Quanto dói ser jornalista de cercadinho, por Rui Daher

Como carneirinhos e ovelhinhas, mantêm-se confinados no cercadinho, Genis, levando e ouvindo bostas de piores fedores.

Quanto dói ser jornalista de cercadinho, por Rui Daher

Quando vi o nome de Jair Bolsonaro cotado para candidato às eleições presidenciais de 2018, nem bola dei. Com Lula preso e impedido de se candidatar, intuía impossibilidade total de um candidato de esquerda ganhar. A maré era francamente favorável a alguém da direita, mais provável da centro-direita, e um resquício de esperança que Ciro Gomes fosse um quadro de centro-esquerda. Não era ou é.

Mas o capitão reformado, com seus históricos 28 anos de inatividade política, desconhecimento de economia, inexperiência sobre relações exteriores, pensamentos e conceitos explícitos e reacionários sobre diversidade de raças, gêneros, costumes, uso ostensivo de armas e violência, pensei #EleNão. Cabo Daciolo? Vá lá.

Bem, deu no que deu, no que vimos em 2019, e na destruição que assistiremos nos próximos três anos ou mais. Não duvido de mais nada em se tratando da Federação Brasil de Corporações.

Há pelo menos dois anos, desde que percebi seu crescimento nas pesquisas de votos, seus truques e factoides para fugir do enfrentamento de ideias, contrapondo programa de governo com candidatos mais sérios e experientes, pressenti o desastre.

Foi pesado carregarmos o andor em 2019. Corpanzis tétricos na extensa padiola. Queiroz, milícias, quem matou Marielle Franco e Anderson Gomes (?), o besteirol do ministério mais pífio formado pelo Executivo na história do País, a clã 01-02-03, de maiúsculas mutretas acobertadas sob o tapete de Sérgio Moro, Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, em desesperada entrega de patrimônios ativos e da biodiversidade para mãos incertas.

Sei lá, cansei. Teria muito mais nessas trevas. Como? Não? O quê? Uma nesga de luz? Nele? Paro com as interrogações. Leio o jornalista Ricardo Kotscho, em seu Balaio: “Bolsonaro x Jornalistas: bem feito para os coleguinhas que não se dão ao respeito”.

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E falando com meus retroses, que os botões são do Mino Carta, encontro no Regente Insano Primeiro, solitária virtude. A peitada que dá em moças e rapazes seguradores de microfone. Não que eu queira aumentar as filas do desemprego. Longe disso. Sei da sanha de seus chefes, editores e patrões, também amedrontados.

Ma coraggio, Signori! Um retruque mais apimentado, leve ironia, sarcasmo como na velha escola carioca, desde Lima Barreto até “O Pasquim”. Nadica? Como carneirinhos e ovelhinhas, mantêm-se confinados no cercadinho, Genis, levando e ouvindo bostas de piores fedores.

Não percebem o quanto são expostos? Ele dá entrevistas no Palácio? Por quê? Aventura-se (pouco) entre o caquético Sílvio Santos e o universal Edir? Por que a poderosa Globo o poupou dos debates? Faria isso com Lula, enxovalhado em seus dois mandatos e o mesmo depois de arbitrariamente preso para não ser candidato e permitir que a pústula bolsonarista se instalasse no Brasil?

Vale pra Folha, Estadão, Veja, Época, Isto É, e demais. Não há neutralidade aí. Apenas covardia diante de Jair Bolsonaro que, no quesito, dá de dez a zero no elegante e justo presidente Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva, que seguiu a liturgia do cargo.

Viva Jair Bolsonaro e seu “cercadinho”!

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2 comentários

  1. Ruizinho, para de ser babaca. Todos nós em maior ou menor intensidade sofremos censura, por exemplo, quando proponho um artigo que bate de frente com a opinião do Nassif a chance dele ser promovido ao principal é mínima, principalmente quando o Nassif não está viajando.
    Não fique com estes mimimis de uma imprensa totalmente livre e democrática, pois simplesmente isto não existe. Deixa de besteiras.

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