Grande mídia tomou a fake news como sua bandeira, diz Inês Nassif

Participaram da discussão Maria Inês Nassif, Paulo Henrique Amorim e Laurindo Lalo Leal Filho 

da Rede Brasil Atual

‘Grande mídia tomou a fake news como sua bandeira’, diz Inês Nassif

Paulo Henrique Amorim, Laurindo Lalo Leal e Maria Inês Nassif debatem papel da mídia no golpe que derrubou Dilma Rousseff e continua em andamento no país. O encontro marcou lançamento do livro “Enciclopédia do Golpe – Volume 2”

por Redação RBA

São Paulo – O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promoveu, na noite desta terça-feira (15), um debate sobre o papel da “mídia monopolista, que pautou, insuflou e vem sustentando a farsa golpista” que colocou Michel Temer na presidência da República. O encontro marcou o lançamento do livro Enciclopédia do Golpe – Volume 2 – O Papel da Mídia(Editora Praxis), composto por 28 verbetes escritos por jornalistas, acadêmicos, cientistas políticos, filósofos e historiadores.

Participaram da discussão os jornalistas Maria Inês Nassif, Paulo Henrique Amorim e Laurindo Lalo Leal Filho. O diretor da revista Carta Capital, Mino Carta, esperado no evento, não pôde comparecer.

Para Maria Inês, a mídia tradicional participou do processo do golpe que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff em 2016 com “uma narrativa que fez uso indiscriminado da mentira, a ponto de tirar do caminho qualquer respeito à ética jornalística”. “Uma coisa que antecede tudo, nesse golpe da direita, é que a ética jornalística foi para o barro, por água abaixo. Para nós, jornalistas, pesa muito a incorporação da mentira na notícia”, disse.

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“A grande mídia tomou a fake news como sua bandeira. A narrativa do golpe, do PT corrupto, do Lula que sabia de tudo, a questão do triplex. Toda essa narrativa foi feita pela mídia em cima de fato nenhum. Qualquer jornalista com senso de ética jamais teria escrito”, acrescentou.

Lalo Leal apontou o papel da TV Globo e de seu sistema como “estrutural” no processo. “Se o golpe foi político e judiciário, a participação da Globo foi estrutural, porque ela chamou as pessoas para a rua.”

Ele lembrou que a emissora da família Marinho chegou a suspender sua telenovela para transmitir uma das manifestações contra Dilma.

“Isso significa que acontecia algo transcendental. Houve uma relação entre a suspensão da novela e o aumento do público na manifestação.” Lalo recordou ainda que a TV Globo produziu intensamente chamadas em sua programação em horários nobres, incentivando as pessoas a irem às ruas protestar contra o governo petista de Dilma Rousseff.

Paulo Henrique Amorim abordou o papel da Rede Globo no momento atual, usando o gancho da seleção brasileira, que vai disputar a Copa do Mundo e foi convocada na segunda-feira pelo técnico Tite. “O Jornal Nacional (de segunda-feira) dedicou um minuto e onze segundos à morte de 58 palestinos em protesto realizado em Gaza contra a instalação da embaixada americana em Jerusalém. A notícia sobre a convocação da seleção teve três minutos e dois segundos”, afirmou, citando texto publicado em seu blog. 

“O momento sublime foi a entrevista ao vivo com o próprio Tite: durou onze minutos e oito segundos”, continuou Paulo Henrique. “O importante é que o técnico da seleção nacional do esporte mais querido de um povo seja propriedade de uma empresa privada (e corrupta, segundo os critérios da FIFA) de televisão. A seleção é da Globo. Tite é empregado da Globo.”

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Ele também apontou responsabilidades dos governos petistas em relação ao tratamento dado à questão das comunicações e verbas publicitárias. “Nenhum governo deu mais dinheiro à Globo do que os governos Lula e Dilma”, disse.

Citando Mino Carta, acrescentou: “No governo Dilma, com a chamada mídia técnica, a revista Exame, que sai duas vezes por mês, tinha mais publicidade do governo do que a Carta Capital, que sai uma vez por semana.”

Exceção

Lalo Leal começou sua fala dando uma informação, sobre o tema censura, relacionada ao debate do debate do Barão de Itararé. Na segunda-feira (14), estava marcado, no campus de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista (Unesp), um debate sobre democratização dos meios de comunicação. O evento foi cancelado  pela diretoria da instituição sem aviso.

A medida da diretoria foi tomada depois de uma denúncia anônima segundo a qual o evento teria caráter político-partidário.

 

 

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5 comentários

  1. Elementar

    A mídia alternativa, ou nova mídia, ou progresista procura se contrapor à midia tradicional por dois motivos distintos , os quais são perfeitamente compreensíveis e válidos. O primeiro trata-se do combate ao jornalismo parcial e sensacionalista entre outras falhas doo jornalismo da “velha mídia”. O segundo é a indefectível regra capitalista denominada disputa de mercado. Simples assim.

  2. O Incrível Fake Brasil.

    Eu hoje diante de tantas barbaridades que acontecem na nossa cara  como a falência dos treis poderes mais uma sociedade perdida, sem rumo, já acho que não é nenhum absurdo falarmos que no fundo vivemos num país fake, onde o termo tão usado e respeitado no passado como “homens de bem” já não se aplica no nosso caso. Sinal dos tempos da outora “Terra bançoada por Deus”

  3. O ódio dos Coxinhas contra os inocentes é maior do que o amor

    O Governador Márcio França homenageou a policial militar fulana de tal porque ela assassinou uma pessoa, não porque ela protegeu e, ao mesmo tempo, colocou, tanto quanto o assaltante, a vida de pessoas inocentes em risco. O ódio que os Coxinhas nutrem contra os criminosos pobres é mais profundo do que o amor que eles dedicam aos inocentes e indefesos.

    Em sendo assim, a policial militar assassina está sendo aplaudida pelos imbecis não porque defendeu inocentes indefesos, mas porque matou um assaltante pobre, que certamente não teve oportunidades na vida. Se tivesse tido oportunidades, roubaria malas cheias de dinheiro, como fizeram o Aécio Neves e o Michel Temer, em vez de se arriscar praticando assaltos em ruas.

    Se a policial militar fosse assassina não por prazer, mas por força das circunstâncias, ela recusaria a homenagem do governador por ser assassina. Em vez de aceitar tal homenagem macabra, ela o alvejaria em razão dele tirar proveito político da falta de segurança pública, um dever do estado, o qual é governado por ele, e um direito e responsabilidade de todos.

  4. Paulo Henrique Amorim

    A grande preocupação da Globo, no momento, é saber se o pai da noiva do príncipe vai ao casamento, após todo o suspense provocado para se saber o nome do filho do outro príncipe.

    E não é piada não, de verdade ! eu nem estava conseguindo dormir com tamanho suspense. rsrsrs

     

  5. Nassif

    Como está difícil ler o seu blog , tamanha lentidão para se abrir um post, comentar e esperar o envio. E para postar algum artigo no Face , então ! Esses dias esperei 20 min. para aparecer o artigo no face.

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