5 de junho de 2026

Telexfree tem mais de três mil divulgadores em Portugal

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TOLENTINO DE NÓBREGA
 
Pirâmide tem mais de três mil “promotores” em Portugal. Quatro, incluindo três residentes na Madeira, figuram na lista oficial dos 30 maiores credores.
 
Os fundadores da Telexfree, James Merrill e Carlos Wanzeler, foram acusados de conspiração para cometer fraude electrónica , em processo criminal aberto pelo Departamento de Justiça dos EUA em Worcester, no estado de Massachusetts.
 
O americano James Merrill, de 53 anos, foi preso na sexta-feira, após ter sido conhecida a acusação. O brasileiro Carlos Wanzele,de 45 anos, é considerado um fugitivo da polícia americana, tendo sido emitido mandado de prisão federal. Se forem condenados, poder-lhes-á ser aplicada uma pena de até 20 anos de prisão.
 
De acordo com a acusação, a empresa Telexfree desenvolveu um esquema de pirâmide, entre Janeiro de 2012 e Março de 2014, tendo recrutado através da VoIP (Voice over Internet Protocol) milhares de “promotores” de alegada publicidade de produtos na Internet. Cada promotor foi obrigado a abrir para a Telexfree uma conta, a um preço determinado, após o que seriam compensados com comissões pela colocação de anúncios na Internet e a venda de pacotes de comunicação. A empresa prometia ganhos superiores a 200%, que em alguns casos podiam chegar aos 39.600 dólares por mês.

 
A Telexfree aplicou no pagamento das recompensas apenas 1% da receita de vendas de serviço de VoIP, ficando por pagar a esmagadora maioria dos retornos que havia prometido aos promotores existentes, sobretudo aos recém – recrutados, atraídos pelo esquema de dinheiro fácil. Em 2013, a Telexfree registou vendas no valor de 1,016 mil milhões de dólares (722 milhões de euros), mas até ao mês passado as autoridades americanas que investigam o negócio apenas tinham encontrado registos de cerca de 200 milhões de dólares.
 
A 8 de Março de 2014, a Telexfree anunciou mudanças no seu sistema de compensação e, um mês depois, declarou falência. No passado dia 16 de Abril, a Securities and Exchange Commission obteve uma ordem judicial para congelar os bens de Telexfree e de oito indivíduos relacionados. Desde então, o Ministério Público dos EUA executou 37 mandados de apreensão de bens, avaliados na ordem das dezenas de milhões de dólares.
 
A acusação feita à empresa norte-americana de telecomunicações pela internet, de ter desenvolvido um fraudulento esquema de pirâmide financeira, poderá afectar os mais de três mil  “divulgadores” que a Telexfree tem em Portugal, sobretudo, na Madeira. Na lista dos 30 maiores credores da empresa estão quatro “promotores” portugueses, três dos quais residentes nesta ilha.
 
Depois de a Telexfree ter declarado falência, o que levou ao desespero milhares de madeirenses que subscreveram mais de 40 mil contas num valor próximo dos 50 milhões de euros, surgiram outras sociedades que desenvolveram um negócio semelhante, utilizando os mesmos angariadores da empresa norte-americana.
 
Uma dessas entidades, a WingsMadeira actuava com a marca Wings Network, usando como fachada a Tropikgadget Unipessoal Lda, inscrita na Zona Franca da Madeira desde 5 de Novembro de 2013. Mas a licença foi cancelada pelo governo regional – por resolução publicada a 29 de Abril, no dia imediato ao da divulgação pelo PÚBLICO de que a sucedânea da Telexfree estava licenciada naquela praça financeira – por desenvolver actividades não abrangidas na autorização que permitia beneficiar de isenções fiscais.

 

Redação

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  1. Marcos RTI

    13 de maio de 2014 7:37 pm

    Por dentro da Telexfree

    Por dentro da Telexfree

    Traduzi, de forma tosca, parte do relatório do policial federal JOHN S. SOARES, que junto com outros agentes, secretamente se infiltrou na Telexfree para investigar o seu funcionamento nos EUA.

    Ele é especialista desvendar crimes financeiros e lavagem de dinheiro, participa de operações contra a exploração comércio ilegal, e na identificação e apreensão do dinheiro e propriedades obtidos através de crimes.

    Com base nessa investigação, afirma que a Telexfree é na verdade um esquema de pirâmide financeira que se apresenta como um negócio aparentemente legítimo (venda de um produto), mas na verdade obtém a maior parte da sua receita a partir do recrutamento dos novos participantes que pagam para entrar no sistema

    Disse que, como em outras pirâmides, eles não medem esforços em revestir o programa com jargões, complexidades processuais, uma hierarquia formal de participação e outras armadilhas para criar a aparência de uma empresa legítima, mas eles simplesmente tomam o dinheiro dos novos participantes e usam esses fundos para pagar os retornos prometidos aos participantes anteriores.

    As informações retiradas dos bancos de dados da Telexfree, das contas bancárias e dos cartões de crédito mostraram que a Telexfree obteve apenas uma fração de sua receita de vendas de serviço de VOIP – cerca de 1% das centenas de milhões de dólares em receitas da Telexfree ao longo dos últimos dois anos. A esmagadora maioria de sua receita veio de novas pessoas que entraram no esquema. Dos milhares de depósitos nas contas bancárias apenas 19 foram identificadas como possíveis vendas do produto para consumidores externos.

    Ele detalha o caminho do dinheiro que circulou em diversas contas, que eram sistematicamente bloqueadas pelos bancos, pela suspeita que estivessem fazendo algo ilegal.

    Fala também da investigação brasileira da Telexfree.

    Em outubro de 2013 uma equipe disfarçada reuniu-se com um divulgador da Telexfree para ingressar no esquema. Entre outubro de 2013 e abril de 2014, publicaram mais de 700 anúncios que não resultaram em nenhuma venda no varejo de produto VOIP.

    Participaram também de reuniões, como a Conferência do “Novo Plano de Compensação”

    São 28 páginas, traduzi apenas até a página 13.

    No link abaixo tem o documento original, com tabelas e figuras.

    https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=YXNkdXBkYXRlcy5jb218ZmlsZXMtd2Vic2l0ZXxneDoyNjJiOWVlZGU4YmIyODI3

    e que foi publicado no site:

    http://www.ponzitracker.com/main/2014/5/9/authorities-went-undercover-in-telexfree-investigation.html

     

    DECLARAÇÃO DE JOHN S. SOARES EM APOIO A QUEIXA-CRIME
    Eu, o agente especial John S. Soares, devidamente empossado, declaro:

    Introdução

    1. Eu sou um investigador ou policial dos Estados Unidos dentro do significado de 18 U.S.C. ‘ 2510 (7), em que eu estou autorizado por lei a conduzir investigações e fazer prisões em infrações enumeradas no 18 USC ‘ 2516.

    2. Eu sou um agente especial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (“DHS”), Investigações de Segurança Interna (“HSI”). Tenho servido nessa função desde maio 2009. Minhas responsabilidades atuais incluem a realização de investigações criminais federais, incluindo investigações de esquemas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e violação do sigilo bancário, e participação em operações para proteger os Estados Unidos contra a exploração do legítimo comércio, viagens e sistemas financeiros. Tenho recebido treinamento especializado na investigação financeira de crimes, lavagem de dinheiro e confisco de bens. Durante meu trabalho com a HSI, eu tenho sido envolvido na investigação de crimes financeiros, esquemas de fraude, lavagem de dinheiro, e em identificação e apreensão de receita e propriedades derivadas de crimes.

    3. Como um agente designado para este caso, eu pessoalmente tenho participado em muitos aspectos da investigação descrita abaixo. Eu também estou familiarizado com os fatos e as circunstâncias da investigação através de discussões com outros profissionais da HSI e outros, e da minha opinião sobre os registros de negócios, relatórios e outros materiais relacionados com a investigação.

    4. Submeto essa declaração para o propósito limitado de estabelecer uma causa provável para apoiar uma queixa-crime contra Carlos N. Wanzeler (“Wanzeler”) e James M. Merrill (“Merrill”), entre janeiro de 2012 e abril 2014, conspirando para  cometer fraude eletrônica, em violação de 18 U.S.C. § 1349, com base na operação de um substancial esquema de pirâmide.

    5. Os fatos neste depoimento são retirados de minha análise de documentos e dados obtidos durante a investigação, da minha formação e experiência, e das informações obtidas a partir de outros agentes. Esta declaração destina-se apenas para mostrar que existe causa provável suficiente para a solicitar os mandados. Ele não contém todos os fatos relevantes para o assunto.

    Alegações Pertencentes à Causa Provável

    I. – Visão Geral

    6. Telexfree Inc, e Telexfree LLC (coletivamente, “Telexfree”) de forma ostensiva fornece o serviços de telefonia “voz sobre protocolo de internet” (“VoIP”), para que os clientes possam inscrever-se através de um site mantido pela Telexfree. Com base em nossa investigação, no entanto, Telexfree é na verdade um esquema de pirâmide.

    7. Baseado na minha formação e experiência, um esquema de pirâmide envolve tipicamente um negócio aparentemente legítimo que se propõe a vender um produto, mas, na verdade, obtém a maior parte da sua receita não na venda do produto a terceiros, mas a partir do recrutamento de novos participantes que pagam para entrar no sistema. A marca desses esquemas é tipicamente uma promessa de retornos substanciais em um curto período de tempo fazendo pouco trabalho, além de pagar para a organização e convencer os outros a fazer o mesmo.

    8. Pessoas que operam esquemas de pirâmide, muitas vezes não medem esforços em revestir o programa com jargões, complexidades processuais, uma hierarquia formal de participação e outras armadilhas para criar a aparência de uma empresa legítima (legal) de marketing multi-nível. Mas, como em esquemas de “Ponzi” do tipo, os organizadores simplesmente tomam o dinheiro dos novos participantes e usam esses fundos para pagar os retornos prometidos aos participantes anteriores.

    9. Novamente, como nos esquemas de Ponzi, esquemas de pirâmide são em última análise insustentáveis, porque os retornos prometidos a um número cada vez maior de participantes deverá ser pago com recursos depositados por uma universo necessariamente finito de novos participantes. Em algum momento o sistema deve tornar-se demasiado grande, ou seja, ele deve ficar sem novos participantes que depositam dinheiro suficiente para cobrir compromissos com os participantes anteriores e, porque o produto subjacente não é de fato rentável, a maioria dos participantes do esquema perderá o seu dinheiro.

    10. Neste caso, entre janeiro de 2012 e março de 2014, a Telexfree pretendia de forma agressiva comercializar o seu serviço VOIP, recrutando milhares de “divulgadores” para publicar anúncios do produto na Internet. Cada divulgador foi obrigado a “comprar” o serviço da Telexfree por um determinado preço, e depois foram semanalmente compensados pela Telexfree, numa estrutura de compensação complexa, desde que eles postassem anúncios do serviço de VOIP na Internet. O que a Telexfree não revelou, no entanto, foi que o serviço de VOIP era uma fachada, e que as postagens eram um exercício sem sentido, em que os divulgadores cortavam e colavam os anúncios em vários sites de anúncios classificados fornecidos pela própria Telexfree, sites que já estavam saturados de anúncios postados por outros divulgadores.

    11. Na verdade, como o banco de registros da Telexfree e os dados de negócios “back office” atestam, deles derivaram apenas uma fração de sua receita de vendas de serviço de VOIP – cerca de 1% das centenas de milhões de dólares em receitas da Telexfree ao longo dos últimos dois anos. A esmagadora maioria de sua receita veio de novas pessoas que entraram no esquema. Na verdade, a Telexfree só foi capaz de pagar os retornos que havia prometido aos seus divulgadores existentes, trazendo dinheiro de novos divulgadores.

    12. Em 2013, a Massachusetts Securities Division (“MSD“) começou a investigar a Telexfree, inclusive atuando a Telexfree com demandas de vários tipos de informação sobre a suas operações. Por volta de 9 de marco de 2014, a Telexfree anunciou uma mudança em seu plano de compensação que parece ter sido causada pelo menos em parte, pela investigação MSD. (De acordo com o sistema anterior, discutido mais adiante, os divulgadores da Telexfree poderiam investir na empresa e ganhar dinheiro sem vender qualquer produto real.) Em vídeos  postados no YouTube, um diretor da Telexfree admitiu aos divulgadores da Telexfree que as mudanças eram necessárias “para entrar em cumprimento.” Depois que as mudanças foram anunciadas, os divulgadores iniciaram um protesto contra a Telexfree em sua sede em Marlborough, Massachusetts, porque o novo sistema exigia que eles realmente vendessem produtos VOIP da Telexfree e, como um divulgador disse a um repórter “, é quase impossível de vender.”

    13. Em 14 de abril de 2014 o esquema da Telexfree desabou: Enfrentando passivos enormes para seus divulgadores existentes, a Telexfree e suas entidades relacionadas pediram concordata através do capítulo 11 no Tribunal de Falências dos Estados Unidos no Distrito de Nevada (N. º 14 – 12524 -ABL). Num depoimento no processo de falência, a empresa disse, entre outras coisas, que mudou seu plano de compensação em março 2014 “Porque questões foram levantadas” sobre o plano anterior. A Telexfree também admitiu que entraria em falência depois de mudar o plano de compensação: “Estes pagamentos sem restrições [ou seja, os pagamentos aos investidores atuais] rapidamente tornaram-se um dreno significativo sobre a liquidez da companhia.” Em outras palavras, uma vez que novos dólares de investidores pararam de entrar, a Telexfree ficou incapaz de pagar seus investidores atuais.

    14. No dia do pedido de falência, o site da Telexfree, que todos os divulgadores da Telexfree usavam para gerenciar suas contas e transferir os valores pagos pela Telexfree, tornou-se inoperante. A empresa postou um aviso dizendo a seus investidores que a situação era temporária e que a Telexfree aguardava com expectativa de reorganizar-se e continuar a fazer negócios.

    15. No dia seguinte, 15 de abril de 2014, agentes federais cumpriram três mandados de busca, inclusive na sede da Telexfree em Marlborough, Massachusetts. Durante essa busca, um policial interceptou o Diretor Financeiro em exercício da Telexfree (“CFO“) tentando deixar o local com um laptop e uma mochila. Inicialmente o CFO disse que era um consultor da Telexfree e que foi resgatar itens pessoais. Na bolsa, no entanto, os agentes policiais encontraram dez cheques administrativos do Wells Fargo Bank totalizando $ 37.948.296. Oito dos cheques foram datados de 11 de abril de 2014 (sexta-feira, antes do dia do pedido de falência, 14 de abril de 2014,) e nominais a Merrill. (Ou seja, Merrill foi identificado nos cheques como o remetente e o beneficiário de cada cheque.)

    Destes, cinco cheques foram feitos para Telexfree LLC, no valor total de 25.548.809 dólares, enquanto que um cheque foi feito para a esposa de Wanzeler, no valor de $ 2.000.635.

    Um cheque, de 3 de Abril de 2014 e transferido para o próprio Wanzeler, foi feito para a Telexfree Dominicana SRL no valor de 10.398.000 dólares. (A Telexfree Dominicana SRL parece ser uma entidade em separado, estabelecida na República Dominicana, com operações comerciais similares ao da Telexfree nos Estados Unidos.)

    16. Policiais apreenderam os cheques. Os agentes mais tarde descobriram que Merrill e a esposa de Wanzeler tinham viajado para Rhode Island por volta de 11 de abril de 2014, para pegar os cheques (exceto o cheque para a Telexfree Dominicana SRL, que havia sido pego por Wanzeler no início de Abril) a partir de um terminal em Wells Fargo, em Rhode Island.

    II. – A Investigação Brasileira da Telexfree

    17. A Telexfree operou no Brasil, inicialmente com um nome diferente, antes de se basear nos Estados Unidos. Ao anunciar que havia descoberto “indícios de crimes”, o governo brasileiro começou a investigar a Telexfree em janeiro de 2013 e, eventualmente, bloqueá-la.

    Os documentos fornecidos pelas autoridades brasileiras responsáveis pela aplicação da lei, entre outras fontes, mostraram que a Telexfree no Brasil operava com eficácia a mesma estrutura, e até mesmo com as mesmas terminologias de vendas que a Telexfree usaria mais tarde nos Estados Unidos, e que as autoridades de proteção o consumidor brasileiro logo concluíram que era a Telexfree um esquema de pirâmide. Os brasileiros também afirmaram que Wanzeler, Merrill, e uma terceira pessoa, Carlos Costa, eram proprietários da entidade brasileira.

    Parece que Wanzeler registrou a entidade no Brasil em 2010, nomeando-o “Ympactus”, que começou a fazer negócios como Telexfree em 2012.

    18. A investigação brasileira resultou em uma ação de execução civil contra
    a Telexfree em junho de 2013, no qual o governo brasileiro ganhou uma liminar proibindo a Telexfree de recrutar novos divulgadores e de tomar dinheiro ou pagar os divulgadores existentes.

    Com base em fontes de notícias públicas, após a ordem ter sido emitida, um representante do governo brasileiro disse:

     “Os proprietários da empresa [Telexfree] são suspeitos de montar uma pirâmide financeira. A Telexfree no Brasil está recrutando investidores e a criando um esquema de pirâmide sob o pretexto de marketing multinível.

    Há empresas de marketing multinível já estabelecidas no mercado, como Herbalife, Mary Kay e Tupperware. Elas trabalham com este sistema, no caso da Telexfree o interesse não é vender produtos, mas recrutar novas pessoas. O foco da Telexfree no Brasil não é a venda de produtos ou serviços, mas a filiação de novas pessoas para alimentar o sistema de pagamento.”

    Apesar dos inúmeros apelos da Telexfree, a partir da data desta declaração a liminar permanece em vigor.

    19. Em março de 2014, tanto Wanzeler quanto Merrill foram intimados a depor em juízo perante a MSD. Segundo o testemunho de Wanzeler, o governo brasileiro congelou cerca de 350 milhões dólares em fundos pertencentes a Telexfree. Registros do Ministério da Fazenda mostraram que, desde que a Telexfree  começou  o recrutamento de divulgadores no Brasil, as contas bancárias da Telexfree no Brasil receberam cerca de 446 milhões dólares. Os registros também mostram que por volta de 19 de fevereiro de 2013, os saldos bancários da Telexfree brasileira somaram mais de US $ 200.000.000.

    O Ministério da Fazenda também mostrou que as transferências foram feitas a partir de
    contas bancárias da Telexfree para contas bancárias brasileiras pertencentes a Wanzeler, e de lá para contas dos EUA em nome de Wanzeler.

    20. Conforme discutido mais adiante, uma revisão de documentos feita pelos bancos norte-americanos das atividades bancárias da Telexfree em 2012 – 2013 apresentaram um padrão semelhante à atividade descoberta no Brasil:

    Significativas somas depositadas em contas da Telexfree, geralmente em quantidades pequenas, que eram rapidamente sacadas, novamente em pequenas quantidades.

    Enquanto isso, com base na investigação do governo, pouco do dinheiro parecia ser derivado da venda genuína de um produto a um cliente de varejo.

    III. Estrutura Corporativa da Telexfree nos Estados Unidos e sua conexão a Merrill e Wanzeler

    21. Segundo a papelada  incorporada em arquivo com a Comunidade de Massachusetts e outros estados, Wanzeler e Merrill possuíam e operavavam uma empresa dos EUA chamada Telexfree, Inc., bem como certas entidades afins.

    22. Através de uma revisão de registros públicos, o governo descobriu que a Telexfree
    era originalmente conhecida como “Common Cents Communications” e foi incorporada em Massachusetts, em dezembro de 2002 e lista Carlos Wanzeler como presidente e James Merrill como Tesoureiro. Dois outros homens foram listados como diretores da corporação.

    23. Em fevereiro de 2012, Common Cents Communications apresentou um artigo de alteração com o Estado de Massachusetts, mudando o nome da empresa para “Telexfree Inc”. O artigo de alteração foi apresentado por Wanzeler na sua qualidade de Presidente. Em outubro de 2012, a Telexfree Inc. apresentou um relatório anual à Secretaria de Estado de Massachusetts, no qual Wanzeler e Merrill foram listados como os únicos representantes e diretores da empresa. O documento de incorporação para Telexfree mostrava um endereço corporativo em Marlborough, Massachusetts.

    24. Em julho de 2012, uma entidade chamada “Telexfree” foi registada como de sociedade responsabilidade limitada (“LLC”), no Estado de Nevada. A companhia lista Wanzeler, Merrill e Carlos Costa como administradores da LLC. Em abril de 2013, Telexfree LLC entrou com um pedido de registro como uma sociedade de responsabilidade limitada estrangeira na Secretaria de Estado de Massachusetts.

    25. Wanzeler e Merrill admitiram, sob juramento, que operam a Telexfree dos Estados Unidos. Durante testemunho perante o MSD em março 2014, ambos confirmaram suas posições de liderança na Telexfree e confirmaram que cada um deles possui 50 % da empresa.

    26. Com base na análise dos registros financeiros, os dois retiraram a título de pagamento milhões de dólares dos fundos de investidores acumuladas em contas da Telexfree. Até o final de 2013, Merrill havia transferido mais de $ 3.000.000 de contas da Telexfree para suas contas pessoais. Nesse ponto Wanzeler – principalmente através de transferências de dinheiro e autorizado por Merrill – tinham recebido mais de 7.000.000 dólares.

    27. Parece que Telexfree, Merrill, e Wanzeler também estão interligados com outras
    entidades, incluindo Brazilian Help, Inc., Diskavontade, Ympactus (mencionado acima), e Telexfree Financial. Durante o seu depoimento perante a MSD, Wanzeler descreveu a Ympatcus como a encarnação brasileira de Telexfree; ambas as empresas compartilhavam o web site http://www.telexfree.com . A Ympactus usou o nome da marca Telexfree no Brasil.

    28 As relações entre Telexfree, LLC ; Telexfree, Inc. ; e Telexfree
    Financial são igualmente interligadas. Wanzeler testemunhou que Telexfree Financial foi criada para pagar os funcionários da Telexfree LLC e Telexfree Inc., porque eles “têm tantos problemas com os bancos.” Como discutido mais abaixo, esta parece ser uma referência para os bancos dos EUA, que repetidamente bloquearam as contas da Telexfree em 2012 e 2013 devido a preocupações de que a Merrill e Wanzeler (os signatários) estavam fazendo algo ilegal.

    IV. Operações de negócios da Telexfree baseados nos EUA

    29. A Telexfree mantém o site http://www.telexfree.com. Como discutido abaixo, o produto VOIP do Telexfree, normalmente chamado 99TelexFree, poderia ser comprado diretamente pelo site de acesso que a Telexfree fornece aos seus divulgadores. Mas certos fatores, no entanto, distinguem a Telexfree e seu produto das operações de uma empresa legítima. Por exemplo:

    a. O produto parece mal projetado para a aquisição e manutenção dos usuários do VOIP.

    b. A maneira que a Telexfree compensava aqueles que se inscreveram para “promover” o produto VOIP tinha pouco ou nada a ver com o fato de vender o produto VOIP,
    e o sistema de compensação não foi baseada em um modelo de negócio sustentável.

    c. Uma análise das contas bancárias e de processamento de cartão de crédito publicamente declarados pela Telexfree mostra que menos de 1% de sua receita foi originada de seus produtos VOIP, e cerca de 99% vieram de investimentos por parte de novos divulgadores, e que não poderia cumprir o pagamento maciço de suas obrigações para com os divulgadores existentes, sem igualmente ter grandes injeções de dinheiro de novos divulgadores.

    d. Declarações públicas de Telexfree, incluindo as declarações e instruções para os seus divulgadores, de forma consistente omite o fato de que a sobrevivência da Telexfree, e assim como o  lucros dos divulgadores, dependiam de um fluxo constante de novos divulgadores, e não da venda do produto VOIP.

    A. O Produto Telexfree Supostamente para Venda

    30. O produto  99TelexFree permite ao usuário fazer ligações telefônicas de longa distância com base na Internet para países estrangeiros. É feito o seu download pelo comprador e instalado em um computador (ou, mais recentemente, em um smartphone), depois o comprador registra seu número de telefone com a Telexfree. O comprador pode, então, ligar para um número de acesso local a partir do número de telefone registrado.

    Quando o sistema Telexfree reconhece uma chamada de um número de telefone registrado, o comprador recebe um novo tom de discagem e, em seguida, pode completar uma chamada internacional.

    31. O processo para a compra de serviços de VOIP da Telexfree é complicado. Em 9 de abril, 2014, um agente HSI agindo de forma disfarçada (“UC2“), comprou um pacote VOIP Telexfree  de um divulgador através do site da Telexfree. Os passos iniciais no processo consumiram duas horas, incluindo passos incomuns, como a criação de um “eWallet” eletrônico e enviar para a Telexfree as cópias da licença de motorista e do cartão de crédito do UC 2.
    (As atividades do agente secreto inicial (“UC2”) trabalhando nessa investigação são discutidas abaixo.)

    32. Além da venda através do cartão de crédito, parece que um cliente poderia ter comprado o serviço VOIP mediante o pagamento da taxa mensal $ 49,90 diretamente a um divulgador, após o qual a Telexfree subtraía esse valor do que a Telexfree devia ao divulgador seja em “recompra”, taxas ou comissões (discutido abaixo). Não há indicação, no entanto, que vendas significativas no varejo de 99TelexFree para clientes genuínos (terceiros) foram realizadas dessa maneira. Por exemplo, o próprio local permitiu a utilização de um cartão de crédito para pagamento, uma opção particularmente provável nos cenários como este, onde eram necessários pagamentos mensais em curso, caso realmente alguém usasse o serviço. Para as pessoas físicas que são divulgadores é improvável que aceitassem cartões de crédito.

    B. A Estrutura  de Compensação – Fazendo Dinheiro Sem Vender Nada

    33. O site da Telexfree, http://www.telexfree.com, explica como compensa os participantes.em  vídeos instrutivos, disponível no YouTube, e também descrevem as numerosas maneiras como a Telexfree paga seus divulgadores. Entre março de 2012 a setembro de 2012, o site continha um link “divulgadores”, que contou a potenciais divulgadores que poderiam “Ganhar dinheiro fazendo anúncios na Internet!”, ou seja, o site disse que potenciais investidores, após um investimento inicial na empresa, poderiam ganhar dinheiro por um ano sem vender qualquer um dos Serviços de VOIP da Telexfree, simplesmente por postar anúncios do produto. Por exemplo, no verão
    de 2012, o site disse que, em parte, o seguinte:

    Seja nosso divulgador
    Ganhe dinheiro fazendo anúncios na internet!
    Através de uma ADCENTRAL, que geot [sic] por US$ 299 ( anualmente).

    O divulgador receberá US $ 20 por semana para fazer 7 diferentes anúncios nos sites de anúncios on-line, de segunda a domingo. Tudo de uma maneira rápida, fácil e padronizado em seu escritório virtual Telexfree. (BO)

    Isto será feito nas 52 semanas do ano, durante o seu contrato, veja a simulação:

    52 semanas x $ 20 ( Colocar os 7 anúncios ) = 1.040 dólares no ano

    34 O site Telexfree também tinha um link – ao lado de uma fotografia de James Merrill – que dizia: “Veja a nossa oportunidade apresentada pelo nosso Presidente James Merrill.” A link era conectado a um download de uma apresentação de PowerPoint, descrito como “a oportunidade de sua vida.” A apresentação encorajava as pessoas a inscrever-se como divulgadores e “Ganhar dinheiro de forma inteligente!
    Sem ter de convidar qualquer pessoa, sem vender nada, no conforto da sua própria casa.”

    E passou a explicar que, colocando um anúncio para a Telexfree por dia, um divulgador poderia ganhar US $ 20 por semana, US $ 80 por mês, $ 1040 por ano, com US $ 741 em lucro líquido por ano. A apresentação incentivava os divulgadores potenciais a participar em um ” AdCentral Family Plan” (explicado mais abaixo).

    35. Uma análise do site da Telexfree, feita enquanto o sistema de compensação inicial
    estava operando (cerca de janeiro de 2012 a 9 de março, 2014 ), mostrou que, quando um divulgador ingressava na Telexfree ele era obrigado a ter um nome de usuário para acessar a área de “back office”. Esta foi a área a partir da qual os divulgadores da Telexfree gerenciavam suas atividades de vendas. Quando um divulgador
    acessava o “back office”, ele era capaz de copiar propagandas já preparados pela Telexfree, depois o divulgador colava aqueles anúncios pré-fabricados em vários outros sites que permitiam anúncios “Classificados” gratuitos.A Telexfree fornecia os links para esses sites; o divulgador poderia postar os anúncios em qualquer desses sites que ele escolhesse. Depois de postar um anúncio, o divulgador enviava um link do IP do anúncio para Telexfree, que, em seguida, verificava que o anúncio foi colocado.

    36. Agentes, em diversas datas, analisaram os cerca de dez sites para onde a Telexfree dirigia seus divulgadores para postar anúncios. Cada um desses sítes, permitia que
    as pessoas a postassem pequenos anúncios de graça, Nele havia centenas de anúncios idênticos para a Telexfree.

    Uma “captura de tela” de um local típico, recuperado por pessoal HSI, aparece abaixo:

     <IMAGEM>

    37. Além da futilidade aparente de publicação de anúncios, como os acima, os divulgadores foram proibido de publicar anúncios da Telexfree qualquer outro lugar.

    Além disso, de acordo com o depoimento de Merrill perante o MSD, nenhum divulgador sequer pediu a empresa autorização para fazê-lo.

    C. A Estrutura de Compensação – Resultados Individuais

    38. No geral, entre janeiro de 2012 e início de março de 2014, a estrutura de remuneração da Telexfree foi complicada. Como se verá adiante, havia dois níveis de adesão disponíveis e, depois de comprar da empresa, um novo participante poderia ser compensado como um individual, ou como parte de uma “equipe”, ganhar dinheiro adicional pelo recrutamento de novos divulgadores. Quanto aos níveis de adesão, quanto maior o investimento do divulgador, maior era o retorno. Além disso, nada impedia que um único divulgador aderisse a vários planos.

    39 As informações abaixo são baseadas em um levantamento feito no site da Telexfree; postagens pelo pessoal da Telexfree e de vários divulgadores no YouTube; e conversas entre um  agente secreto HSI e um divulgador de sucesso da Telexfree ( discutido mais adiante).

    SEGUE …
     

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