Sugerido por Mara L. Baraúna
Elis Regina Carvalho Costa (Porto Alegre, 17 de março de 1945 — São Paulo, 19 de janeiro de 1982)
Começou a carreira como cantora aos onze anos de idade em um programa de rádio para crianças chamado O Clube do Guri, na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego.
Aos 13 anos e meio, Elis era a garota-sensação de Porto Alegre. Em 1959 assinou o primeiro contrato profissional, na Rádio Gaúcha, e no ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro compacto, pela Continental. A mesma gravadora em 1961 lançou seu primeiro LP, “Viva a Brotolândia”, com calipsos e rocks.
Em seguida voltou para Porto Alegre, onde ficou até 1964, quando regressou definitivamente para o Rio, acompanhada do pai, para tentar a carreira nacional.
Ao assinar um contrato com a TV Rio, passa a participar do programa Noites de Gala, com a presença de outros estreantes da época: Jorge Ben, Wilson Simonal e o Trio Iraquitan.
Acompanhada pelo baterista Dom Um Romão começou a frequentar o Beco das Garrafas, reduto da bossa nova, um dos maiores pontos de encontro de músicos e produtores musicais da época.
Lá aprendeu com o bailarino americano Lennie Dale a célebre coreografia que lhe valeu o apelido de “Hélice Regina”.
Como muitos outros artistas do Brasil, Elis surgiu dos festivais de música na década de 1960. Tornou-se conhecida nacionalmente em 1965, ao sagrar-se vencedora do I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, defendendo a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.
Apresentou, com Jair Rodrigues, “O Fino da Bossa”, programa de música na TV Record, e que serviu de rampa de lançamento para uma série de artistas.
Lançou vários compositores como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Raimundo Fagner, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, Ivan Lins, entre outros. Um dos grandes admiradores, Milton Nascimento, a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições.
Sua carreira internacional ficou mais importante a partir de 1968, quando cantou nas TVs inglesa, holandesa, belga, suíça e sueca.
De volta à TV Record, em 1969, fez a série de programas “Elis Studio”, dirigida por Miéle e Bôscoli. Em maio, viajou para Londres, onde gravou um LP com o maestro inglês Peter Knight. Em junho, na Suécia, gravou um LP com o gaitista Toots Thielemans.
Foi a primeira pessoa que inscreveu sua voz como instrumento, na Ordem dos Músicos do Brasil. E era. A voz de Elis soava como instrumento afinado, não perdendo, nem por um minuto, o carisma e a emoção em cada canção.
O acervo de Elis Regina está prestes a ganhar mais um precioso capítulo: o especial produzido pela televisão alemã na década de 70, que registra uma artista em pleno domínio de seu talento, cantando ao lado do francês Michel Legrand e do corpo de bailarinos de Jimmy James Dancers, num programa dirigido pelo holandês Rob Touber.
Em 22 de setembro de 2005, inaugurou-se na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, um espaço memorial para abrigar o Acervo Elis Regina. Trata-se de uma coleção de fotografias, artigos, objetos, discos e outros tipos de materiais relacionados com a vida e a obra da cantora, tendo sido doado por fãs, jornalistas e amigos pessoais de Elis.
Elis é homenageada no teatro com o espetáculo ‘Elis – A Musical’, direção de Dennis Carvalho e roteiro de Nelson Motta e Patrícia Andrade.
Ao morrer, aos 36 anos, em 19 de janeiro de 1982, Elis Regina deixou mais de 30 discos gravados e infinidades de sucessos. Acima de tudo, com sua voz marcante e peculiar interpretação, deixou alguns clássicos imortais.
Elis é mãe de João Marcelo Bôscoli, filho do seu primeiro casamento com o músico Ronaldo Bôscoli, e de Pedro Camargo Mariano e Maria Rita, filhos de seu segundo marido, o pianista César Camargo Mariano.



Livro Furacão Elis, de Regina Echeverria
Trabalhos acadêmicos:
Elis de todos os palcos: embriaguez equilibrista que se fez canção, de Mateus de Andrade Pacheco. Programa de Pós-Graduação em História, Universidade de Brasília
Em busca do “Falso Brilhante”. Performance e projeto autoral na trajetória de Elis Regina (Brasil, 1965-1976), de Rafaela Lunardi. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo
O imaginário e as músicas interpretadas por Elis Regina na década de 70, de Emanuela da Silva. Curso, Comunicação Social, Jornalismo, Universidade Sul de Santa Catarina
O nacional-popular na obra de Elis Regina (1961-1974), de Débora Dutra Fantini. Pós-Graduação em História, Universidade Federal de São joão de-Rei
Rupturas no contexto da MPB: Uma análise historiográfica da carreira de Elis Regina, de Aline Maria Kukoj. Departamento de História, Universidade Federal do Paraná
Alguns vídeos:
Leia mais em:
Elis Regina Elis Regina As duas mortes de Elis Regina Blog Elis Regina Pimentinha Raimundo Fagner
Zarastro
17 de março de 2014 11:48 amTransversal do Tempo, versão integral
Versão integral do show “Transversal do Tempo”, de Elis Regina. Essa versão estava prometida na contracapa do álbum original que foi comercializado, mas que acabou nunca vendo a luz do dia. No início de 2012, houve a promessa de que a versão integral seria finalmente comercializada, mas um dos músicos não aceitou o acordo proposto pela gravadora e o lançamento foi suspenso por tempo indeterminado. Felizmente, o youtube existe para nos salvar.
[video: http://youtu.be/R-mfoXTfsdw%5D
xispagato
18 de março de 2014 11:26 amTRANSVERSAL DO TEMPO FULL
Poxa, Zarastro, muito obrigado pela informação. Estava na maior expectativa por esta versão e não sabia que o projeto tinha sido suspenso. É uma pena. De qualquer forma eu também não sabia que havia “submergido” esta versão integral. Serei obrigado a procurar a versão “lossless”.
Ivan de Union
17 de março de 2014 12:08 pmMaravilha de post!
Maravilha de post!
Mara L. Baraúna
19 de março de 2014 7:12 pmObrigada, Ivan.
Abraços
Obrigada, Ivan.
Abraços
Lucio Vieira
17 de março de 2014 2:04 pmNatan Marques – depoimento importante
O guitarrista, arranjador e produtor Natan Marques fala da criação do show Trem Azul – última realização de Elis Regina e da conversa na noite anterior à sua morte.
[video:http://youtu.be/wTzJZRRFCqc%5D
Maria Luisa
17 de março de 2014 8:17 pmElis, sempre.
Lembro ainda de minha mãe muito triste repetindo “Elis morreu”. Eu nem sabia que Elis era aquela. Anos depois, garimpando os discos da casa, descobri o porquê da tristeza com a morte da nossa eterna pimentinha, musa maior da MPB. Salve Elis !
rosane pinheiro
18 de março de 2014 1:26 pmpaixão por Elis
ADOREI esta montagem em homenagem a Elis – parabéns Luis Nassif !!!
Com todo carinho Rosane Pinheiro
Mara L. Baraúna
19 de março de 2014 7:11 pmObrigada, Rosane.
Abraços
Obrigada, Rosane.
Abraços
Anamárcia V.
20 de março de 2014 2:56 amantes dela, era o que? depois
antes dela, era o que? depois dela, um vazio enorme…tá, sou radical, mas não acredito que surja outra pessoa-instrumento e por falar nisso, a tchurma lá de cima é que é da pesada e esta saudade não tem jeito, não
Regina Cascão
22 de março de 2014 3:27 amParte de msg criada e
Parte de msg criada e enviada por mim, dirigida a meus amigos a 19 de janeiro de 2014 – A filha de D. Ercy Carvalho e seu Romeu Costa; a mãe de João Marcelo, Pedro e Maria Rita; a lançadora de Edu Lobo, Milton Nascimento, Aldir Blanc, Belchior, João Bosco, Ivan Lins; a grande estrela da música popular, faz trinta e dois anos partiu para outros espetáculos. Difícil imaginar o que estaria cantando hoje, se não houvesse partido. Apenas uma certeza: o que quer que fosse, estaríamos ouvindo e amando. Como eu faço agora, enquanto a melodia me corta como faca amolada, me ajuda na travessia, me leva no trem azul, me balança na corrida de jangada, se instala debaixo de sete chaves no lado esquerdo do peito, me aporta no cais, me balança pra lá e pra cá, me esconde atrás da porta, me embebeda e equilibra, me deixa triste, me tatua e me ensina a jogar, me arrasta, me fecha pra balanço, me mostra exatamente como meus pais, me situa numa terra de ninguém, me deixa louca, me interrompe no sinal fechado, tenta me ensinar a ser só, me conscientiza que as aparências enganam, cai dentro e me fascina, me despe da velha roupa colorida quando eu quero falar com Deus, e me diz adeus, claramente mostrando que nada será como antes. E então, sem que eu me dê conta, percebo que faz trinta e dois anos que não sou mais a mesma. Fez-se noite em meu viver…