Sujo, feio, maldito
por Romério Rômulo
O meu verso é um estrago
na linha do meu pescoço
o meu dente, só um bago
o meu corpo, puro osso.
Minha boca de ariranha
minha mão atropelada
minha ferida medonha
a minha pele rasgada.
Renasço. A cara lamenta
pelo buraco em que vim
e a minha vida nojenta
explode dentro de mim.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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