4 de junho de 2026

Perdi meus cumpade, não sei quando eu vou!

Por Luciano Hortencio

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MORRENÇA DOS MEUS CUMPADE é da lavra do artista Jessier Quirino, natural da cidade de Campina Grande-Paraíba. A ilustração em bico de pena, da lavra do médico, pintor e escritor José Hortencio de Medeiros Sobrinho, publicada como ilustração de seu livro PROCISSÃO DOS FLAGELADOS, editado pela Cia. Gráfica Novo Mundo no ano de 1952.

 

(Ninguém sabe se a morte é virgula, ponto-e-vírgula ou ponto final

No interior, quando morre um cumpade,

Mas desses cumpade de alma boa e manso viver,

Aí o matuto, lamentando essa perda, diz:

A morte é um doido limpando mato.

A morrença dos meus cumpade trata dessa edição de capa dura da vida)

Mas como é que pode?

Dois caba tá vivo,

Forgoso, garboso,

Da vida se rir!

Os coro da testa sem nunca franzir,

Disposto na luta,

Lutando com pente,

Sem mesmo dar canso de ser um vivente,

Um corre pro sul móde podregir,

O outro pogrede mesmo por aqui

A morte carrega os dois indivíduo,

Dá uma descurpa:

Morreu por derito,

O outro, coitado, morreu de nuí.

 

Cumpade Coitim bateu a biela,

Sem frei nas estrada, em riba dum fó.

Pedim defuntou-se no mei dum forró,

Honório pifou com a mão na bainha,

Quem enviuvou Gorete e Ritinha,

Foi joão C ascavé e Bento Cotó

Bié de Zé Tota fechou o paletó,

Mudou-se pro céu cumpade Biliu,

Cumpade Zé Danta ninguém nunca viu,

Mas dizem que foi-se daqui pra mió.

 

Quem bateu as bota foi Zé Bacamarte,

Findou-se de vez cumpade Zulu,

Quem empacotou-se com tanta pitu

Foi Pinga, Meloso, Meota e Topada.

Ginura já tava na última morada

Quando pediu baixa o vaqueiro Zebu

Foi pro beleléu nas bandas do sul

Veúca, Moreno, Ponez e Zezim

Mimosa se foi que nem “passarim”

Baixou sete palmos, Luis do Exu

 

Deu uma roleta lá no meio da feira,

Juntou-se um bocado com seu criador

Deu adeus ao mundo Mané vendedor

Foi chegada a hora de Biu das jumenta

Foi pro rol dos bom, cumpade Pimenta

Biu Pedo Firmino por fim descansou

Disseram que Nino também “botoou”

Sargento já foi promovido a defunto

Tiraram Cirila de lá de pé junto

 

Perdi meus cumpade,

Não sei quando eu vou

 

Luciano Hortencio

Música e literatura fazem parte do meu dia a dia.

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8 Comentários
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  1. Vânia

    26 de fevereiro de 2016 11:19 pm

    Perdeu os cumpade, amigo?

    E eu perdi meu amor…

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=sDXFa9Ta7eA%5D

    Beijos da cumade!

     

  2. lucianohortencio

    26 de fevereiro de 2016 11:29 pm

    Liga não!

    Eu serei, de corpo e alma,

    SEMPRE TEU AMOR!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=LoRWSscl8X8%5D

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=AnUhnPuR0zI%5D

     

    1. Vânia

      26 de fevereiro de 2016 11:36 pm

      Preocupe não, cumpade…

      EU SEI SOFRER!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=alfssalnoxk%5D

  3. Vânia

    27 de fevereiro de 2016 12:03 am

    Obrigada pelas flores!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=RNf9C_o2mQ8%5D

    1. lucianohortencio

      27 de fevereiro de 2016 12:19 am

      Oncinha!

      Não sou esses balai todo não…

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=2dx6KxbwzPY%5D

      1. Vânia

        27 de fevereiro de 2016 12:34 am

        Tu és meio deleriado. Com esses olhares piscosos…

        Gostei muito! Me lembrou o Waly Salomão, mais repenteado.

        E depois de tanto pente e repente, fiquei foi descabelada!

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=sSec17ITlHM%5D

         

  4. Vânia

    27 de fevereiro de 2016 12:57 am

    Lenda praieira

    Encontrei a letra de uma canção do Paulo Cesar Pinheiro que, acho, fala do Jessier Quirino. Ou será só coincidênica? De todo modo, parece que não tem gravação disponível. 

    Segue a letra:

    Lenda praieira
    Paulo César Pinheiro 

    Nasceu num barco pesqueiro
    Pescava desde menino
    Mestre das águas proeiro
    Do litoral nordestino

    Em roda de jangadeiro
    Deixou seu nome Quirino
    Quem vive em chão de saveiro
    É o chão do mar seu destino

    Foi isso que deu-se um dia
    Cação virou seu veleiro
    Foi luta de valentia
    Do peixe contra o barqueiro
    Sangue, suor, maresia
    O ar ficou com esse cheiro
    Subia água e batia
    Tudo sumiu no aguaceiro

    Houve arrastão na baía
    Do quebra-mar à costeira
    Do fundo nada surgia
    Só da jangada a madeira

    As moças em romaria
    Puxava reza praieira
    No fim do sétimo dia
    Fez-se a oração derradeira

    A sua história foi bela
    Virou cordel seu destino
    Tem nome em pano de vela
    Verso em chegança e divino
    Mas uma moça donzela
    Teve depois um menino
    A cara do filho dela
    Era de novo Quirino

    ***

    Mais uma missão para o mestre Luciano!!!

     

    1. lucianohortencio

      27 de fevereiro de 2016 5:22 pm

      Missão cumprida!!!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=9SErio9Hhng%5D

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