Quero a minha pátria de volta, por Luis Nassif

Terminou o que poderia ter sido o pior ano da vida do país. Provavelmente outros piores virão.

Meses atrás me convidaram para entrar em um grupo de Amigos de Poços de Caldas, quase 7 mil pessoas e, surpreendentemente, muitos do meu tempo e da minha geração. Um grupo agradabilíssimo, porque se proibiu qualquer referência à política.

Alguns deles fizeram parte do êxodo mineiro dos anos 70, radicando-se nos Estados Unidos. São os mais apegados à terra brasilis. Colecionam fotos antigas da cidade, fotos de amigos, bebem cada informação sobre a terra com a sofreguidão dos náufragos de país.

 

E aí me pergunto: um país que provoca tanta saudade assim nos seus, mesmo nos que foram buscar fora daqui as oportunidades negadas, vai regredir, se tornar refém de fundamentalistas pirados, ser dominado por milícias e integralistas da era da pedra lascada?

Jamais. Este país tem história, tem valores que foram transmitidos a uma elite familiar, e não se confunda com elite sócio-econômica, mas os brancos, os portugueses, os negros, índios, quilombolas, os turquinhos, italianinhos, judeus, polacos, alemães, franceses, japoneses de todas as extrações sociais, cada qual em seu círculo consolidando a ideia de brasilidade, impondo suavemente as regras sociais sobre a malta que, durante algum tempo, submergiu, dando a impressão de ter se tornado fantasmas do passado.

O país civilizado não morreu. E deixa saudades. Não a saudade dos que não esperam o retorno, mas a saudade dos que o têm vivo na memória e na esperança de um retorno.

Os violentos de nascença não tem remédio. Mas há uma legião de desinformados que resolveu tomar o porre da violência, como viciados em drogas ou pornografia. Enquanto a liberação das drogas reduz a violência, essa liberação dos limites sociais trouxe o ódio.

Antes, os avanços da civilização tornaram proibitivos acessos de violência em ambientes públicos, ofensas gratuitas, a solução de conflitos pessoas ou políticos a bala. Foram tempos em que a educação, o conhecimento, o respeito a terceiros eram atributos que conferiam status aos seus praticantes. E criavam complexos de inferioridade nos brutos, nos que só dispunham da grosseria como forma de comunicação e da violência como forma de participação.

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Hoje em dia, o país é comandado por milicianos. Mas a pátria vive, acorrentada, humilhada, mas viva.

E, de repente, me dá vontade de beijar os olhos de minha pátria, de mimá-la, como disse Vinicius de Moraes no imortal “Pátria Minha”, a pátria que floresceu longe dos palácios do Rio e de Brasília, que se fez pátria em tantos cantos do país, que germinou na mais bela música do planeta, que se fez democrática nos botecos da vida, a música que permitiu, ainda nos anos 20, os filhos da elite rural, na Semana de 22, entenderem que havia um país vivo, por baixo do mofo dos salões.

Minha pátria imortal apenas dorme, entorpecida pelos brutos que escaparam da jaula quando uma elite corrupta desmoralizou a política, e outra elite corrupta montou operações supostamente moralistas, oportunistas, malandras, para destruir qualquer sentimento de brasilidade, qualquer sinal da solidariedade que é o cimento que une pessoas na construção de um país. Minha pátria vive em cima dos escombros das instituições falidas, de todas elas, da política, da jurídica, da midiática, da empresarial, da militar.

Minha pátria resiste na lembrança da mão quente de minha mãe me acariciando o rosto, nos cuidados dela e de meu pai com os filhos. Nas músicas que ela cantava para os filhos, e que passamos a cantar para nossos filhos, que as cantarão para nossos netos. São as lembranças da amabilidade dos nossos pais, das conversas com vizinhos, das reuniões em torno de pais e avós nas datas comemorativas. E a lembrança da emoção que sentiram quando o Brasil rompeu as amarras da inferioridade e se tornou campeão no futebol. Era a construção do orgulho nacional, de um país que mal saia da infância, e se fortalecia com a beleza de Marta Rocha, os feitos de Pelé, Eder Jofre, Mequinho, Maria Esther Bueno. Era o país que se orgulhava do internacionalismo do Rio de Janeiro e suas bossas novas, e das canções que brotavam do fundo da terra.

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Este país não morreu. Apenas aguarda o momento em que sairá da longa hibernação.

Quando renascer, terá de mãos dadas os empreendedores de startups e os empreendedores sociais do MST e do MTST, a modernidade sadia dos mercados, não esta que suga os recursos do país, e a pujança dos pequenos negócios, o agronegócio e a agricultura familiar.

Levarei meus últimos anos sonhando com este país, lutando pela busca da utopia que nunca se realizou, da primeira nação democrática e igualitária dos trópicos.

 

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Caríssimo Nassif, eu o saúdo pelo nobre esforço, mas me desculpe, você é um otimista absolutamente incorrigível. A cisão é profunda e grave demais. Os fundamentalistas pirados não aceitam outra leitura da realidade que não a sua própria - que é notavelmente tresloucada. Os milicianos e integralistas da era da pedra lascada são uma legião de perversos cujo tesão-vício é a violência e a morte. Note que nem cheguei ao epicentro dessa loucura, a família número um de lunáticos celerados do planeta Terra e seu guru débil mental. A capilaridade e a agressividade dessas 'forças' (não seriam fraquezas?) somadas é enorme, isso é um fato (não sem bem como e nem porquê). E eles querem praticar a aniquilação e a anulação do outro a todo custo, não aceitam outro resultado e se comportam como quem nada tem a perder. Essa maré não vai mudar sem sangue derramado. O melhor seria a cisão entre dois países diferentes, menos entropia, menos dor e micro-violência. Infelizmente, essa é hoje a nossa realidade.

O Filho de Kane

Bom dia, há tempos não leio um texto tão duro e tão suave como esse. Não sei se por conhecer o autor, ter convivido com ele no instituto de Educação em São João da Boa Vista. Talvez por conhecer bem Poços de Caldas e as pessoas de lá. Hoje muita coisa mudou, pois com o crescimento e industrialização do município, as pessoas aumentaram em número, diversidade e origens. A Pátria nossa está definida e escondida debaixo dos tecidos sociais, aguardando a chuva que vai fazê-la brotar com seu frescor e viço brasileiro. A multidão de origens, etnias e cores que nos moldou, faz do Brasil um país diferente e plural, nossa pátria, nossa música, nossa língua e nossa gente cabem nesse globalismo do Século 21 como uma luva. Nesse país não cabem opressores de pensamentos tacanhos. Salve Luís, muito bom acordar em 2020 e encontrar seu texto no celular. Apareça para tomarmos a “Penúltima”. Um feliz ano novo para você e os seus! Vamos acordar a Pátria!

Renato dos Santos Júnior

"A minha pátria é como se não fosse É íntima doçura e vontade de chorar Uma criança dormindo é minha pátria Por isso, no exílio Assistindo dormir meu filho Choro de saudades de minha pátria. " Luis Nassif ainda ontem falei para Jessé Souza de minha admiração pelo seu trabalho e ele disse "Nassif é um jornalista brilhante". O Brasil não é apenas essa gente truculenta que por ora encontra-se no poder. O Brasil é a musica rica, os poetas livres e loucos, os anônimos que levantam cedo e constroem todos os dias o Pais, aqueles que têm lutado todos os dias para que o Pais se faça Nação; gente como nassif, que não deixa de acreditar nunca. Precisamo dessa utopia, de sonhar, de acreditar para continuar lutando.

Maria Luisa

37 comentários

  1. Quantos desses 7 mil sao bolsonaristas enrustidos prontos a por a barbarie pra fora e nao o fazem apenas pela proibicao do assunto “politica”?

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  2. Caríssimo Nassif, eu o saúdo pelo nobre esforço, mas me desculpe, você é um otimista absolutamente incorrigível. A cisão é profunda e grave demais. Os fundamentalistas pirados não aceitam outra leitura da realidade que não a sua própria – que é notavelmente tresloucada. Os milicianos e integralistas da era da pedra lascada são uma legião de perversos cujo tesão-vício é a violência e a morte. Note que nem cheguei ao epicentro dessa loucura, a família número um de lunáticos celerados do planeta Terra e seu guru débil mental. A capilaridade e a agressividade dessas ‘forças’ (não seriam fraquezas?) somadas é enorme, isso é um fato (não sem bem como e nem porquê). E eles querem praticar a aniquilação e a anulação do outro a todo custo, não aceitam outro resultado e se comportam como quem nada tem a perder. Essa maré não vai mudar sem sangue derramado. O melhor seria a cisão entre dois países diferentes, menos entropia, menos dor e micro-violência. Infelizmente, essa é hoje a nossa realidade.

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    • -> O melhor seria a cisão entre dois países diferentes

      não é tão simples.

      o que vivemos é tão complexo, e trágico, como o fim de um mundo. e junto com este mundo estão moribundas suas formações sociais e categorias, tal qual as viemos a conhecer.

      como, por exemplo: o Estado-Nação e o conceito de Pátria.

      estes são conceitos estão obsoletos junto com o capitalismo industrial no qual foram engendrados.

      e isto o Capital sabe muito bem:

      “Ele não procura fazer com que o mundo ande ao mesmo passo, mediante a chibata do progresso, pelo contrário, ele deixa que o mundo se divida em zonas de forte extração de mais-valia e em zonas abandonadas, em teatros de guerra e em zonas pacificadas.”

      o que a isto devemos contrapor são territórios e as comunidades que nele vivem.

      assunto complexo, mais do que urgente, mas raramente encaminhado no âmbito da Esquerda tradicional – estamos completamente defasados, e por isto temos sido rotundamente derrotados.
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      • Concordo com a obsolescência que você aponta em gênero, número e grau. Mas deixado à vontade, esse Capital necrofilo e lunático apenas conseguirá destruir o planeta. Precisa ser domado pelo poder social, e ter seus ímpetos de morte e matança contidos pelo Povo, o Detentor do Poder Social! Lhe deve ser ensinada mais valia responsável, e consumo responsável também. Não é uma escolha: é a única alternativa disponível frente à destruição mutuamente assegurada. É imperativo às massas acordar da anestesia em que se encontram!

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  3. Bom dia, há tempos não leio um texto tão duro e tão suave como esse. Não sei se por conhecer o autor, ter convivido com ele no instituto de Educação em São João da Boa Vista. Talvez por conhecer bem Poços de Caldas e as pessoas de lá.
    Hoje muita coisa mudou, pois com o crescimento e industrialização do município, as pessoas aumentaram em número, diversidade e origens.
    A Pátria nossa está definida e escondida debaixo dos tecidos sociais, aguardando a chuva que vai fazê-la brotar com seu frescor e viço brasileiro. A multidão de origens, etnias e cores que nos moldou, faz do Brasil um país diferente e plural, nossa pátria, nossa música, nossa língua e nossa gente cabem nesse globalismo do Século 21 como uma luva.
    Nesse país não cabem opressores de pensamentos tacanhos.
    Salve Luís, muito bom acordar em 2020 e encontrar seu texto no celular.
    Apareça para tomarmos a “Penúltima”.
    Um feliz ano novo para você e os seus!
    Vamos acordar a Pátria!

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  4. “A minha pátria é como se não fosse
    É íntima doçura e vontade de chorar
    Uma criança dormindo é minha pátria
    Por isso, no exílio
    Assistindo dormir meu filho
    Choro de saudades de minha pátria. ”

    Luis Nassif ainda ontem falei para Jessé Souza de minha admiração pelo seu trabalho e ele disse “Nassif é um jornalista brilhante”. O Brasil não é apenas essa gente truculenta que por ora encontra-se no poder. O Brasil é a musica rica, os poetas livres e loucos, os anônimos que levantam cedo e constroem todos os dias o Pais, aqueles que têm lutado todos os dias para que o Pais se faça Nação; gente como nassif, que não deixa de acreditar nunca. Precisamo dessa utopia, de sonhar, de acreditar para continuar lutando.

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  5. É isso Nassif, vamos viver os próximos anos de lembranças de um passado não muito distante. Temo pelas novas gerações que terão como exemplo isso que aí está. O erro cometido por nossa geração de políticos terá um alto custo inclusive de vidas perdidas pela arrogância de achar que estava tudo bem. Perdemos a oportunidade de ter transformado este país em algo realmente melhor, agora só restarão as lembranças.

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  6. Desejaram tanto um país mais desenvolvido, que esqueceram de prestar atenção nas escolhas. O desejo de denegrir o antigo, colocou em seu lugar algo muito pior. Com este não há diálogo, não existe educação. E tem muitos que defendem este retrocesso. Infelizmente nossas conquistas estão sendo apagadas em somente um ano de governo. E será que tem algo a se fazer? Começou com mentiras e vitimização e assim continua como se nada estivesse acontecendo.

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  7. Penso que são dois os requisitos para termos NOSSA Pátria de volta:
    (1) reunirmos todos os democratas (liberais, socialistas, trabalhistas, conservadores…) numa Frente Democrática em quantidade suficiente para ser uma força transformadora.
    (2) eliminarmos da vida pública TODOS os fascistas e seus valores assassinos.
    Só depende de afastarmos os mesquinhos interesses partidários e colocarmos um Projeto Nacional acima do egoísmo que divide, fragiliza, escraviza.

  8. Livro: Trapaça. Saga política no universo brasileiro. Vol 1 | Collor. Geração Editorial, 2019
    autor: Luís Costa Pinto – Página 124

    “De maneira irresponsável estava dada a licença para as especulações mais sórdidas e esdrúxulas, até no Palácio. Dessa forma criavam e seguem criando os boatos políticos. O país parecia ter elegido um homem sobre cujo passado pouco se conhecia e, de repente, vira-se obrigado a escutar os trechos mais tenebrosos de um prontuário que, em condições normais, nunca poderia passar próximo da cadeira presidencial do Planalto. Só uma eleição atípica, em que a maioria do eleitorado votara com o fígado a fim de vetar um dos lados da disputa, foi capaz de perpetrar erro político tão crasso.”

    O autor aponta, clara e obviamente, para a similitude das eleições de 1989 e 2018. O trecho em destaque se passa durante a reunião de gabinete no Palácio do Planalto, em 1992, tão logo explodiu a notícia de que Pedro Collor, finalmente, havia dado entrevista oficial que daria origem à edição com a matéria de capa: Pedro Collor conta tudo.
    Ainda quanto às semelhanças, Collor assumiu em 15.03.1990. Estamos, portanto, no dia 16 de março de 1991.
    Falta agora aparecer um Pedro Collor.

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  9. Não existe Pátria com todos de joelho…
    e no caso de precisar de assistência permanente, uma vez desperta, outra vez dormindo,
    aí é que não é Pátria mesmo, na certeza de que nunca será

    Pátria, ou é de todos ou não é de ninguém

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  10. Quando se desce no fundo do poço, emerge uma coisa nova, espero que benefica as vezes não, a esquerda tem que fazer um trabalho que ate hoje não fez, trabalhar com informação, ter uma abin própria, a esquerda teve sorte em encontrar um hacker pelo caminho, ela tinha que ter feito este trabalho, o coaf agiu com leviandade quando apresentou o Queiroz depois da eleição, estes dados seriam importantissimos na eleição, onde esta o Adriano de Nobrega, a esquerda na exige isso , não se comenta sobre isso, entao falta informação a esquerda que ficou 13 anos e não se preparou a isso

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  11. Excelente artigo de ano novo. Fecho com tudo. A principal utopia adjacente é a conquista de um República. A desigualdade é nossa chaga. Privilégios e corrupção na política e fora dela inviabilizam a democracia. É pornográfica nossa condição de segunda política mais cara do mundo.

  12. Em todo o processo do golpe aqueles q lutaram de uma forma ou de outra AMADURECERAM,reparem q sofremos nestes últimos dois anos pancadas violentas e agora nos sentimos até meio anestesiados,isso nos fez pessoas melhores,calejadas,coro grosso e até eu estou reconsiderando armar nosso povo & outras coisas mais,temos q SALVAR este país e com certeza há vários caminhos,só precisamos saber em qual ir primeiro,é terminantemente importante politizar e esclarecer nosso povo, aliás penso q era inevitável o país passar por todo este processo dadas as circunstâncias,só precisamos tapar as brechas deixadas por nós mesmos p q os inimigos do Brasil não continuem a aproveitá-las!VIVA O BRASIL!

  13. Eu sou fã de todos os textos do Nassif. E em geral concordo com ele. Tenho a certeza de que renasceremos. Como aliás os demais países onde, igualmente, se procura destruir o Estado nacional e as formas democráticas de convivência social, esses países também renascerão. Não se sabe quando. Mas tenho uma observação suplementar que não tenho visto analisada pelos comentaristas de nossa imprensa alternativa. Grande parte das lideranças desse movimento negativista do Brasil Soberano, são pessoas com dupla nacionalidade, duplo passaporte. São apenas “brasileiros” oportunistas. Sua cultura é a do colonizador. Estão aqui para extrair, subjugar e humilhar. Não sei como resolver isto, apenas sei que existe e que deve ter influência no comportamento. O lider do parlamento, ainda na prisão, p.ex. é italiano, os homens mais ricos são da Alemanha e Suiça, reis de certos mercados são norte-americanos, etc etc. Resistiremos e venceremos, tenho certeza. Isto já ocorreu algumas vezes. A segunda metade do século 19 foi atroz para os brasileiros. Igualmente as primeiras décadas da República. É preciso esfriar a cabeça, agir de cabeça fria, com a história na mão, dizia Vandré. Bom ano para todos, muita coragem para montar nossa resistência patriótica.

  14. A História é complexa e se reverte. Mas uma coisa não muda: A mediocridade, assim como a mentira, tem pernas curtas! A República dos Homens Medíocres em brebe irá fenecer!!!

  15. Para os que ficaram emocionados com as belas palavras do Nassif, um eterno otimista, por favor não leiam o texto que irei escrever.
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    Espaço reservado para desistir da leitura e não estragar o seu início de ano.
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    Este país idílico em que existia uma elite familiar composta de turquinhos, italianinhos, judeus, polacos, alemães, franceses, japoneses de todas as extrações sociais, era composto infelizmente de uma pequeníssima minoria. Esta elite familiar se formava por motivos familiares e pessoais e eram as únicas pessoas num país, em que a educação era uma regra de convivência, que transmitiam estas regras nos discursos públicos, uma pequena fração falava desta forma por convicção e outra grande maioria o repetia por oportunismo.
    Este país civilizado não morreu, simplesmente porque nunca existiu, as regras de convivência eram calcadas em alguns pressupostos básicos, pretos, pobres e analfabetos estavam no país para coisas, trabalhar, ser explorados, não falar, não reclamar, responder de forma correta quando fosse interrogados, respeitar os doutores, ricos, brancos e influentes e, o mais importante, não tentar sair de suas chinelas.
    Eu tenho 66 anos, mas a mais de 50 anos apreendi que havia algo de errado, que havia dois tipos de brasileiros, os que eram para ser servidos e os que serviam, e os serviçais jamais deveriam pedir mais do que recebiam.
    Por um erro, que está sendo tentado ser sanado nos dias de hoje, se deu aos serviçais alguma noção de cidadania, mínima tais como, poder reclamar na justiça do trabalho, ser um cidadão correto e obedecer o policial ou qualquer autoridade que fosse, receber o seu salário e no máximo pedir gentilmente um aumento. Poderia seguir adiante, porém seria cansativo, pois eram tantas as regras sociais que eram impostas aos mais desvalidos, que nem sei a quantidade e a ordem.
    Porém um dia num passado meio distante alguém pensou em reclamar de tudo isto, se os ventos eram bons ele conseguia naquele momento algumas de suas reclamações, se os ventos fossem no sentido contrário receberia o famoso “pé na bunda”. Mas mesmo assim os reclamadores continuaram a reclamar, com a educação, com a capacidade de ler, formou-se um tipo de sub-humano que pretendia ser humano. Com os discursos de um ex-operário, que chegou a presidência da república, muitos destes sub-humanos pensaram que poderiam ser mais do que isto algum dia.
    Com isto veio o que impropriamente chamamos de discurso de ódio, que na verdade é uma forma menos elaborada de dizer NÃO, pois tem que ser gritado mais forte o não, pois a elite familiar pobre, que apreendera abaixar a cabeça quando humilhado, desaprendeu esta valiosa lição, a lição da humildade e submissão.

  16. Nossa, Nassif, mas você decididamente lava nossa alma! Subscrevo cada sílaba e faço votos que você prossiga nesta linha gerando outros textos semelhantes.Temos que fazer mesmo grande rumor sobre exatamente este assunto.
    Cadê nosso país? Sinto uma imensa falta dele.Sem dúvida aquele período 59-63 foi glorioso, e eu fui mesmo um privilegiado adolescente, estudante do Andrews. Era absolutamente certo, como nos sopravam no ouvido, que seríamos uma grande nação lá para 2000.E então,de repente, não mais que de repente (para continuarmos com Vinicius) o humilhante 64, a farsa de Sarney, a montagem de Collor, a canastrice de FHC,o sonho efêmero (até agora) de Lula-Dilma e o Absurdo Camusiano atual (tenho absoluto pudor de escrever aquele nome).

  17. Caro Nassif e demais que aqui comentam. E pra ter essa Pátria de volta é preciso observar que “”””””””””O GRANDE CULPADO por essa destruição do Brasil É O SERGIO MORO”””””””””””. Pois o SERGIO MORO inflou o ódio do povo mais IGNORANTE ao: Fazer vazamentos seletivos (divulgando depoimentos contra o PT e omitindo depoimentos contra o PSDB); ao viajar o Brasil e o mundo, divulgando a corrupção do PETROLAO como se fosse a maior CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE (detalhe: corrupção essa do Petrolao que o próprio Sérgio Moro queria se beneficiar roubando 2 bilhões com a criação da fundação LAVA-JATO); ao não denunciar por corrupção os articuladores do GOLPE: Aécio, Temer e Cunha; ao condenar o Lula sem provas; e AO CRIAR UM FATO MENTIROSO em 01 de outubro de 2018, PRA ELEGER O BOLSONARO, quando jogou na midia o depoimento do PALOCCI, quando a PROPRIA JUSTIÇA JA TINHA DESCARTADO por considerar ser mentira. Portanto É NO SÉRGIO MORO QUE TÊM QUE SER CONCENTRADO “”TODOS OS QUESTIONAMENTOS E AS CRITICAS””, porque “””SEM A ATUAÇÃO FORA DA LEI DO SERGIO MORO, CERTAMENTE OS DOIS OUTROS LADO DO TRIPÉ GOLPISTA: DIREITA E MIDIA; NÃO TERIAM CONSEGUIDO DERRUBAR A DILMA E ELEGER O BOLSONARO””.()

  18. Belo texto só que com certo otimismo, não consigo vislumbrar nada no horizonte e não devemos esquecer de uma praga comandada de fora e que controla corações e mentes. O Fundamentalismo Religioso ! Paticamente todo o espectro radiofônico e boa parte do televisivo estão com eles, não há parâmetro no mundo dito civilizado.

  19. 2020 começa, mas sabe os ventos tomarão novos rumos e tudo depende do norte, noticia fresca de hj, procurem po Bloomberg.O fato que a nova tecnologia koreana dá pra todos , esquerda ,direita, frente e trás, começar a dobrar o joelho de verdade..

  20. Num país onde um louco, expulso do Exército, que defende a tortura, que tem um discurso que propõe matar 30 mil pessoas, que enriqueceu roubando dinheiro público de verbas para pagar funcionários fantasmas dos gabinetes da família, que confessou publicamente a prática de zoofilia, consegue a simpatia e a confiança de 58 milhões de pessoas, fica muito difícil acreditar que este país volte a ser uma pátria.

  21. Lute então para o seu candidato ser eleito, Luis. Essa é a beleza da democracia. A alternância no poder. Faça oposição e siga em frente. A saudade é algo lindo, mas se reporta ao passado…

  22. Milícias? O Brasil não se resume ao Rio de Janeiro, essa cidade malograda que pode mudar de rumo ainda este ano, se souber votar direito. Ponto final. Que integralistas? Não enchem 1 van. Outra coisa: nós, brancos e de classe média, esquecemos que os negros periféricos estão nesse caos bem antes do que nós. Apenas o fundamentalismo evangelofascista bateu para nos lembrar da ilusão da democracia liberal e que não estamos na base das massas, organizando elas para serem revolucionárias ao invés de reacionárias. Mas não vai haver nada de volta. O Brasil e o mundo não são mais os mesmos do tempo do Lula e dos commodities, a geopolítica se alterou e o negocismo de classes com a elite vai sempre nos jogar no limbo (vide golpe em Jango, vide golpe em Dilma). Que pátria você quer se volta? Aquela que varria todas as nossas desgraças para debaixo do tapete e fingia que estava tudo bem, que o catador de papel e o grande empresário eram a mesma coisa, “brasileiros”? Isso já era – e é bom que seja assim. O papel da esquerda, portanto, é o de radicalizar suas pautas a favor de democracia direta e da socialização gradual dos meios de produção. Quanto ao Brasil, a merda não é só aqui. Na Inglaterra de Boris Johnson jornalistas falam que o momento lembra a Guerra Civil, a Restauração. Vocês sabem o que é uma guerra civil? Os ingleses mataram o rei e surgiu o tirano Cromwell. O Brasil mal sabe o que é uma guerra civil. Os EUA sabem. Tiveram uma guerra civil sangrenta entre industrialistas do norte e escravistas do sul. Vocês reclamam de barriga cheia! Os russos aguentaram séculos de despotismo e miséria até se levantarem, e justo num momento terrível e mortífero de primeira guerra mundial. Sabemos das consequências ruins da revolução soviética, sabemos que a Rússia atual conservadora não é modelo, mas poderiam hoje ser uma Mongólia, um imenso pasto sem nenhuma independência, que conquistaram. Portanto, menos. A familícia é a bosta que foi expulsa do ânus da elite.

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  23. Nassif,
    Espero que 2020 venha a ser um ótimo ano para você e sua família.
    No curto prazo, as expectativas a respeito do brasilsil são péssimas e, infelizmente, não pode ser diferente.
    Como explicar a ausência de efeitos naqueles que mais se beneficiaram com um governo progressista, que tirou da fome mais de 40 milhões, como explicar a maioria de uma classe E votando em João Doria ? Deviam estar acreditando que o notável governador iria mandar todos eles prá Disney.
    Depois de um longo ano, o que se teve foi um autêntico banho de sangue, com 45 milhões de desempregados que o JN transforma em menos de 12 milhões, reformas trabalhista e da Previdência, somente fortes pancadas na cabeça de quem mais precisa e que, lamentavelmente, nada sabem. No brasilsil todos acessam a internet, isto é, facebook, twitter, instagram, what’s app, os mais variados jogos e nada mais, aí pergunto, a turma realmente acessa a internet? É lógico que não.
    A violência chegou a um novo patamar, uma vez que os policiais receberam uma licença para matar, na arena política o bloco de oposição não consegue sequer fazer espuma, tanto que não se conhece um nome para enfrentar a extrema-direita raivosa que aí está, e aí ? Se lululá não concorre ( não acredito que a cachorrada permita a eleição deste super-homem, agora com 4 pontes de safena, oito anos mais velho e que, caso venha a ser eleito, será massacrado diariamente pelo núcleo duro do golpe) e o querido miliciano sendo largado pelos cantos, quem sobra pra ocupar o trono, Doria, LHuck ?
    O fato é que este país foi, e continua sendo, duramente atacado por um grupo que está, literalmente, arrasando com tudo o que vê pela frente, a próxima etapa será a privatização da energia elétrica, de fornecimento de água potável, do saneamento básico e sei lá o que mais, um verdadeiro massacre.

  24. Parabéns pelo texto, bravo Nassif! Você é um jornalista sem aspas, não é parte da criadagem “jornalistas” da grande mídia.Temos os requisitos para nos tornar um país do qual nos orgulhemos: somos um gigante territorial, riquíssimo em recursos naturais e populoso. Esse período de trevas passará, pois o despertar está acontecendo, ainda lento, mas está andando em praticamente todos os segmentos sociais. Entre os não católicos, cresce o movimento “evangélico pelos direitos humanos”. O neopentecostalismo está sendo questionado.
    As pessoas estão se dando conta que o “Pátria amado Brasil” é um engodo, usado para hipnotizar o povo e acabar com seus direitos…e questionam as privatizações.
    Seremos um país será grande, sem excluídos, sem violência, pacifista e vivendo em harmonia com a natureza;

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