4 de junho de 2026

A necessária proteção ao cliente de banco, por André Araújo

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A Lei Dodd Frank do Congresso dos EUA,  de 2010,  foi promulgada em função da crise financeira de 2008 e visa dar proteção aos clientes do sistema bancário americano.

A regulação dos bancos pelo Banco Central tanto nos Estados Unidos como no Brasil visa a PROTEGER O SISTEMA BANCÁRIO e não proteger os clientes do sistema. Ao Banco Central cabe preservar a higidez e segurança do sistema e para tal objetivo quanto maior a lucratividade dos bancos mais reservas eles poderão constituir e mais sólidos serão.

Portanto o viés do Banco Central é a FAVOR DOS BANCOS e não dos clientes dos bancos. É da natureza do Banco Central, não é pecado venial, é apenas de sua natureza institucional. O BC não pensa no cliente, pensa no Banco, é da sua lógica.

Lá como aqui, o cliente do banco NÃO TEM PROTEÇÃO porque não havia lá, como não há aqui, uma AGÊNCIA REGULATÓRIA para o cliente. Dirão que existe o PROCON, mas esse órgão não tem poderes regulatórios. O PROCON pode atender caso a caso, de forma individual, clientes que tenham queixas contra bancos mas esse não é um poder regulatório, ele vai defender o queixoso mas não pode editar normas para todos os bancos, falta-lhe poder.

A Lei Dodd Frank criou a CONSUMERS FINANCIAL PROCTETION BUREAU, uma Agência Regulatória dos Bancos, que hoje conta com um orçamento de US$ 605 milhões e que em 2014 recebeu 240.000 reclamações contra os serviços bancários, tendo sua eficiência sido aprovada pelos cidadãos. É uma agencia hoje popular e vitoriosa.

Em que consiste essa regulação? Alguns exemplos:

Taxas de juros e Preço de tarifas: as tarifas de serviços públicos estão REGULADAS no Brasil para todos os tipos de serviços, energia elétrica, água, gás, telecomunicações, tarifas de ônibus,  os preços dos medicamentos são regulados, MAS os bancos ESTÃO ABSOLUTAMENTE LIVRES para cobrar, aumentar, inventar tarifas, as taxas de juros são ABSOLUTAMENTE LIVRES.

Enquanto distribuidoras de energia, empresas de telefonia, água, estão com prejuízo ou baixíssimos lucros, os BANCOS BRASILEIROS TEM O MAIOR LUCRO ENTRE TODOS OS SETORES DA ECONOMIA, são os mais lucrativos do mundo, disparados, nenhum sistema bancário do planeta tem a lucratividade dos bancos brasileiros.

O atendimento dos bancos tampouco é fiscalizado de verdade. Filas, horários, alguns bancos empurram o cliente para a internet mesmo quando o cliente , especialmente os mais velhos, preferem atendimento pessoal. Os gerentes praticamente desapareceram na relação com o cliente, a não ser que seja para vender seguro ou título de capitalização. Os callcenter deixam muito a desejar MAS o grande problema são as taxas de juros e tarifas ABSOLUTAMENTE LIVRES de regulação. Pelo sistema concorrencial podem ser livres, MAS há que haver limites.

Há um banco cobrando 1.080,58% ao ano, 90 vezes a Taxa Selic, o que não tem lógica alguma.

Tarifas aberrantes são inventadas. Por exemplo, tarifa de manutenção de uma conta com saldo mas não movimentada porque o cliente morreu, mas o débito em conta todo o mês não morre, se o saldo ficar negativo continuam debitando a tarifa todo mês de modo a cada mês aumentar o saldo negativo e sobre esse saldo artificial começam a incidir juros de mora.

Outros tipos de procedimentos merecem regulação. Por exemplo, recibos de depósitos em papel frágil que se APAGAM em seis meses, o cliente fica sem comprovante quando esses são para arquivo, pensões de filhos, alugueis, etc.

Os bancos usam esse papel-manteiga para economizar custos. Tudo é feito para REDUÇÂO DE CUSTOS, APESAR DOS ESTRONDOSOS LUCROS, ainda estão obcecados para reduzir mais custos à custa do cliente.

Os lucros dos bancos brasileiros são escandalosos tanto em épocas de prosperidade como em tempos de crise.

Os dois maiores bancos tiveram no trimestre findo em março deste ano em torno de R$ 5 bilhões cada um, quer dizer a recessão pode cair pesada sobre toda a economia menos para os bancos.

Os americanos não costumam criar órgãos públicos à toa. A Agência CFPB foi criada por Lei do Congresso por NECESSIDADE e mostrou a que veio. Tem sido uma barreira à ganância do sistema bancário.

A implantação de uma agência similar no Brasil, agora mais do que nunca, se faz necessária porque estamos em um período de alta turbulência econômica, com os clientes de bancos enredados em dívidas de crédito parcelado, cheque especial, cartões de credito, precisam mais do que nunca de proteção, não podem ficar escravos do poder ilimitado dos bancos. Os serviços de proteção ao crédito também deverão ser regulados por essa Agência.

Felizmente a ideia chegará ao Brasil. Projeto de lei está sendo finalizado para ser submetido ao Congresso criando a Agência Regulatória dos Serviços Bancários – ARB, a ser apresentado por um congressista de primeira linha, experiente e de alta reputação.  

Espero que Richard Cordray , Diretor da CFPB, atenda nosso convite para um Seminário sobre sua experiência de diretor da agência americana que me inspirou na preparação desse projeto.

É evidente que haverá um lobby dos bancos contra o projeto, caberá ao Congresso ver o interesse de milhões de eleitores, quem votar contra ficará carimbado, o eleitor brasileiro está arisco com certos nichos de interesses que nessa crise ficarão evidentes. Infelizmente prevejo que o nosso Banco Central ficará contra a ideia.

Andre Motta Araujo

Advogado, foi dirigente do Sindicato Nacional da Indústria Elétrica, presidente da Emplasa-Empresa de Planejamento Urbano do Estado de S. Paulo

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14 Comentários
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  1. Vini

    6 de maio de 2015 12:34 pm

    Acho a iniciativa ótima! Mas…

    Limites devem haver sempre. Para que um sistema funcione, devem sempre haver limitacoes, contra-pesos, regulacao, etc. Mas no Brasil de hoje, infelizmente, como todo debate é interditado e apenas um lado tem voz, nesse caso os bancos, acho muito difícil que a populacao chegue a saber dessa iniciativa. Veja o exemplo da famigerada PL 4330 passou batida, e houve um número muito pequeno de protestos durante a segunda votacao, pouca pressão sobre o congresso.

    No caso do projeto de criacao de uma agência regulatória, temo que não sairá uma linha sobre o assunto na mídia tradicional, e se sair, não se dará o devido destaque. Se este projeto, porventura seja interpretado como vantajoso para o governo, pode contar que receberá diversas críticas negativas, com direito a editoriais e colunas sedentas de sangue, berrando “querem quebrar os bancos!!!”.

    Estamos vivendo dias insanos em nosso país.  Basta observar as atitudes de nosso congresso, onde se aprova uma PL 4330 que amplia para todos os setores a aberracao que é a terceirizacao atual, ou a retirada da obrigatoriedade do rótulo sobre transgênicos, ou ainda que se discute a reducao da maioridade penal e a liberacao do porte de armas. Temas que, em paises serios, nao teriam o menor espaco. Parece que retrocedemos ao século XIII…

  2. MAureli

    6 de maio de 2015 12:51 pm

    E ainda assim, com todo

    E ainda assim, com todo LUCRO/ESPOLIAÇÃO que praticam, os bancos transferem aos clientes inúmeras tarefas, feitas nos terminais de auto-atendimento (você em primeiro lugar) – onde realizamos serviços para que os banqueiros lucrem. Assim é mole demais para eles.

    É como se um gari suarento nos desse uma vassoura para que fizessemos a sua tarefa e, ao fim dessa, ainda recebesse o valor de seu dia de trabalho – realizado por nós. Idem para alguma outra profissão, inclusive os bancários… ( cada um desses trabalhadores realiza trabalho digno, mercecendo nosso respeito)

    E o que aqueles banqueiros espoliadores nos oferecem? Filas, atendimento precário, taxas absurdas de juros, forçando contratação de serviços que não desejamos… etc.

     

  3. Ricardo Cesar

    6 de maio de 2015 12:59 pm

    Gosto sempre de repetir o

    Gosto sempre de repetir o bordão anarquista: Banco é aquela instituição que te empresta um guarda chuva quando faz sol, e te toma quando chove! E nós aqui tomando emtperstado qdo faz sol….

  4. evandro condé de lima

    6 de maio de 2015 2:04 pm

    Inocência sua ou minha?

    Este congresso, que só para citar, delibera pela retirada de um simples aviso que tal produto contêm transgênico- sabe-se lá por quê, irá resistir ao lobby (eufemismo) dos bancos?

  5. Doney

    6 de maio de 2015 2:28 pm

    Não só o BC.
    Eu também quero

    Não só o BC.

    Eu também quero acreditar, mas o ministro da economia é funcionário do Bradesco.

  6. JoselitoSN

    6 de maio de 2015 2:30 pm

    Uma dúvida que fica é se

    Uma dúvida que fica é se alguém é obrigado a toma crédito pagando 1000% a.a.

    Independente de ter regulação, o povo é bobo e não consegue fazer uma conta simples. Ai pega 1mil emrestado hoje, amanha já deve $1003, depois de amanha, $1006,3……….

    1. Andre Araujo

      6 de maio de 2015 4:51 pm

      Por esse raciocinio não

      Por esse raciocinio não deveria haver salario minimo, não é mesmo? Ninguem é obrigado a trabalhar ganhando pouco.

      Ninguem é obrigado a tomar emprestimo a não ser que seja para pagar uma cirrurgia para o filho e ai ele aceita qualquer taxa, é para isso que existe regulação em todos os setores da economia, MENOS no setor bancario.

  7. Athos

    6 de maio de 2015 2:40 pm

    A respeito do que foi
    A respeito do que foi publicado ontem já há jurisprudência no STJ.
    É só chegar lá.
    Há um limite máximo para desconto em folha. Foi decidido e assisti ao julgamento.
    Eles tem que gerar boleto.

    1. Jose Mayo

      6 de maio de 2015 3:39 pm

      Sim, há limite para “desconto em folha”

      Chama-se “crédito consignado” e se admite em até, no máximo, 30% do salário.

      Mas o erro do devedor da notícia de ontem, ainda que talvez por ignorar as diferenças de forma, é que adquiriu empréstimos a descontar na sua CONTA CORRENTE, não “em folha” e aí os juros crescem e o risco aumenta, para os dois lados… Se o devedor não possui bens penhoráveis, nem apresentou fiadores, pode tentar junto ao seu DRH abrir uma “conta salário”, fechar a conta corrente e depois propor um acordo que caiba no seu orçamento. Geralmente o credor, na falta de outro meio de efetuar a cobrança, acaba aceitando.

      1. Athos

        6 de maio de 2015 4:07 pm

        Seja o que for que aconteceu,
        Seja o que for que aconteceu, o erro foi do Banco.
        Não pode quer dizer não pode.

        Se não pode, porque assinou?
        Não é tarefa do tomador de empréstimo informar ao banco o que O BANCO desconta de.sua folha.

        O caso é muito simples e o banco vai perder.

  8. JB Costa

    6 de maio de 2015 6:01 pm

    Post, impecável, André

    Post impecável, André Araújo. A chamada “indústria” financeira no país, dentro desta, os bancos, se tornou nos últimos vinte anos uma matriz de abusos de toda ordem. O primeiro deles a espoliação criminosa da clientela em termos de encargos financeiros e tarifas. Na qualidade de ex-bancário assino em baixo de todo o teu arrazoado. Aliás, vou mais além: foste até comedido nas críticas. 

    Enquantos para os outros segmentos da economia elevação do patrimônio líquido na ordem de 5, 8% é avaliada como espetacular, hoje para os bancos menos de 15% é fracasso e demanda por dispensas de gestores e funcionários. 

    Operam com com escabrosos spreads(os maiores do mundo) e só falta tarifar  o ar que as vítimas, digo, clientes, respiram nas agência. Implementam estratégias de venda de produtos financeiros e não financeiros(seguros, previdência, capitalização etc) sempre tomando por base a ignorância dos potenciais compradores. O instituto da “venda casada”, merce de ser proibida, nunca foi abandonada. 

    Os bancos, ao contrário de outros setores da economia, são os únicos que afrontam princípios básicos da economia. A questão da economia de escala, por exemplo, cujos resultados positivos em termos econômicos e financeiros só servem para eles, nunca para a clientela. Ao tempo em que os custos decresceram ao longo do tempo, as receitas financeiras e com tarifas aumentaram de forma desproporcional. 

    Banco no Brasil é caso de polícia. Esqueçam o BACEN. Este de há muito assiste de braços cruzados a festança. 

  9. Maya

    6 de maio de 2015 8:50 pm

    Bancos
    Perfeito! Sou vítima preferencial dos bancos. O Itaú, no cheque especial, está cobrando uma Selic por mês. O Bradesco cobra 45 reais por mês de “serviços Premium” e outro dia cobraram 2 reais porque puxei um extrato na caixa automática…

  10. Maya

    6 de maio de 2015 9:07 pm

    Bancos

    Perfeito! Sou vítima preferencial dos bancos. O Itaú, no cheque especial, está cobrando uma Selic por mês. O Bradesco cobra 45 reais por mês de “serviços Premium” e outro dia cobraram 2 reais porque puxei um extrato na caixa automática…

    1. batista neto

      15 de maio de 2015 1:21 pm

      Abra uma conta no BB

      Feche a conta no banco privado e abra no BB.

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