Vou calmo, por Rui Daher

Por Rui Daher

Vou calmo quando escrevo nesta noite de domingo. Creio que assim me preferem editore(a)s. Afinal, quando for para a cama, serão duas bolonas de sonífero. Antes o álcool foi pouco, como recomendado por deuses, budas e amuletos.

Galhofa leve: dias destes, sonhei estar começando um novo relacionamento de amor. Estava no saudoso “Beco das Garrafas”. Talvez, influenciado por Ariano Suassuna e Darcy Ribeiro, meus escritores preferidos, que do céu vivem a me pregar peças. Sim era ela, Janaína Paschoal. Eu sussurrava versos de amor do Vinícius no seu ouvido e ela, furiosa, como pomba-gira, devolvia ao alto dos prédios, com velocidade e força inimagináveis, os objetos que nos atiravam os vizinhos do beco.

O quê, Ariano? Se naquela época já batiam panelas? Não lembro, tanto tempo fà. Se a conduzi até as areias de Copacabana?  Não, Melodia, fiquei com medo. Embora, apenas 30 anos mais nova do que eu, no sonho aparecia-me como aquelas crianças de filmes de terror, os olhos fixos em algum lugar, de repente começavam a girar 360 graus numa velocidade estonteante. A certa hora pareceu-me sentir um odor de carne humana queimando. ‘Poltergeist’? Tô fora.

Acovardei-me mais ainda quando sugeriu brincar de baldinho e pazinha na beira-mar. Não topei. E se não aparecesse um ‘Táxi Lunar’ pra me levar dali?

– Como Dr. Walther Salles?

– Sim, ainda bem que foi sonho. Se eu tenho algo sério para falar? Muito. Daí vocês veem. Mas numa segunda-feira? Dói.

Há os avanços norte-americanos e chineses sobre nossos ativos e recursos naturais; as consequências do protecionismo e guerra comercial de Donald Trump; as bobagens dos arrependidos com o impeachment que somente usam como argumento o “rombo” criado pelas políticas de inserção social; o endividamento global e, pior, o meu atingem recordes históricos; a Copa do Mundo marcada pelas quedas “fakes” de Neymar e a indigência intelectual da crônica esportiva; a nota de Martin Wolf de como os EUA se entregaram a um capitalismo de cobiça; e como é feinha a tal .

Tudo sério, mas nesta semana irei preferir ouvir e pensar o que canta Gilberto Gil, “OK, OK, OK”. Também as menininhas da banda “Clã Brasil” (já ouviu, Ariano?) e, para não me acharem machista, como o fez a pop-star economista de Boulos, Laura Carvalho, a elas junto Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e Marcos Suzano, em “Os Cinco no Palco”.

https://www.youtube.com/watch?v=V6kTUpRoRHQ]

https://www.youtube.com/watch?v=indT4s2hTgI

[video:https://www.youtube.com/watch?v=p98y-kfk2vw

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5 comentários

  1. Realmente não é sonho.

    Me desculpe Sr.Rui, mas sonhar que está amando a possuída é mal presságio, castigo cruel. O  significado de tal pesadelo talvez seja o fato da monstrenga se tornar a vice do odioso admirador de torturador na pretensa corrida  ao planalto. Antevejo o caos: Na primeira discórdia entre o cabeça de chapa e sua vice (junção do Messias batizado no rio jordão e    Astarote, a rainha do inferno) o pau vai comer, porradas, unhadas e mordidas quiçá até canibalismo movido pelo ódio. . Convoquem uma dúzia de exorcistas e vamos resar.

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