Para britânico, brasileiros exageram na rejeição ao próprio país

Jornal GGN – Para o britânico Adam Smith, blogueiro da série “Para Inglês Ver”, da BBC Brasil, os brasileiros exageram na rejeição ao seu próprio país e também se diminuem em relação a países desenvolvidos, notadamente os Estados Unidos. Smith cita o complexo de vira-lata, cunhado por Nelson Rodrigues após a derrota na Copa de 1950 e dá exemplos do que ele vê como um “processo que parece estrangular a identidade brasileira”.

O britânico cita um de seus alunos de inglês, que, sempre que mencionava algo dos Estados Unidos e Canadá, “os olhos dele brilhavam”. Ele diz entender que o momento econômico é difícil, mas diz que a solução de sair do país para viver um “idealizado sonho americano” é “deprimente”.

Da BBC Brasil

Blogueiro britânico diz que brasileiros exageram na rejeição ao Brasil
 

Pouco depois de chegar a São Paulo, fui a uma loja na Vila Madalena comprar um violão. O atendente, notando meu sotaque, perguntou de onde eu era. Quando respondi “de Londres”, veio um grande sorriso de aprovação. Devolvi a pergunta e ele respondeu: ‘sou deste país sofrido aqui’.

Fiquei surpreso. Eu – como vários gringos que conheço que ficaram um tempo no Brasil – adoro o país pela cultura e pelo povo, apesar dos problemas. E que país não tem problemas? O Brasil tem uma reputação invejável no exterior, mas os brasileiros, às vezes, parecem ser cegos para tudo exceto o lado negativo. Frustração e ódio da própria cultura foram coisas que senti bastante e me surpreenderam durante meus 6 meses no Brasil. Sei que há problemas, mas será que não há também exagero (no sentido apartidário da discussão)?

Tem uma expressão brasileira, frequentemente mencionada, que parece resumir essa questão: complexo de vira-lata. A frase tem origem na derrota desastrosa do Brasil nas mãos da seleção uruguaia no Maracanã, na final da Copa de 1950. Foi usada por Nelson Rodrigues para descrever “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”.

E, por todo lado, percebi o que gradualmente comecei a enxergar como o aspecto mais ‘sofrido’ deste país: a combinação do abandono de tudo brasileiro, e veneração, principalmente, de tudo americano. É um processo que parece estrangular a identidade brasileira.

Sei que é complicado generalizar e que minha estada no Brasil não me torna um especialista, mas isso pode ser visto nos shoppings, clones dos ‘malls’ dos Estados Unidos, com aquele microclima de consumismo frígido e lojas com nomes em inglês e onde mesmo liquidação vira ‘sale’. Pode ser sentido na comida. Neste “país tropical” tão fértil e com tantos produtos maravilhosos, é mais fácil achar hot dog e hambúrguer do que tapioca nas ruas. Pode ser ouvido na música americana que toca nos carros, lojas e bares no berço do Samba e da Bossa Nova.

Tapioca

Cadê a tapioca?

Pode ser visto também no estilo das pessoas na rua. Para mim, uma das coisas mais lindas do Brasil é a mistura das raças. Mas, em Sampa, vi brasileiras com cabelo loiro descolorido por toda a parte. Para mim (aliás, tenho orgulho de ser mulato e afro-britânico), dá pena ver o esforço das brasileiras em criar uma aparência caucasiana.

Acabei concluindo que, na metrópole financeira que é São Paulo, onde o status depende do tamanho da carteira e da versão de iPhone que se exibe, a importância do dinheiro é simplesmente mais uma, embora a mais perniciosa, importação americana. As duas irmãs chamadas Exclusividade e Desigualdade caminham de mãos dadas pelas ruas paulistanas. E o Brasil tem tantas outras formas de riqueza que parece não exaltar…

Um dos meus alunos de inglês, que trabalha em uma grande empresa brasileira, não parava de falar sobre a América do Norte. Idealizou os Estados Unidos e Canadá de tal forma que os olhos dele brilhavam cada vez que mencionava algo desses países. Sempre que eu falava de algo que curti no Brasil, ele retrucava depreciando o país e dando algum exemplo (subjetivo) de como a América do Norte era muito melhor.

O Brasil está passando por um período difícil e, para muitos brasileiros com quem falei sobre os problemas, a solução ideal seria ir embora, abandonar este país para viver um idealizado sonho americano. Acho esta solução deprimente. Não tenho remédio para os problemas do Brasil, obviamente, mas não consigo me desfazer da impressão de que, talvez, se os brasileiros tivessem um pouco mais orgulho da própria identidade, este país ficaria ainda mais incrível. Se há insatisfação, não faz mais sentido tentar melhorar o sistema?

Destaco aqui o que vejo como um uma segunda colonização do Brasil, a colonização cultural pelos Estados Unidos, ao lado do complexo de vira-latas porque, na minha opinião, além de andarem juntos, ao mesmo tempo em que existe um exagero na idealização dos americanos, existe um exagero na rejeição ao Brasil pelos próprios brasileiros. É preciso lutar contra o complexo de vira-latas. Uma divertida, porém inspiradora, lição veio de um vendedor em Ipanema. Quando pedi para ele botar um pouco mais de ‘pinga’ na caipirinha, ele respondeu: “Claro, (mermão) meu irmão. A miséria tá aqui não!” Viva a alma brasileira!

 

Redação

40 Comentários

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  1. Isso tem só uma explicação

    Para muitos dos problemas que enfrentamos, adoraríamos que encontrássemos uma explicação simples que sintetizasse tudo, mas quase nunca achamos.

    Neste caso há e ele se chama MÍDIA! 

  2. Pra mim, essa forma de

    Pra mim, essa forma de desqualificar o país é muito disseminadao pela midia, cinema, etc, como uma forma de dominação, o tal soft power; não me entra na cabeça jornalistas que reclamam de tudo que existe por aqui e exaltam o que é de fora, por exemplo, o país é o quarto mercado de automoveis e não possui uma unica empresa nacional, assim como certos politicos que vivem inventando projetos que privilegiam empresas de fora em detrimento do produto nacional, desses que adoram tirar fotos pateticas com o pateta, agorinha mesmo tem um fazendo isso…………………………….

    1. “Não tem miséria!”

      Esse seu exemplo da industria autmobilisstica é um dos mais ilustrativos da elite brasileira em geral e da industrial em específico. Uns medíocres que só querem predar e pilhar a “colônia” pra depois gastar lá fora. Mesmo que pra isso tenham que levar multidões à miséria e à indigência, e todo tipo de brutalidade, boçalidade, falta de escrúpulos e indecência sejam necessárias para “controlar” a situação.

      O exemplo que o inglês deu do vendedor da praia de ipanema deve causar horror a essa turma (e seus imitadores das classes médias). Imagina, pedir um “chôro” em algum bar norte americano…

      Lembro desde bem pequeno que um professor de inglês contou rindo que certa feita pediu um “uísque triplo” em um bar norte americano. O barman não entendeu e ele precisou demonstrar: pediu um duplo e outro simples, derramou em um copo só e concluiu em voz alta e com gesto de mão: “triplo”.

      Não parou aí. Depois de beber o primeiro pediu mais uma vez outro “uísque triplo”. O Barman preparou uma dose de duplo, outra de simples e derramou em um copo só; igualzinho.

      Ele recebeu, agradeceu e perguntou: por que foi necessário usar dois copos? O barman não sabia se ficava com raiva ou ria…

  3. Os colonizadores portugueses

    Os colonizadores portugueses e nossa história de escravidão de 400 anos inocularam no inconsciente coletivo brasileiro o complexo de vira latas, posteriormente atualizado com a colonização norte-americana.

    Isso é cultural e só se modifica com o conhecimento e a educação.

     

     

    1. Já te aprecatasse que a

      Já te aprecatasse que a America tem a mesma história do Brasil. Ambos países foram colonizados, os dois países tiveram escravidão e populações nativas.

      “Somos pobres, a culpa é deles”, frase emblema do complexo de vira-latas.

       

       

      1. Igual, mas diferente

        Até o mundo mineral sabe que as colonizações brasileira e estadunidense tiveram caracteres completamente diferentes. Ou seja, igular bananas e abacaxis não leva a conclusões muito precisas.

        De resto, os Estados Unidos continuam a ser uma terra de violência; vide os assassinatos com armas (legais) de fogo que lá já ceifaram 382 pessoas e deixaram 1130 feridas somente em 2015, ou seja, mais de uma pessoa por dia em menos de um ano. (Referência: http://shootingtracker.com/wiki/Mass_Shootings_in_2015).

        1. agora compara os números da violencia norte americana

          com a brasileira, melhor compara a violencia no brasil com a violencia de Ruanda que é mais justo, apesar de Ruanda ser mais segura…

        2. BRA (200 mi hab.) – 24

          BRA (200 mi hab.) – 24 homicídios por 100 mil hab. =  58.000 assassinatos ano
          EUA (300 mi hab.) – 4,5  homicídios por 100 mil hab =  14.000 assassinatos ano

          BRA – 55 mil mortes no trânsito por ano
          USA – 4 mil mortes por ano.

          Poderias ter pego outra área para comparar, Universidades p.ex., daí o Brasi dá um banho…hehehe

           

           

        3. ano passado foram mortas nos

          ano passado foram mortas nos EUA mais de 13.000 pessoas de forma violenta. Em 2012 foram mortas mais de 55.000 pessoas no Brasil de forma violenta. Nos EUA todos tem armas de fogo. No Brasil é proibido ter e portar armas de fogo. Nos EUA são 300 milhoes de habitantes. No brasil são 200 milhoes de habitantes.

      2. Mas os reflexos da escravidão

        Mas os reflexos da escravidão são sentidos até hoje pela população negra americana.

        Basta ver os vários casos recentes em que a polícia abusou da autoridade contra jovens negros.

  4. Amor

    Viajei duas vezes ao exterior (Espanha e Alemanha) e toda vez que me perguntavam de onde eu era e eu respondia “Brasil”, o sorriso admirado era unânime. As pessoas são encantadas pelo Brasil. Minha chefe alemã me pediu para levar Bananinha e pó para pão de queijo, além de uma cachaça (levei Espírito de Minas, mas hoje levaria uma Anísio Santiago). Achou o Rio de Janeiro espetacular, e São Paulo feia, suja e pichada, com sacos de lixo por todos os lados. Destacou as filas demoradas pra tudo (almoço no restaurante, banheiro do shopping, trânsito e semáforo). Acha que os brasileiros são gentis e receptivos com estrangeiros, mas são muito reativos, prolixos e falam muito alto, com outros brasileiros. “Vocês não conseguem falar baixo não?” Achou o fim da picada alguém jogar lixo pela janela do carro (viu isso acontecer na rua). E acha um pouco atrasado essa história de “parar o país” em feriados, especialmente o Carnaval, quando todo mundo deixa de se estressar no trabalho para se estressar nas estradas, praias e hotéis. Comentou que sente um clima de “barril de pólvora” nas nossas aglomerações, como arquibancadas de futebol, carnavais de rua e réveillon em Copacabana. “É diferente de quando você vê as pessoas reunidas na Times Square ou na praça da Basílica do Vaticano. Nos outros lugares, todo mundo realmente está alegre e em paz. Os brasileiros têm uma expressão ansiosa, não pacífica”. Essas impressões da minha ex-chefe me deixaram extremamente intrigada, porque ela mostrou uma percepção sobre nós que nem eu mesma tinha. E acho sinceramente que ela está coberta de razão.

    1. pitaco todo mundo pode dar, e

      pitaco todo mundo pode dar, e opinião cada um tem a sua. Mas, apesar de concordar com algumas das observações da sua amiga, outras eu acho somente etnocêntricas. Não existe nenhuma relação entre “atraso” e enforcar um feriado por exemplo – a menos que se avalie o mundo somente pela ótica gringa (germânica, no caso). Não se faz isso na terra dela e nem na Europa em geral, então consideram que obviamente é o mais avançado (nem acho que ela está fazendo isso por maldade não, é natural a qualquer um). É como alguém considerar atrasado o habito de tirar a sesta, por exemplo. Ou de parar aos finais de semana. Ou, no sentido oposto, de ter que trabalhar por cinco dias seguidos, sem parar, para finalmente parar um pouco por dois dias. Tudo depende de uma lógica própria que nada tem a ver com ser “atrasado” ou não. Para ela não funciona, mas para nós sim.

      Acho bem legal quando vejo o ponto de vista de gringos sobre nosso país e cultura, mas é bom levarmos em conta que são somente isso, o ponto de vista de alguns gringos. Podem trazer boas coisas, e acho até que geralmente trazem, mas não são um manual impecável da verdade absoluta sobre nossa realidade que náo conseguimos ver. Seria igualmente complexo de vira-lata acreditar nisso.

      1. Essencialmente iguais
        Isso tudo me lembra uma passagem há alguns anos atrás. Estava eu e minha família em passeio pela Europa e , em determinado dia , dentro de um bonde passeando por Munique . Fomos abordados por um simpático senhor , que nos perguntou , num português quase incompreensivel , de onde éramos no Brasil .
        Após responde-lo , perguntamos como como havia aprendido nosso idioma , ele disse que tinha trabalhado por uns tempos na Volkswagen em São Paulo , que tinha casado com uma brasileira , e , posteriormente , havia regressado à Alemanha , onde continuavam sua vida , mas regressava sempre ao nosso país, não somente pela esposa , mas porque adorava aqui , o povo , a nossa cultura , as belezas etc. Agradecemos os elogios , e dizemos que estávamos impressionados como o seu país era desenvolvido em todos os sentidos , e maravilhados com tudo o que víamos por ali e que gostariamos que o Brasil fosse assim um dia , que ficávamos frustrados com o nossos graves problemas estruturais etc. Mesmo.assim , aquele senhor continuava elogiando muito e brinco um grande sorriso quando falava Dr nossas coisas .
        Mais à frente , ao nos despedimos , ele nos surpreendeu com a seguinte reflexão : ” Enquanto vocês vêm à Alemanha e nos elogiam intensamente pela nossa impecavel organização , planejamento e outras coisas do tipo que talvez vosso país careça , nos alemães vamos ao Brasil buscar algo que vocês têm de sobra e nós pouquissimo , que é a acolhida , o carinho e a alegria imensa que nos contagia por lá ” .
        Depois de algum tempo fiquei refletindo e pensando que essa coisa da superioridade de um povo ou cultura sobre outros ( é claro que podem haver atrasos por

      2. Essencialmente iguais
        Isso tudo me lembra uma passagem há alguns anos atrás. Estava eu e minha família em passeio pela Europa e , em determinado dia , dentro de um bonde passeando por Munique . Fomos abordados por um simpático senhor , que nos perguntou , num português quase incompreensivel , de onde éramos no Brasil .
        Após responde-lo , perguntamos como como havia aprendido nosso idioma . Ele disse que tinha trabalhado por uns tempos na Volkswagen em São Paulo , que casou com uma brasileira , e , posteriormente , havia regressado à Alemanha , onde continuavam sua vida , mas regressava sempre ao nosso país, não somente pela esposa , mas porque adorava aqui , o povo , a nossa cultura , as belezas etc. Agradecemos os elogios , e dizemos que estávamos impressionados como o seu país era desenvolvido em todos os sentidos , e maravilhados com tudo o que víamos por ali e que gostariamos que o Brasil fosse assim um dia , que ficávamos frustrados com o nossos graves problemas estruturais etc. Mesmo.assim , aquele senhor continuava elogiando muito e abrindo um grande sorriso quando falava deu nossas coisas .
        Mais à frente , ao nos despedimos , ele nos surpreendeu com a seguinte reflexão : ” Enquanto vocês vêm à Alemanha e nos elogiam intensamente pela nossa impecavel organização , planejamento e outras coisas do tipo , que talvez vosso país careça , nos alemães vamos ao Brasil buscar algo que vocês têm de sobra e nós pouquissimo , que é a acolhida , o carinho e a alegria imensa que nos contagia por lá ” .
        Depois de algum tempo fiquei refletindo e pensando que essa coisa da superioridade de um povo ou cultura sobre outro ( é claro que podem haver atrasos por questões históricas ) é uma coisa que não se sustenta , de acordo com a complexidade do elemento humano . Na realidade somos anjos e demônios , sublimes e miseráveis , em qualquer parte do Planeta .
        Ou , como disse uma amiga minha , coincidentemente se referindo ao país daquele senhor que encontramos em Munique : ” A mesma admirável cultura alemã que nos legou luminares como um Bach , Mozart , Beethoven , Goethe , Marx , Nietzsche , Freud , Einstein , e outros grandes , também desgraçadamente nos “presenteou” com um Hitler e toda sua monstruosidade injustficavel e indefensável do Nazismo ! ”
        Que ironia , não ?

    2. Sim, ela está coberta de
      Sim, ela está coberta de razão, e a referida ansiedade e desconforto nas nossas aglomerações, decorre do fato de que desde cedo nos damos conta, mesmo q inconscientemente, de que o brasileiro é um povo terrivelmente violento. Fisicamente, mentalmente e espiritualmente violento.
      Mas é uma violência seletiva, obviamente, somos violentos contra quem podemos ser.

      Só achei estranho os elogios ao RJ. Sem dúvida ela elogiou a orla do RJ. Pra mim, tanto a orla qt o resto, são nojentos, possivelmente o lugar mais violento do mundo, q não em guerra declarada.

  5. O ‘viralatismo’ contamina

    O ‘viralatismo’ contamina mais as classes mais abastadas da sociedade e os moradores das cidades mais povoadas por conta da influência da mídia. O ‘povão’ segue gostando das coisas do Brasil. Basta viajar um pouco por esse continente disfarsado país para perceber isso. Apenas para citar uns exemplos, o São João segue firme e forte no Nordeste, a festa dos Bois no Norte, mesmo com tanta propaganda da mídia nativa – maior adversária do Brasil! – para promover ‘Dia das Bruxas’ e coisas ‘made in USA’.

  6. E ainda

    E ainda temos que ser entubados por um estrageiro nos dizendo as verdades.

    Nossa ignorância é tanta que merecemos e como merecemos. Felizmente não são todos os brasileiros vira-latas.

     

  7. Culpa, em parte, desse

    Culpa, em parte, desse fenômeno se dá pela nossa mídia, tão burra, controladora, arrogante e inoperante. Nossa falta de interesse pelo conhecimento, pelo novo, pelo debate minimamente democrático, também, atrapalha o crescimento cívico de nossa terra. Sem falar de certa parcela da nossa classe média: são eles os mais ignorantes por aqui. Possuem melhores condições para estudo, trabalho e viagem e, no entanto, ficam apenas vangloriando os “vencendores”.

    Sganzerla e Bressane atestaram muito bem essa realidade de colonizado. Lima Barreto nem se fala. Abaixo Manhattan Connection, comandada por aqueles playboys arrogantes, ignorantes, meritocráticos e imbecis. Infelizmente, a maioria dos jornalistas brasileiros não sabem nada sobre sua pátria 

    Pena uma nação idolatrar outro país que comercializa discaradamente a pornografia e é declaradamente racista. Como diria meu pai: “infelizmente, eles venceram”.

  8. Inglês ver.

    Hummm, esse inglês aí deve ser algum “petralha”, da “esquerdolândia”….

    De qualquer modo, ele acha “deprimente” porque está aqui há pouco tempo, e no meio de uma chacrinha política. Se ele soubesse que são gerações e gerações colonizadas pela doutrina “ou você está com os EEUU ou está contra eles”, qual palavra ele usaria?

  9. Sempre foi assim

    Não é de agora que o brasileiro diminui a si e a sua cultura. Uma das frases que sempre me deu erisipela foi ” só aqui no Brasil mesmo”, referindo-se a alguma coisa que saiu errada. Agora, nesses tempos em que os “mais privilegiados” estão regurgitando a insatisfação que sentiram quando os “menos privilegiados” passaram a ter acesso a coisas antes só deles, o complexo de vira-latas ressurgiu na enésima potência.

    Um fato bem emblemático foi quando Obama disse que Lula “era o cara”. Com o fascínio dos brasileiros pelos EUA, isso deveria ter sido motivo de orgulho e algo do tipo “chegamos lá”, mas qual o quê! Por tratar-se daquele ex-metalúrgico “semi-analfabeto” não deram importância ou ainda ironizaram e passaram a achar que Obama estava doido. “Não entro para clube que me aceita como sócio”, do genial Groucho Marx, tem tudo a ver com esse comportamento. Pena!

     

  10. Alguém aqui já falou e eu

    Alguém aqui já falou e eu concordo. Isso vem das classe médias principalmente. Até mais do que da classe alta. Esta por estar toda hora viajando para os EUA e Europa já desmistificou esses país. 

    Já o povão curte forró, pagode, churrasquinho na lage, na praia, funk carioca. Veste camisa do flamengo e do corinthias. Fica de bermuda, chinelo e sem camisa tomando cerveja gelada no pé sujo. Anda de pangaré sem cela. Come macaxera, gerimum, mexirica, cucuz paulista, acarajé, feijoada, angu do gomes, sem procurar a tradução para o inglês.

    Não só não tem cpmplexo como tem vários vira-latas em casa, que não se chamam baby nem dolly. Mas sim pretinha e negão 

    1. concordo com voce

      Também entendo que estaja mais concentrado na classe media – classe media baixa.

      Costumo dizer que sou classe media mas não tenho os trejeitos da mesma.

      Por outro lado o gringo está cheio de razão… o brasileiro medio fica idealizando o mundo…

  11. Uma ótima dissecação de um

    Uma ótima dissecação de um perfil bem peculiar de boa parte do povo brasileiro fez esse blogueiro britânico. Um painel revestido de tanta honestidade intelectual que não passou ao largo dos devidos créditos ao nosso cronista maior – Nelson Rodrigues – que talhou a melhor definição jamais dita ou escrita acerca de nosso viés político-sociológico-psicológico, o tal de “Complexo de Vira-Latas”. Expressão engendrada tomando como mote o futebol porque  este era uma das suas matrizes para constituir  metáforas do gênero. 

    Nosso anti narcisismo é antigo e bem mais agudo do que aparenta ser. Deita em raízes históricas, sim, mas também possui componentes que foram surgindo e se consolidando a partir de certos fenômenos e contextos políticos-ideológicos. Ou seria mera coincidência ter se agudizado a partir da década de quarenta e se consolidado após a cisão do mundo em dois polos geopolíticos antagônicos?

    Claro que as reminiscências nos levam para mais distante no passado. O nosso processo de formação econômica, política e cultural de certa maneira contribui, e muito, para essa tendência para o auto desprezo e, por consequência, avaliar que “os de fora” são melhores. Desde o manjado, porque sempre repetido, modelo de ocupação – colonização – até nossa dificuldade em superar o sub-desenvolvimento econômico. Entrementes, o protagonismo de uma elite medíocre e sempre disposta a manter distância e abjurar suas próprias raízes. 

    Mas devemos ter cuidado com esses esquematismos. Merce das influências, e mesmo imposições, de centros culturais hegemônicos a depender do momento histórico(França- até meados do século XIX; Inglaterra – final do século XIX até as primeiras décadas do século XX; EUA-após a segunda guerra), eclodiram, concomitantemente,  em nosso país em várias dimensões sócio-culturais, merce da nossa indigência econômica, expressões enaltecendo e decantando valores autóctones.

    Foi a partir da hegemonia americana nos seus mais amplo aspectos que definitivamente permitiu a consolidação desse sentimento de inferioridade e seus desdobramentos mais lógicos: o anti nacionalismo e a falsa percepção de que “tudo que é ou vem de fora é melhor”. De permeio, o grotesco nas emulações que no limite, ironicamente, nos humilhou e colaborou para essa internalização de que somos inferiores. Os nossos filmes “faroeste”; a recorrência a denominação em inglês de estabelecimentos comerciais que abrange desde quitandas até altos empreendimentos; as cópias dos programas de TV americana; os símbolos de “realizações existenciais”, a exemplo de visitas a Disney ou a New York, falam per si. 

    Hollywood, nesse sentido, foi uma coadjuvante cultural imprescindível para que uma predominância e dependência econômica-política-ideológica se assentasse e justificasse ainda mais via indução psicossocial. A frase emblemática para tal desiderato, merce de bem restritiva nas suas motivações e abrangência, foi a pronunciada em 1966 pelo então chanceler Juracy Magalhães: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. 

    Se já tínhamos uma pré disposição atávica para desprezarmos a nossa imagem, essa exposição avassaladora à modos de vida e valores representativos, mesmo que no nível da “falsa consciência”, do que costuma se chamar de “progresso”, “civilização”, certamente que acentuaria ainda mais no imaginário do brasileiro e o faria externalizar expressões mesquinhas do tipo “Isso só no Brasil” e outras correlatas.

     

     

     

  12. Eu acho que o britanico está

    Eu acho que o britânico não exagerou sobre o  “complexo de vira-lata” dos brasileiros, está simplesmente falando da nossa verdade. 

    Enquanto nos EUA os americanos desejam levar ao seu termo a origem econômica, tão depressa quanto possível para o poder do país, no Brasil em qualquer faculdade de economia, blog, ou posição de domínio avançado o iinteresse dos brasileiros é tornar a discussão dos investimentos externos, taxa de juros e os câmbios do dólar  como uma revolução permanente.

    E a rejeição quanto a se antecipar ao sistema de desenvolvimento do mundo…

    Tenho concentrado aqui os meios de produção a serem encontrados diretamente na competição entre todos os países, porquanto os homens representariam a nova cena da sua história em circunstâncias de sua pátria livre.

    Mas as gerações passadas pela escravidão vem da nossa tradição venerável aos EUA, enquanto um pesadelo da democracia imperialista é criar para si as coisas que nunca existiram, representando a sua própria história e pedindo apenas emprestado o nome das crises financeiras.

     

  13. Brasileiro é uma ova !
    Essa

    Brasileiro é uma ova !

    Essa rejeição está circunscrita ao estado de SP por meia dúzia de coxinha.

    Nos últimos 12 anos a auto-estima do povo brasileiro aumentou muito. Existem pesquisas sérias que comprovam isso.

    Isso é coisa de meia dúzia de coxinh idiota, mas não do povo brasileiro.

     

     

  14. Uma observação, esse texto é

    Uma observação, esse texto é antigo, li isso ano passado.

    Mas está valendo pelo conteúdo que não teve alteração nenhuma.

    1. Realmente

      Já li esse texto, mas não sei por quanto tempo esse depoimento será atual.

      Até o Barbosão se rendeu aos encantos norte americanos.

      Comprou uma casa em Miami com CNPJ fajuto.

      Me lembro dum post do Azenha que morou quase 20 anos nos EUA como repórter falando do viralatismo tupiniquim que se concentra em Miami, “coisa de pobre”, não com essas palavras. Essas são minhas.

      Chique mesmo é Los Angeles.

      Unhmmm! Aí não dá né Barbosão?

  15. A burrice econômica é

    A burrice econômica é mundial, ninguém quer mudar de base.

    Os americanos apenas dominaram esta dependência intelectual.

    Seu “complexo de vira-lata” aprova um impostor claramente (des)necessário

  16. Existem brasileiros,
    Existem brasileiros, brasileiros…Para citar alguns villas lobos, Darci Ribeiro, Cesar Lattes. Como disse Villas Lobos em Paris “Eu não estou aqui para aprender, eu estou aqui para mostrar o que sei”.

  17. Quanto a mim.

    Sinto o maior orgulho de ser brasileira. Adoro o nordeste e os nordestinos pq os considero os mais representativos do nosso país, de nossa cultura, de nossa música. O carinho e orgulho que demonstram pelos seus estados, são inigualáveis. Apesar de ser uma gente sofrida devido ao descaso com que sempre foram tratados pelos governantes,   são alegres , gentis e muito educados com os turistas. Tem modos diferentes dos nossos mais do sul, o que muitas vezes é confundido com má educação e preguiça, por pessoas que desconhecem a enorme influência indígena e negra, acontecida lá, e tb desconhecem o fato do índio ser de uma cultura de não acumulação de riquezas: pescar o peixe e distribuí-lo entre a tribo toda. O sul realmente é muito bonito,  bem cuidado, mas me lembra outro país, devido a sua colonização predominantemente européia.

    1. a pergunta é: Se os

      a pergunta é: Se os governantes do nordeste tratam os nordestinos com descaso mesmo eles sendo também nordestinos, por que ter orgulho disso? Dessa cultura?

  18. Esqualidez e senilidade moral

    Esqualidez e senilidade moral

     

    O pensador polonês Zygmunt Bauman diz no livro “A ética é possível num mundo de consumidores?”, que “o alcance planetário do capital, das finanças e do comércio – as forças que decidem a gama de escolhas e a efetividade da ação humana, o modo como os seres humanos vivem e os limites de seus sonhos e esperanças – não foi acompanhado, em dimensões similares, pelos recursos que a humanidade desenvolveu para controlar essas forças que determinam as vidas humanas”. Bauman  acrescenta, citando o filosofo Hans Jonas, que “embora espaço e tempo já não limitem os efeitos de nossas ações, nossa imaginação moral não progrediu muito além da esfera adquirida nos tempos de Adão e Eva”.

     

    O lembrete de que é o trino deus mercado (mídia, dinheiro, comércio), que governa a ação humana faz-se necessário, quando os esquálidos e senis morais, verdadeiros adoradores da besta mercado, atacam de forma insistente a única criação, desde os tempos adâmicos, que pode enfrentar essas potestades: a boa política. E aqui serei direto, não se faz boa politica se não houver boa remuneração para quem a boa politica faz, ou seja, “digno é o trabalhador do seu salário”. E aqui por diante, repito elementos de um artigo de 2007 que escrevi com o título de “salários públicos e privados”.

     

    Aqueles que acreditam que os salários dos executivos públicos são maiores que os da iniciativa privada, não sabem o que estão dizendo. Em “Distribuição de salários e o diferencial público-privado no Brasil” edição 59 (out/dez 2005) da Revista Brasileira de Economia ANUATTI-NETO, BELLUZZO E PAZELLO, concluem que: Considerando os salários brutos dos funcionários municipais e estaduais nota-se que apenas os menores salários encontram remuneração superior ao setor privado, enquanto que o restante da distribuição de salários encontra-se abaixo do setor privado.

     

    Também em 2007 o articulista Milton Gerson afirmava que “os baixos salários afastam executivos do governo”, trazendo ótimos exemplos de diferenças que não vamos repetir aqui, mas que nas palavras dele e corroborando com o que pensamos “essa diferença em geral afasta da atividade pública profissionais que poderiam contribuir para o desenvolvimento e qualificação dos serviços oferecidos aos contribuintes”.

     

    Na não tão distante 2007, eu dizia, que em Panambi, onde era Secretário da Fazenda e Planejamento, o salário do prefeito era (06) seis vezes menor que o de um conselheiro de administração do Grupo Kepler Weber, quando somado ao que ele recebia como interventor do Aerus, o fundo de pensão da Varig. E completava que a situação é tal que muitos municípios estavam contratando profissionais médicos através de cooperativas de trabalho para poderem fugir da limitação legal do teto salarial vinculado ao salário do prefeito, na maioria baixo demais, e poder desta forma dispor de tais serviços, situação que nada mudou nos dias de 2015.

     

    Penso que a visão distorcida que a maioria das pessoas tem sobre essa questão advém de duas questões: a primeira é o falso nivelamento que as pessoas fazem entre salários do legislativo (em especial o dos deputados federais), do judiciário e os do executivo; a segunda, é que costumam ser os grupos com maiores salários, ou renda do setor privado que contam com maior capacidade de expressão e influência perante a opinião pública possuindo condições de alimentar a percepção popular de que os salários públicos são maiores que os da iniciativa privada. Ou seja, são os esquálidos e senis “guias cegos” de pouca moral.  

  19. Macaquitos

    Tá aí a prova, fizemos jus à expressão “macatitos”, pois é o que somos, macacose não é complexo de vira lata, mas sim realidade presenciada e documentada nesta matéria. 

  20. Complexo de Vira Lata

    Não acho que exageramos, acho que dizemos que amamos a Pátria por que é a que temos, temos a obrigação de amá-la, como se fosse alguém da família que vc não pode escolher, mas se pudesse escolher estaria aqui? A maioria responderia que não.
    O país pode ter muitas qualidades, mas essas qualidades não são relacionadas às coisas importantes do dia a dia, por isso quem vem aqui passar “Uns dias” adora e quem mora, nem tanto. Não é uma questão de ver apenas os defeitos, é uma questão de que viver no Brasil é cruel, pagamos muito, ganhamos pouco e não temos o básico.
    Gostaria de dar dois exemplos de minha experiência. 
    exemplo1: Importei um remédio pro meu pai, pq o Brasileiro não tem os mesmos resultados, uma compra de 80dólares virou 700Reais (com frete conversão e imposto) Ou seja, tudo lá é mais barato e de melhor qualidade, aliado ao fato de que as pessoas ganham mais e cada unidade monetária vale mais, é um paraíso.
    exemplo 2: Morei nos EUA, há 10 anos entreguei pizza e tinha uma qualidade de vida e um salário que nunca tive aqui no Brasil depois de formada. Morei num apto de 2 quartos com vista pra lagoa, comprei um carro ( por 1.000 doláres a vista) com o primeiro salário. Hoje formada não consigo emprego, nem de entregadora de pizza, e se conseguisse não pagaria nem um quarto numa pensão de quinta no centro podre da cidade. 
    Poderiamos ficar comparando a saude, o ensino a tecnologia e este texto não teria fim.
    Me arrependo muito de ter voltado e não vejo a hora de ir embora. Não é um complexo quando é uma realidade.

     

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