim.

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